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Meta considera integração de stablecoins em 2023; entenda os efeitos

A Meta, que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp, está pensando em integrar pagamentos com stablecoins nas suas plataformas ainda este ano. Essa decisão, segundo informações que surgiram, marca um retorno da empresa ao mundo das criptomoedas, mas desta vez, em vez de criar sua própria moeda, a Meta busca parcerias com outras empresas. O objetivo? Reduzir os custos de transação para seus bilhões de usuários.

Essa movimentação acontece em um momento em que o mercado de criptoativos está amadurecendo. As stablecoins, que são criptomoedas com valor atrelado a ativos reais, principalmente o dólar americano, estão se tornando cada vez mais relevantes para pagamentos. Diferente do projeto anterior, o Libra (que passou a se chamar Diem e acabou sendo encerrado), a Meta agora está mais focada em soluções já existentes, o que mostra uma abordagem mais realista e pragmática diante dos reguladores.

O que está por trás dessa movimentação?

Em termos simples, as stablecoins oferecem uma forma de criptomoeda que evita a volatilidade característica do Bitcoin, tornando-as mais adequadas para o dia a dia, como pagamentos comuns. Para a Meta, essa integração pode ajudar a derrubar as altas taxas bancárias que costumam afetar os pagamentos a criadores de conteúdo no Instagram e as transferências internacionais pelo WhatsApp.

Grande parte do interesse da Meta também vem de uma tendência maior no mercado: plataformas de tecnologia estão buscando formas de controlar e facilitar os fluxos financeiros. Recentemente, o X, de Elon Musk, anunciou planos de negociar criptomoedas e ações, tentando se posicionar como um “super app” financeiro.

Além da concorrência, o volume de transações em stablecoins é impressionante. Dados recentes mostram que essas criptomoedas já superaram US$ 1 trilhão em volume mensal, confirmando que a demanda por dólares digitais é uma realidade.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

As estratégias da Meta nesta nova abordagem fogem do que foi tentado no passado. Alguns pontos importantes incluem:

  • Parcerias terceirizadas: Ao invés de criar sua própria moeda, a Meta está buscando parcerias com empresas que já têm infraestrutura de pagamentos estabelecida.

  • Interação com a Stripe: Há conversas com a Stripe, uma gigante dos pagamentos, cujo CEO, Patrick Collison, está no conselho da Meta. A Stripe também está investindo em stablecoins.

  • Cronograma: A ideia é implementar essa mudança no segundo semestre deste ano, dependendo das negociações com os parceiros.

  • Foco em custos: O principal objetivo é otimizar pagamentos internacionais e a remuneração de criadores, áreas onde as taxas bancárias são bastante altas.

Um porta-voz da Meta esclareceu que, neste momento, não há uma stablecoin da Meta sendo desenvolvida, mas a empresa está interessada em integrar métodos que os usuários já preferem, o que pode incluir colaborações com empresas como a Circle (USDC) ou Tether (USDT).

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para quem investe no Brasil, essa mudança poderia ter um impacto significativo. O Brasil é um dos maiores mercados de WhatsApp e Instagram, e caso a integração seja feita através do WhatsApp Pay, milhões de brasileiros teriam acesso a dólares digitais (como USDT ou USDC) de forma rápida e prática, sem precisar se cadastrar em uma exchange.

Entretanto, essa nova facilidade também aponta para questões fiscais importantes. O Brasil já tem um olhar atento sobre criptoativos e a Receita Federal controla de perto as movimentações em stablecoins. O cenário fiscal está em constante mudança, e há até rumores de que o Brasil pode criar um imposto específico para essas transações, o que poderia aumentar os custos de uso dessas moedas na plataforma da Meta.

Riscos e o que observar

Embora a adoção em massa das stablecoins pareça animadora, o histórico da Meta pede cautela. Lembrando que o projeto Diem foi encerrado sob intensa pressão regulatória. Ao optar por parcerias externas, a Meta tenta reduzir esses riscos, mas ainda enfrenta a dificuldade de operar em diferentes jurisdições com legislações variadas.

Nos Estados Unidos, a regulação é um fator crucial. O debate em torno de como regular esses ativos ainda está quente, como demonstra a discussão sobre o CLARITY Act. Se novas leis forem aprovadas, podem impor restrições sobre como as empresas de tecnologia interagem com emissores de stablecoins, potencialmente atrasando ou limitando funcionalidades da wallet da Meta.

A Meta parece ter aprendido com as experiências passadas e, pela nova direção, se apresenta disposta a colar no setor financeiro, ao invés de tentar sobrepor-se a ele. Agora, o que os observadores do mercado aguardam nos próximos meses é a confirmação oficial de parcerias importantes, que poderiam validar o uso de stablecoins em uma escala sem precedentes.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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