BTC recua para menos de US$ 93 mil com tensões EUA–UE
O Bitcoin caiu para menos de US$ 93.000 nesta segunda-feira (19), reflexo de novas tensões tarifárias entre os Estados Unidos e a União Europeia. O preço caiu para US$ 92.652, uma queda de 3,6% nas últimas 24 horas, o que gerou um clima de incerteza no mercado. Esse movimento é algo que já vimos acontecer entre 2025 e 2026, quando choques no comércio global afetaram a coragem dos investidores em relação a ativos mais voláteis.
No Brasil, essa queda tem um impacto direto nos investidores. Isso porque a oscilação do dólar amplifica as variações do Bitcoin nas corretoras nacionais. Em situações similares no passado, os preços já chegaram a girar em torno de US$ 90.000, um patamar que traders ficam de olho. O cenário macroeconômico continua sendo um dos principais condicionantes para o mercado cripto.
Apesar dessa pressão recente, o Bitcoin ainda conseguiu manter uma boa alta durante o ano, impulsionado pela demanda de investidores institucionais e por fluxos positivos em ETFs desde o início de janeiro. Essa mistura de fundamentos sólidos com a agitação do cenário econômico explica a oscilação rápida de preço, que ainda não representa uma mudança estrutural.
O que aconteceu e por que o mercado reagiu?
As tensões aumentaram com novas ameaças de tarifas comerciais entre os EUA e a UE, o que reacendeu os temores sobre uma desaceleração da economia global. O Bitcoin, que atingiu US$ 92.652 durante a sessão asiática, mostra que quando tarifas aumentam, os custos também sobem, e isso pode fazer com que investidores busquem ativos mais seguros, pelo menos a curto prazo.
O volume de negociação do Bitcoin subiu cerca de 18% nas últimas 24 horas. Isso indica que muitos investidores estão saindo de posições mais arriscadas. O Índice de Força Relativa (RSI) caiu para 41, sinalizando que a pressão está aumentando, mas ainda está acima da zona considerada crítica. Por sua vez, o MACD continua em território negativo, mostrando que a pressão vendedora está forte.
Do lado técnico, o suporte imediato do Bitcoin está em torno de US$ 92.500. Se ele perder esse patamar, poderemos ver um teste em US$ 89.000. A resistência mais próxima se coloca em US$ 95.000, que coincide com a média móvel de 50 dias, hoje em US$ 95.400.
Impactos mais amplos para investidores e para o Brasil
Quedas provocadas por fatores macroeconômicos costumam ser rápidas e influenciam diversos mercados simultaneamente. Para os investidores brasileiros, isso significa uma volatilidade maior, especialmente quando o dólar também está em movimento. Em situações passadas, como as incertezas regulatórias nos EUA, o Bitcoin já havia sentido forte pressão, caindo para US$ 95.498.
Observando o que acontece dentro das exchanges, os dados mostram que a estabilidade do supply está em cerca de 11,8% do total circulante. Isso sugere que não há um pânico generalizado, já que os grandes volumes não estão sendo enviados para as corretoras. Movimentos de “baleias”, ou investidores grandes detentores de BTC, aumentaram apenas 4% no dia—ainda um número modesto para quedas dessa magnitude.
A taxa de hash da rede continua perto do recorde histórico, acima de 620 EH/s, o que indica que os mineradores estão confiantes na segurança e na rentabilidade a longo prazo do Bitcoin. Normalmente, quando há pressão no preço, os mineradores tendem a vender mais BTC, mas isso não está acontecendo agora.
Quais são os riscos e o que observar daqui para frente?
O maior risco atualmente é a possibilidade de um agravamento do conflito comercial, que poderia levar o Bitcoin a testar a região de US$ 90.000, com analistas da CoinDesk alertando para isso. Um rompimento desse nível poderia sinalizar uma correção mais intensa a curto prazo.
Por outro lado, o mercado também está de olho em fatores que podem oferecer suporte, como a liquidez do Federal Reserve e os fluxos institucionais. Em janeiro, ETFs de Bitcoin tiveram uma entrada significativa de US$ 697,2 milhões, o que demonstra que o interesse por longo prazo ainda está firme.
Para os investidores no Brasil, é hora de ter uma gestão de risco bem pensada e se atentar aos níveis técnicos do Bitcoin. Enquanto o preço se mantiver acima de US$ 89.000 e não haver um aumento expressivo do supply nas exchanges, o movimento pode ser visto como uma correção em função do cenário macro, e não como uma mudança na tendência de longo prazo.





