ETFs de SUI têm estreia com baixo volume e pouca adesão institucional
A chegada dos ETFs de SUI nos Estados Unidos não foi como muitos esperavam. O movimento inicial foi preocupante, já que mostra um desinteresse significativo por parte dos investidores institucionais neste ciclo de mercado. As gestoras Canary Capital e Grayscale lançaram seus produtos na Nasdaq e NYSE Arca, mas o mercado parecia estar em um momento frio. Durante o lançamento, o token Sui (SUI) estava em torno de US$ 0,93, ou aproximadamente R$ 5,35, mas não teve a valorização que muitos investidores de varejo aguardavam. Essa queda de expectativa se difere do que aconteceu com outras criptomoedas, como Solana e XRP, em meses anteriores.
O que está por trás dessa movimentação?
O Canary Sui ETF (SUIS) e o Grayscale Sui Trust (GSUI) se destacam por serem os primeiros ETFs de criptoativos spot a oferecer rendimentos de staking nos EUA. Isso significa que investidores poderiam gerar recompensas apenas por manter o ETF, algo que os fundos de Bitcoin e Ethereum não oferecem. Mesmo assim, essa inovação não foi o suficiente para atrair investimentos. A expectativa inicial era que a performance técnica da rede Sui chamasse a atenção de investidores mais tradicionais.
Na prática, o primeiro dia de negociação revelou um descompasso entre o que se esperava do projeto e o real interesse de Wall Street em altcoins fora do top 5. Enquanto Solana e XRP movimentaram milhões logo em suas estreias, o SUI teve dificuldade em se destacar, o que levanta preocupações sobre a saturação do mercado de altcoins.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
Os números do primeiro dia de negociação foram bem decepcionantes. A liquidez foi praticamente inexistente para padrões institucionais. Aqui estão alguns dados:
- Volume do Grayscale (GSUI): aproximadamente 8.000 cotas.
- Volume do Canary (SUIS): apenas 1.468 cotas.
- Total financeiro: o volume combinado ficou abaixo de US$ 150.000 (cerca de R$ 860.000), um valor baixo para o mercado americano.
- Comparativo direto: só para ilustrar, o ETF de Solana (BSOL) estreou com US$ 55,4 milhões em volume, e o de XRP alcançou cerca de US$ 58 milhões.
Essa diferença indica uma realidade estranha, com analistas apontando que ativos menos conhecidos têm dificuldade em movimentar o mercado. Os traders costumam trocar capital entre as altcoins rapidamente, o que dificulta a formação de uma base sólida de investidores em novos ativos. Além disso, muitos lançamentos recentes têm apresentado preços em queda, criando uma onda de ceticismo por parte de investidores institucionais.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para quem investe no Brasil, a performance inicial dos ETFs de SUI é um alerta sobre a liquidez. O mercado local muitas vezes demora a refletir as movimentações dos EUA, e a falta de interesse institucional lá fora significa que não há aquela pressão de compra que muitos especuladores esperavam.
Embora esses ETFs ainda não tenham chegado à B3, o desempenho deles pode influenciar diretamente o preço do token SUI nas corretoras brasileiras. A ausência de aportes institucionais torna o ativo mais vulnerável a oscilações influenciadas pelo varejo e pela economia em geral. É um lembrete de que nem toda aprovação de ETF resulta automaticamente em alta de preços. A situação se assemelha ao que ocorreu quando a Grayscale lançou outros produtos DeFi; o interesse regulatório nem sempre se traduz em volume financeiro imediato. Os investidores devem ficar atentos à conversão cambial (risco BRL/USD) e à liquidez ao montar suas posições.
Riscos e o que observar
Além da baixa negociação, há riscos técnicos que precisam ser observados. Em março de 2026, está previsto um grande desbloqueio de tokens, liberando cerca de 43,35 milhões de SUI no mercado. Com o baixo interesse demonstrado pelos ETFs, essa oferta adicional pode pressionar ainda mais os preços.
Analistas também estão notando uma diminuição no interesse em derivativos, sugerindo que especuladores estão se afastando do ativo. Será importante acompanhar se o volume dos ETFs melhora na primeira semana ou se eles se tornarão pouco relevantes, um verdadeiro “ETF zumbi”.





