Em agosto, os dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgados pelo Banco Central revelaram que as famílias brasileiras lidaram com uma alta nos juros, inadimplência e endividamento. A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas aumentou para 61,7% ao ano, subindo 1,4 ponto percentual contra julho e 2,9 pontos em comparação a agosto do ano anterior. O cartão de crédito rotativo e o parcelado foram os principais responsáveis pela pressão sobre esse indicador.
Crédito
Mesmo com a elevação dos juros, as famílias continuaram a buscar crédito. O saldo das operações livres para pessoas físicas chegou a R$ 2,6 trilhões, com aumento de 0,8% no mês e 10,5% em 12 meses. O crescimento foi puxado por financiamento de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito consignado para trabalhadores do setor privado, vinculado ao Crédito do Trabalhador. No que tange às empresas, a taxa média de juros do crédito livre chegou a 24,2% ao ano, com uma diminuição de 1 ponto percentual em agosto. O saldo dessas operações contabilizou R$ 1,6 trilhão, uma queda de 0,6% no mês e crescimento de 0,5% no ano.
No total, o saldo da carteira de crédito livre em agosto somou R$ 4,1 trilhões, representando aumentos de 0,2% no mês e 6,5% em 12 meses.
Endividamento e inadimplência
Do lado do endividamento, as famílias atingiram 49,9% em julho, um crescimento de 0,2 ponto percentual em comparação a junho e 1,1 ponto em relação ao ano passado. O comprometimento da renda com dívidas estabilizou-se em 28,7% frente ao mês anterior, mas foi 1,4 ponto percentual mais alto que no ano passado. A inadimplência total no Sistema Financeiro Nacional chegou a 5% em agosto, com acréscimo de 0,1 ponto no mês e 0,9 pontos no ano. Para as famílias, a inadimplência atingiu 6%, subindo 0,2 ponto desde julho e 1,1 ponto anualmente. Para as empresas, o índice permaneceu constante em 3,3%.
Crédito total soma R$ 7,4 trilhões
Em agosto, o saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional anotou R$ 7,4 trilhões, uma expansão de 0,5% no mês. Entre as famílias, as operações subiram 0,8%, totalizando R$ 4,7 trilhões, enquanto para as empresas houve um declínio de 0,1%, alcançando R$ 2,7 trilhões. Em 12 meses, o crédito total avançou 9,2%, com aumentos de 10,5% para pessoas físicas e 7,1% para empresas.
O crédito ampliado ao setor não financeiro, que abrange empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos externos, somou R$ 22 trilhões em agosto, correspondendo a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Houve crescimentos de 0,6% no mês e 11,3% no ano. Especificamente para as empresas, o crédito ampliado chegou a R$ 7,3 trilhões, representando 54,6% do PIB, com avanços de 1,1% no mês e 8,7% anualmente.
Reservas bancárias avançam
No âmbito dos agregados monetários, a base monetária encerrou agosto estável em R$ 432,6 bilhões, mas uma diminuição de 1,4% foi observada em comparação a agosto de 2025. As reservas bancárias apresentaram um incremento de 4,5% durante o mês, enquanto o papel-moeda em circulação caiu 0,5%.
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