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Ledger planeja IPO de US$ 4 bilhões e destaca autocustódia

A Ledger, conhecida como a maior fabricante de carteiras hardware do mundo, está com planos de abrir seu capital nos Estados Unidos, visando uma avaliação de US$ 4 bilhões. Esse movimento acontece em um momento favorável para listagens de empresas no setor de infraestrutura cripto, especialmente logo após o IPO da BitGo na NYSE, que arrecadou US$ 212,8 milhões e atingiu uma avaliação superior a US$ 2 bilhões. Esse cenário reflete um ciclo de amadurecimento do mercado, impulsionado por um ambiente regulatório mais estável nos EUA.

Embora a Ledger não tenha um token próprio, a notícia trouxe reações positivas no mercado, especialmente para empresas que atuam na infraestrutura e segurança on-chain. Esse é um segmento que está se destacando mais do que o desempenho médio do mercado cripto e, seguindo uma narrativa bem clara, parece que o investimento está migrando de projetos focados em DeFi e memecoins para negócios que oferecem custódia, conformidade e segurança.

Para os investidores brasileiros, essa notícia pode ser um sinal de que o ecossistema está se tornando mais maduro. Isso pode, eventualmente, influenciar custos, acesso e os padrões de segurança que estão sendo adotados aqui no Brasil.

O que está por trás do IPO da Ledger?

De maneira simples, a Ledger quer abrir capital nos EUA para conseguir mais recursos e fortalecer sua presença no mercado institucional. Desde que foi fundada, a empresa já vendeu mais de 7,5 milhões de carteiras e atualmente protege cerca de US$ 100 bilhões em criptoativos ao redor do mundo.

Segundo o Financial Times, o interesse no mercado aumentou após o sucesso de listagens como a da BitGo. Isso é um indicativo positivo de que o momento é propício para a Ledger, especialmente considerando que em 2025, os roubos de cripto atingiram valores entre US$ 2,2 bilhões e US$ 3,4 bilhões. Essa realidade reforça a demanda por soluções de autocustódia, onde os investidores preferem manter seus ativos em carteiras hardware, reduzindo os riscos associados a exchanges.

Autocustódia ganha força em um mercado mais institucional

A possível listagem da Ledger traz à tona uma mudança importante no mercado: a separação entre negociação e custódia. Para fundos e investidores institucionais, manter suas chaves privadas fora das exchanges é uma forma de minimizar riscos operacionais e regulatórios.

E não é só a Ledger que está se movimentando. A Kraken, por exemplo, busca uma avaliação de US$ 20 bilhões, enquanto a ConsenSys (responsável pela MetaMask) está mirando cerca de US$ 7 bilhões. Esse cenário gera um mercado mais competitivo, que pode resultar em margens menores no futuro. Aqui no Brasil, essa escalada pode forçar as exchanges e custodiante locais a elevar seus padrões de segurança, especialmente para quem tem um patrimônio significativo em cripto.

Quais são os riscos para investidores?

Apesar do otimismo em torno dos IPOs no setor cripto, é importante notar que ainda há uma volatilidade significativa. A estreia da BitGo, por exemplo, mostrou que, apesar da demanda forte, as ações oscilaram bastante nas primeiras negociações.

Outro ponto importante é o fator regulatório. Embora o cenário atual seja mais favorável, mudanças nas políticas podem rapidamente alterar essa realidade. Para os investidores brasileiros, a mensagem central aqui não é especular sobre o futuro das ações da Ledger, mas entender que segurança e autocustódia voltaram a ser prioridades nas estratégias de investimento em cripto.

Se a abertura de capital da Ledger se confirmar, isso pode estabelecer a infraestrutura como um novo foco no mercado cripto. Em ciclos mais maduros, quem investe na segurança tende a ter um retorno mais estável do que aqueles que simplesmente negociam ativos.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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