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Vitalik critica stablecoins e revive debate no Ethereum

O fundador do Ethereum, Vitalik Buterin, levantou um ponto importante sobre as stablecoins. Para ele, o modelo atual dessas moedas “não foi feito para durar”, o que reacende discussões sérias sobre o futuro desse setor. Curiosamente, essa afirmação não fez o preço do ETH se agitar. Ele permaneceu estável, em torno de US$ 3.120, com uma leve alta de 1,4% em 24 horas e um volume diário de US$ 14,6 bilhões. Esse comentário surge num momento em que as stablecoins já chegaram a um valor de US$ 277 bilhões no mercado global, sendo uma peça chave no mundo cripto.

O que Vitalik está questionando nas stablecoins?

Vitalik aponta que a dependência excessiva de stablecoins lastreadas em dólar pode colocar o ecossistema em risco a longo prazo. Hoje, cerca de 96% das stablecoins são vinculadas a moedas fiat, com o USDT dominando 67,4% do mercado—aproximadamente US$ 186,9 bilhões — e o USDC com 27,1% (US$ 75,2 bilhões), conforme dados de Stablecoin.com.

Em termos simples, isso quer dizer que uma grande parte da liquidez em blockchain depende da estabilidade do dólar e de organizações centralizadas que emitem essas moedas. Para o Ethereum, que é a rede que mais processa transações com stablecoins, esse modelo contraria a ideia de minimizar pontos únicos de falha, que é um assunto recorrente nas discussões sobre como o Ethereum poderia ser o padrão das liquidações de stablecoins.

Por que as stablecoins são tão essenciais para o Ethereum hoje?

No primeiro semestre de 2025, as stablecoins movimentaram US$ 8,9 trilhões em transações na blockchain, de acordo com um relatório do setor. Elas são responsáveis pela maior parte das atividades em DeFi, pagamentos internacionais e operações de arbitragem, especialmente na rede do Ethereum.

No Brasil, essa relação é ainda mais direta: cerca de 90% do fluxo cripto por aqui envolve stablecoins, como revela o Banco Central. Isso torna qualquer mudança estrutural nesse mercado algo muito relevante para os investidores brasileiros, que costumam usar USDT e USDC como meio de troca.

Ethereum e a busca pela descentralização

Vitalik também criticou a criação de modelos que se assemelham a instituições financeiras tradicionais, normalmente apoiadas por capital de risco. Para ele, o caminho que o Ethereum busca é o da soberania do usuário e da governança descentralizada, mesmo que isso signifique um crescimento um pouco mais lento.

Essa visão contrasta com a recente entrada de stablecoins institucionais, como projetos que são lastreados por grandes gestoras. O debate entre a descentralização e a eficiência oferecida por instituições financeiras vai marcar a próxima fase do setor de stablecoins.

Quais são os riscos e os contrapontos?

Um dos desafios que Vitalik destaca é o incentivo econômico. Hoje, o staking de ETH oferece um rendimento entre 3,2% e 3,6% por ano, o que torna menos atraente usar ETH como garantia para stablecoins descentralizadas. Diminuir esse rendimento poderia impactar a segurança da rede, criando um dilema complicado.

Do outro lado, quem defende o modelo atual destaca que stablecoins centralizadas oferecem previsibilidade e liquidez, além de um alinhamento com normas regulatórias — tudo isso é crucial para uma adoção em massa. Para os investidores brasileiros, um ponto de atenção é a mudança nas regulações, já que o Banco Central classificará stablecoins como operações de câmbio a partir de fevereiro de 2026.

O alerta de Vitalik não indica um colapso imediato, mas ressalta algumas fragilidades estruturais em um mercado que lida com trilhões em transações. Para quem investe aqui no Brasil, acompanhar a evolução das stablecoins e as mudanças regulatórias será tão importante quanto observar os preços do ETH.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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