Em julho, a economia do Brasil apresentou uma diminuição de 0,4% em comparação a junho, segundo estimativas do Monitor do PIB do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgadas em 17 de setembro. Essa redução marcou o segundo mês seguido de queda, após uma retração de 1% no mês anterior.
Cenário “desafiador”
A economista Juliana Trece, responsável pela pesquisa, ressaltou a debilidade das três principais atividades econômicas: a agropecuária sofreu uma queda, enquanto a indústria e os serviços ficaram estagnados. Ela descreveu o panorama externo como “desafiador” devido à alta das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações do Brasil e o aumento dos preços do petróleo, resultado da guerra no Oriente Médio. No contexto interno, Trece destacou as dificuldades impostas pelas altas taxas de juros e o elevado endividamento das famílias.
Desempenhos
Conforme o estudo, o consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, aumentou 0,4% no trimestre móvel até julho, sendo o menor crescimento registrado desde outubro de 2025, que foi de 0,2%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 1,4% no mesmo período, assinalando a quarta expansão consecutiva. O PIB acumulado até julho foi avaliado em R$ 7,853 trilhões, em valores correntes.
Resultado oficial
O Monitor do PIB é um dos indicadores que refletem o desempenho econômico do Brasil. Outro é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que indicou uma diminuição de 0,2% em julho comparado a junho. O Banco Central prevê um crescimento de 1,5% ao longo dos próximos 12 meses. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB do segundo trimestre aumentou 0,5% comparado ao trimestre anterior, com um crescimento de 1,9% ao longo de 12 meses. O resultado do terceiro trimestre está previsto para ser divulgado em 2 de dezembro.
Expectativa
O relatório Focus do Banco Central, datado de 14 de setembro e baseado em consultas a instituições do mercado financeiro, prevê que a economia do Brasil deve registrar um crescimento de 1,89% até o fim de 2026.
