Corte de Gastos Públicos
Especialistas econômicos apontam que significativos cortes nos gastos do Brasil, mantendo programas sociais e aumento salarial, não são praticáveis. Na Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos nota que o gasto primário é quase todo obrigatório, cobrindo Previdência, Benefício de Prestação Continuada e programas como Bolsa Família. Discricionárias são poucas, apenas R$ 200 bilhões, assim comprometendo cortes sem impacto social. Bastos alerta que cortes atingiriam investimentos e custeios em universidades e hospitais federais. Para Maria Lourdes Mollo, da UnB, tais cortes deprimem a economia, cortando renda, emprego e fonte para saúde e educação.
Propostas de Candidatos
Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro propõe cortes na linha do governo Milei na Argentina, sem tocar programas sociais. Com his equipe, pretende um ajuste de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, mirando supostos privilégios no serviço público e fraude. Pedro Paulo pondera que esses gastos não somariam centenas de bilhões. Lula advoga por um ajuste fiscal gradual, visando crescimento econômico para equilíbrio fiscal e proteção das políticas sociais. Bruno Moretti, ministro do planejamento, estima superávit de 1,5% do PIB até 2030 através da moderação de despesas obrigatórias.
Impacto dos Juros na Dívida Pública
O setor financeiro demanda cortes sob a alegação de que despesas pressionam a dívida pública. Todavia, Bastos indica outra pressão maior: são os juros que, segundo ele, drenam R$ 1 trilhão anualmente. Ele destaca que ao pagar 8,9% do PIB em juros, cortar 1,5% para programas sociais reflete em escolha, não ajuste fiscal.
Arcabouço Fiscal e Dívida/PIB
Durante o governo Lula, o Novo Arcabouço Fiscal surgiu, impondo limites ao crescimento das despesas de acordo com as receitas, reduzindo o déficit primário sem danos sociais. Adepto do arcabouço e dos gastos eficientes, Lula enfrenta a proposta de Flávio Bolsonaro que visa revisões para estabilizar e diminuir a dívida rapidamente, limitando crédito subsidiado para atingir superávits primários.
