Em setembro de 2026, o superávit da balança comercial brasileira alcançou US$ 7,74 bilhões, mais que o dobro em comparação ao saldo de US$ 3,14 bilhões registrado em setembro de 2025. Esse resultado se deveu, principalmente, ao aumento de 12,9% nas exportações, totalizando US$ 34,42 bilhões, conforme anunciado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Principais Números
Com um superávit recorde para setembro, ficando atrás somente do de setembro de 2023, que foi de US$ 9,18 bilhões, o saldo foi notável. Em contrapartida, as importações apresentaram uma queda de 2,4%, resultando em US$ 26,68 bilhões. A corrente de comércio, somatório de exportações e importações, chegou a um recorde histórico de US$ 61,09 bilhões para os meses de setembro.
Exportações Crescem
Dentro dos setores, a indústria extrativa destacou-se com um incremento de 39,8% nas exportações, atingindo US$ 9,44 bilhões. Também contribuíram de modo significativo a indústria de transformação e o agronegócio, com vendas de US$ 17,67 bilhões e US$ 7 bilhões, respectivamente.
Entre os produtos, o petróleo bruto foi o carro-chefe das exportações de indústria extrativa, com um crescimento de 77,3% em relação ao ano anterior. Na indústria de transformação, farelos de soja e combustíveis puxaram as exportações, enquanto que a soja liderou no agronegócio, subindo 11,9% nas exportações.
Destinos das Vendas
Os destinos das exportações variaram significativamente. As vendas para a Europa aumentaram 51,9%, atingindo US$ 8,3 bilhões, impulsionadas, em parte, pelo acordo do Mercosul com a União Europeia. Na América do Norte, as exportações cresceram 30,6%, somando US$ 5,2 bilhões, apesar das novas tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos.
Houve, porém, uma queda de 2,5% nas exportações para a Ásia, com estabilidade na América do Sul. No caso dos Estados Unidos, as exportações subiram 31,9% em setembro, embora mostrassem um decréscimo acumulado de 6,5% no ano.
Importações Avançam
As importações caíram 2,4% em setembro, influenciadas pela redução nas compras de bens de capital e intermediários, reflexo da desaceleração econômica devido aos altos juros, impactando os investimentos na indústria. Entretanto, as importações de combustíveis subiram 41,2%, impulsionadas por um aumento de 58,2% nos preços.
Acumulado de 2026
No período de janeiro a setembro de 2026, o superávit acumulado da balança comercial foi de US$ 62,4 bilhões. As exportações atingiram US$ 264,65 bilhões, um aumento de 10,4%, enquanto as importações totalizaram US$ 222,26 bilhões, um incremento de 5% em relação ao ano anterior.
Projeções
O Mdic ajustou suas projeções de superávit para 2026 de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Ainda assim, tal resultado seria o segundo maior superávit anual desde 1989, só não superando o de 2023, que foi de US$ 98,8 bilhões. As previsões de exportações e importações passaram para US$ 382,5 bilhões e US$ 298,1 bilhões, respectivamente.
Essas projeções do Mdic são mais positivas do que as das instituições financeiras. De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, o superávit esperado pelo mercado é de US$ 78,3 bilhões para o ano.
