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State Street avança na tokenização e fortalece a TradFi

A State Street, um dos gigantes na custódia de ativos, está se preparando para lançar uma nova linha de produtos financeiros tokenizados. Essa movimentação marca um passo importante da TradFi — finanças tradicionais — no mundo das criptomoedas. O timing não poderia ser melhor, já que os ativos do mundo real (os famosos RWAs) tokenizados estão avaliados em cerca de US$ 6,75 bilhões.

O que uma novidade dessas significa? Bem, estamos vendo uma tendência crescente de digitalização no setor financeiro, impulsionada por uma demanda que vem do lado institucional e pela busca por operações mais eficientes.

Recentemente, essa notícia não teve um impacto direto nos preços das criptomoedas, mas vale destacar que os tokens relacionados à infraestrutura de RWAs performaram bem, apresentando uma alta média de 7,4% na semana. O Bitcoin, por sua vez, tem se consolidado perto de US$ 43.200, com uma variação positiva de 1,2% em 24 horas. Isso tudo sugere um apetite cauteloso dos investidores, que estão de olho nas narrativas institucionais.

O que está por trás da ofensiva da State Street em ativos tokenizados?

Na prática, a intenção da State Street é oferecer uma variedade de produtos, como fundos de mercado monetário, ETFs, depósitos tokenizados e até suas próprias stablecoins, tudo baseado em blockchain. Para quem ainda não está familiarizado, “tokenizar” significa representar ativos tradicionais dentro de uma blockchain. Isso possibilita liquidações mais rápidas, reduz custos operacionais e traz mais transparência aos processos.

Um ponto interessante sobre a State Street é sua enorme escala: a instituição cuida de cerca de US$ 51,7 trilhões em ativos e US$ 5,4 trilhões sob gestão. Quando uma empresa desse porte começa a adotar novos modelos, isso pode levar outros grandes nomes do setor a seguirem o mesmo caminho.

O avanço da tokenização está alinhado com a crescente oferta de produtos que já incluem títulos do Tesouro, crédito privado e fundos, diminuindo cada vez mais a distância entre as finanças tradicionais e o universo das criptomoedas.

Institucionais apostam pesado em RWAs e mudam o jogo

Um dado curioso é que uma pesquisa feita pela State Street revela que mais de 50% dos investidores institucionais esperam tokenizar entre 10% e 24% de seus portfólios até 2030. Atualmente, cerca de um terço do mercado de RWAs tokenizados é atrelado ao fundo BUIDL da BlackRock.

Além disso, estrelas como Goldman Sachs e BNY Mellon também estão avançando em MMFs tokenizados, enquanto a BlackRock amplia o uso do BUIDL como colateral dentro da blockchain. Essa nova realidade está aumentando a liquidez e criando oportunidades de rendimento para investidores mais sofisticados.

Para os traders, essa mudança tem um peso significativo. A infraestrutura de RWAs tende a aumentar os volumes de transações dentro da blockchain, além de criar uma maior demanda por blockchains que se concentrem em segurança e conformidade, alterando assim o equilíbrio do setor.

Quais são os riscos e o impacto para investidores brasileiros?

Apesar desse avanço, o principal risco ainda reside no cenário regulatório. Aqui no Brasil, o Banco Central anunciou regras mais rígidas para ativos virtuais, que entrarão em vigor a partir de fevereiro de 2026. Isso eleva as exigências de conformidade e governança.

Como resultado, a oferta de produtos tokenizados pode ser limitada ou sua estrutura pode ficar mais cara, impactando os investidores locais. No entanto, uma regulação mais clara pode atrair instituições e diminuir riscos sistêmicos.

Um ponto a considerar é que a tokenização precisa de uma infraestrutura que permita a interoperabilidade e uma liquidez consistente. Sem isso, parte do entusiasmo pode não se traduzir em uma adoção prática imediata.

No fim das contas, a entrada mais forte da State Street no mercado reforça a ideia de que a tokenização não é mais apenas um experimento, mas uma estratégia central para a TradFi. Para os investidores brasileiros, ficar atento aos RWAs e à regulação será tão importante quanto estudar os gráficos de preços. O próximo ciclo pode ser moldado mais pela integração financeira real do que pelo simples hype.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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