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Justiça pune campeão de xadrez por golpe com Tether USDT

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou Daniel Uribe Arteaga a uma pena de 8 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Ele foi responsabilizado por estelionato agravado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

A decisão foi tomada pelo juiz Márcio Evangelista Ferreira da Silva e destaca a parceria entre a polícia brasileira e a Tether, uma das maiores emissoras de moedas digitais do mundo. Essa colaboração foi essencial para o desdobramento do caso.

O esquema de Daniel começava com uma falsa identidade. Ele se passava por um empresário espanhol, dizendo que morava em Barcelona e que tinha um negócio próspero em importação de iPhones, movimentando milhões de reais semanalmente. Com essa narrativa, ganhou a confiança de sua vítima e a convencendo a transferir 1,5 milhão de USDT, prometendo um retorno de 2% em uma operação de câmbio.

Após receber a quantia no dia 25 de novembro de 2024, ele transferiu os recursos para várias carteiras digitais e corretoras, como Bybit e OKX, e cortou contato com a vítima. As investigações descobriram que parte desse dinheiro foi usada para comprar itens de luxo na Louis Vuitton. Para escapar, Daniel ainda usou um jatinho particular rumo ao Panamá. Curiosamente, ele possui um passado como enxadrista, conforme informações disponíveis em sites de jogos.

Colaboração com a Tether e recuperação de valores

Um detalhe interessante na sentença foi como a atuação da polícia fez a diferença. A Polícia Civil do Distrito Federal conseguiu, em colaboração com a Tether, bloquear 1.095.003 USDT, o que representa cerca de 73,5% do total roubado. Isso mostra como a ação rápida e a parceria com empresas do setor de criptomoedas podem resultar em bons desfechos.

A defesa de Daniel tentou contestar essa prova. Eles argumentaram que a comunicação com a Tether, que tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas, violava tratados internacionais. No entanto, o juiz não aceitou essa tese, destacando que a urgência do caso justificava a ação.

Ele também ressaltou que a Tether possui tecnologia avançada para monitorar e restringir carteiras digitais, tornando essa colaboração vital para evitar que os bens da vítima desaparecessem completamente.

Consequências para o réu

Além da pena de prisão, Daniel foi responsabilizado pelo crime de lavagem de dinheiro, pois tentou esconder a origem dos valores movimentando-os por várias contas e convertendo-os em bens. Ele agora terá que pagar R$ 404.997,00 à vítima, que é o valor que não foi recuperado pelo bloqueio.

Essas situações reforçam a importância de se ter cuidado ao realizar transações financeiras, especialmente com criptomoedas. Muitas vezes, golpes como esse podem ser disfarçados por histórias atraentes, mas a cautela pode fazer toda a diferença para evitar perdas.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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