Em junho de 2026, o Brasil registrou 20,3 milhões de pessoas classificadas como endividadas de risco, o que representa um aumento de 75% em comparação a 2021. Esta informação foi apresentada no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC), divulgado em 27 de outubro de 2026. Esse número equivale a 17% de todos os devedores no Sistema Financeiro Nacional.
Novas iniciativas do Banco Central
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, anunciou que novas medidas estão por vir ainda este ano para enfrentar a crescente oferta de crédito. Essas intervenções serão dirigidas especialmente aos consumidores que utilizam o crédito rotativo dos cartões e aos que estão com dívidas substancialmente atrasadas.
Além de exprimir sua preocupação, Galípolo destacou o aumento do uso de modalidades sem garantia, como cartões de crédito e cheque especial, apesar das taxas de juros elevadas. Ele mencionou a insensibilidade ao preço observada no crescimento dessas modalidades.
Critérios de risco
De acordo com o Banco Central, um consumidor é considerado “endividado de risco” se satisfizer ao menos dois de quatro critérios: ter atraso superior a 90 dias no pagamento, ter mais de 50% da renda mensal comprometida com dívidas, fazer uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo ou possuir renda pós-pagamento de dívidas abaixo da linha de pobreza.
No mesmo ano, observou-se um aumento do comprometimento de renda com dívidas de cartão em todas as classes salariais, atingindo 42% da renda entre aqueles que ganham até dois salários mínimos.
Novo regulamento para empréstimos
No dia 23 de outubro de 2026, o Banco Central introduziu novas normas para coibir ofertas inadequadas de crédito. Agora, consumidores poderão bloquear publicidade e ofertas de crédito de instituições financeiras.
As ofertas para consumidores em risco de alto endividamento precisarão de autorização prévia e serão limitadas a renegociação ou portabilidade, sem adição de novos recursos. Este novo regulamento será implementado em duas etapas: o bloqueio das ofertas em março de 2027, seguido pela adoção de painéis digitais e limites para ofertas de empréstimos via Pix em julho do mesmo ano.
