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Citrea lança plataforma para liberar capital ocioso do Bitcoin

A Citrea lançou oficialmente sua rede principal na quarta-feira (28), dando uma notícia que promete agitar o mercado de capitais dentro do universo do Bitcoin. A plataforma, respaldada por grandes nomes como Founders Fund e Galaxy Ventures, tem um objetivo claro: transformar o Bitcoin, considerado por muitos apenas como uma “pedra digital”, em um ativo financeiro vibrante e ativo.

Junto com a nova rede, eles introduziram o ctUSD, uma stablecoin que tem como base o dólar. Emitida pela MoonPay e funcionando dentro da infraestrutura da M0, essa moeda foi criada para atender às diretrizes da Lei GENIUS, especialmente voltadas para investidores institucionais, garantindo um nível de conformidade que muitos esperam.

Um dado que chama atenção é que, dos US$ 1,3 trilhão representados pelo mercado de Bitcoin, mais de 61% dessas moedas estão paradas, sem movimentação há mais de um ano. Para Orkun Kilic, CEO da Chainway Labs, que desenvolve a Citrea, isso é um sinal de capital ocioso. A proposta da rede é permitir que esses Bitcoins sejam usados como colateral em empréstimos, ofertas de trading e até para aumentar rendimentos — tudo isso sem a necessidade de intermediários centralizados ou a insegurança de conectar a outras redes, como Ethereum.

Para garantir que isso funcione desde o início, a Citrea já se integrou com protocolos DeFi conhecidos, como Morpho e Keyrock. Isso significa que, logo no seu lançamento, a plataforma já possui um ecossistema financeiro funcionando.

Promessa que entrega ou é mais do mesmo?

A chegada da Citrea é realmente impressionante, especialmente pelo suporte que recebeu de instituições respeitáveis. Mas é bom manter um pé atrás e analisar tudo com um olhar crítico.

A ideia de “trazer DeFi para o Bitcoin” não é nova. Projetos como Stacks, Rootstock (RSK) e a Lightning Network tentam, há anos, enfrentar o desafio de escalabilidade e inovação do BTC, mas com sucesso e adoção variados.

O maior desafio que a Citrea enfrenta está mais relacionado a questões de liquidez e confiança. Para que a rede realmente funcione, grandes investidores e fundos que possuem Bitcoin precisam se sentir seguros para retirar suas moedas da autocustódia e arrisca-las em contratos inteligentes de uma plataforma que acaba de nascer.

Outro aspecto a ser observado é a adesão à conformidade regulatória imposta pela Lei GENIUS e os procedimentos de KYC (Conheça Seu Cliente). Enquanto isso pode atrair bancos e grandes investidores, também pode afastar aqueles que amam o Bitcoin pelo seu aspecto de resistência à censura e pela busca por privacidade.

Assim, até que haja uma movimentação concreta nos volumes de transação, a Citrea pode ser vista mais como uma tentativa sofisticada em um mercado que já testemunhou diversas promessas do tipo, sem muitas delas conseguirem se estabelecer de fato.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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