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Especialistas contestam cortes de despesas como solução para dívida pública

Conforme os dados divulgados, em agosto de 2026, a dívida pública do Brasil alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O tema provoca discussões entre economistas, que divergem sobre a melhor abordagem para o problema. Enquanto economistas de orientação liberal sugerem a redução de despesas para alcançar o equilíbrio fiscal, os heterodoxos condenam essa medida como danosa, especialmente para áreas sociais, culpando as altas taxas de juros pela elevação da dívida.

Impasses sobre a dívida

A sugestão de cortar drasticamente os gastos públicos, tal como advogada pelo Instituto Fiscal Independente (IFI) e pela revista Forbes, enfrenta resistência. Flávio Bolsonaro (PL), em sua campanha presidencial, propôs uma economia de R$ 250 bilhões, o que trouxe à tona críticas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teme impactos adversos em benefícios sociais.

De acordo com economistas consultados, reduzir gastos primários não é a solução ideal para enfrentar a dívida pública. Simone Deos, professora do Instituto de Economia da Unicamp, sustenta que, mesmo com a dívida crescente, não há ameaças imediatas de calote ou inflação, porque, ao contrário de outros países, a dívida brasileira é denominada em moeda nacional.

Juros e impacto internacional

Fernando Henrique Lemos Rodrigues, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), observa que a dívida pública do Brasil está de acordo com padrões internacionais, sugerindo que não deve ser a preocupação principal. Ele critica a analogia entre Estado e família sobre orçamento e dívida, enfatizando a capacidade do país em gerenciar suas finanças de maneira mais complexa.

Simone Deos faz um paralelo entre a dívida do Brasil e a de outros países, como Japão e EUA, que apresentam dívidas ainda mais elevadas. Ela identifica que a maior pressão sobre a dívida brasileira advém do pagamento de juros, que redistribui riqueza para os rentistas. Segundo o Banco Central, o Brasil gastou R$ 1,1 trilhão com juros nos últimos 12 meses, o que corresponde a 8,86% do PIB.

Críticas à política de juros

O professor Fernando Henrique acusa o mercado financeiro de exercer “chantagem” ao promover a ideia de que cortes nos gastos são necessários para manter taxas de juros altas. Ele menciona que o Banco Central exige superávits primários para justificar reduções nas taxas de juros e sugere que o governo pode fomentar renda e investimentos sem cortes agressivos em gastos sociais.

Fernando salienta que, com a inflação controlada, há a possibilidade de se reduzir a taxa de juros. Ele aponta que o Banco Central brasileiro é pressionado por instituições financeiras, o que dificulta a diminuição das taxas. Simone Deos argumenta que uma redução coordenada dos juros, em conjunto com a intervenção no mercado de câmbio, poderia equilibrar a dívida pública sem afetar negativamente as políticas sociais.