Banco Central do Brasil não se pronuncia sobre Drex e BRICS
O Banco Central do Brasil ainda não se posicionou oficialmente sobre a proposta de conectar as moedas digitais dos países que fazem parte do BRICS. Isso deixa uma incógnita no ar sobre a intenção do Brasil em avançar com o Drex nas transações internacionais.
Recentemente, a agência de notícias Reuters entrou em contato com o Banco Central para saber mais sobre essa iniciativa, que está sendo liderada pela Índia, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem na segunda-feira (19 de setembro).
A ideia, proposta pelo Banco da Reserva da Índia, é que a interligação das Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs) seja discutida na cúpula do BRICS em 2026. Vale lembrar que, durante o período em que o Brasil presidiu o grupo, em 2025, esse assunto não foi debatido, embora o país tenha prometido se envolver nas novas conversas.
A falta de uma posição clara do governo brasileiro chega em um momento estratégico, já que o projeto visa facilitar pagamentos entre os países emergentes e diminuir a dependência do dólar americano nas transações comerciais.
Drex e sua conexão com o BRICS: riscos e vantagens
O Drex, que é a versão digital do real, está em desenvolvimento pelo Banco Central e possui características que, em teoria, poderiam permitir que ele se comunique com outras moedas digitais de países soberanos. Contudo, o foco atual do Banco Central está em testes internos relacionados à privacidade e à programabilidade, ao invés de discutir imediatamente uma conexão internacional.
Além disso, o Banco Central rejeitou recentemente uma proposta que envolvia blockchain, o que pode estar mudando o rumo do desenvolvimento dessa moeda digital. Essa cautela pode ser uma estratégia para evitar possíveis retaliações comerciais, considerando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já avisou que países que tentarem contornar o uso do dólar podem enfrentar tarifas e barreiras econômicas.
Outros países, como Rússia e África do Sul, também não comentaram sobre esse tema quando procurados. O Banco Popular da China foi a única instituição a responder, mas sem oferecer informações adicionais.
A proposta da Índia: como funcionaria?
A Índia, que assumirá a presidência do BRICS em 2026, deve liderar as discussões entre os países do bloco. A proposta indiana sugere que a interligação das CBDCs pode acelerar o financiamento do comércio exterior e facilitar gastos de turistas entre os membros.
Para que isso funcione, seria necessário criar padrões tecnológicos comuns e regras de governança que assegurem a segurança das transações. Além disso, o modelo em discussão inclui a possibilidade de utilizar swaps cambiais bilaterais, ajudando a equilibrar eventuais déficits na balança comercial.
Com o silêncio do Banco Central do Brasil, fica a dúvida sobre qual será a estratégia do país nesse cenário. O mercado observa atentamente se o Drex será apenas uma solução para o mercado interno ou se terá um papel mais amplo em um sistema global de pagamentos, que poderia se opor ao SWIFT e ao dólar americano.





