Bitcoin recua 3% com novo dado de inflação sobre juros do Fed
O Bitcoin (BTC) teve uma queda significativa esta semana, sendo negociado por cerca de US$ 65.700, ou aproximadamente R$ 374.500. Essa movimentação acontece depois que dados de inflação nos Estados Unidos surpreenderam o mercado, trazendo um clima de desânimo para muitos investidores. A queda de 3% reflete claramente a preocupação com o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de janeiro, que ficou acima do que se esperava. Isso gerou preocupações sobre possíveis cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve em um futuro próximo.
Com essa volatilidade e tendo deixado para trás o topo histórico alcançado em 2025, a pergunta é: estamos diante de uma correção normal em um mercado em alta ou o Bitcoin está refletindo um cenário econômico mais difícil para ativos de risco em 2026?
O que está acontecendo?
Resumindo, o receio em relação à inflação voltou a se intensificar, afetando diretamente os custos do dinheiro. O PPI de janeiro aumentou 0,4%, superando as previsões. Esse dado é fundamental, pois é um indicador antecipado da inflação que chega ao consumidor. Quando os preços sobem nas fábricas, o Fed tende a manter os juros altos por mais tempo, o que dificulta o crescimento econômico e aumenta a pressão sobre os preços.
Um fator que mudou o cenário foi um aumento robusto no setor de serviços, que fez o mercado reconsiderar suas apostas. Antes, muitos acreditavam que os juros poderiam ser cortados em breve; agora, essa expectativa se tornou mais incerta. O Bitcoin, que está fortemente correlacionado à Nasdaq, sente o impacto dessas mudanças rapidamente. Os sinais de que o dinheiro continuará “caro” drenam a liquidez das criptomoedas, levando investidores a realizar lucros e a reduzir riscos.
Com essa leitura de inflação “quente”, a incerteza pode persistir até a próxima divulgação dos dados, prevista para meados de março. Isso torna o preço do BTC dependente das notícias macroeconômicas.
Dados e suas implicações
As influências no mercado de derivativos foram quase instantâneas. O CME FedWatch Tool, que monitora as apostas sobre a taxa de juros americana, mostrou uma mudança nas probabilidades, afastando a esperança de alívio monetário imediato. Para os traders, isso significa que o Bitcoin perdeu temporariamente um importante combustível para sua valorização.
Aqui estão alguns números chave:
- Suporte imediato: US$ 65.000 (R$ 370.500) – Identificado como “O Estômago de Aço”. Se essa faixa for quebrada, há risco de ordens de venda automáticas e a queda pode se acentuar.
- Resistência principal: US$ 68.400 (R$ 389.900) – Chamado de “O Teto de Vidro”. Esse nível foi um ponto de estabilização anteriormente; recuperá-lo é crucial para o otimismo no mercado.
- Nível crítico: US$ 60.062 (R$ 342.300) – Conhecido como “Linha na Areia”. Esse foi um fundo testado recentemente em fevereiro; se o preço cair abaixo desse patamar, a recuperação a curto prazo poderá estar comprometida.
Além das faixas de preço, indicadores como o RSI (Índice de Força Relativa) apontam que a pressão vendedora ainda predomina. No entanto, não chegou a um nível extremo de “sobrevenda” que determine uma recuperação imediata. A política monetária do Fed continuará a ser determinante: enquanto a inflação não mostrar sinais de arrefecimento, qualquer alta do Bitcoin enfrentará resistência significativa de vendedores que buscam minimizar riscos.
Como isso impacta o investidor brasileiro?
Para os investidores brasileiros, é hora de redobrar a cautela. A combinação de um dólar instável com a queda dos ativos globais amplia o risco, especialmente para quem opera alavancado. Tentar acertar o fundo exato dessa correção pode ser arriscado e já custou caro para muitos traders neste início de ano. O ambiente não favorece a exposição excessiva a futuros, pois novas surpresas nos dados dos EUA podem causar oscilações bruscas nas transações em reais.
Uma estratégia mais segura, recomendada por profissionais experientes, é o DCA (custo médio). Com o Bitcoin por volta de R$ 374.000 e os riscos de queda, realizar compras fracionadas ajuda a suavizar o preço de entrada, sem expor todo o capital a uma única variação de preço. Além disso, é crucial acompanhar a liquidez nas exchanges brasileiras, já que momentos de “medo extremo” podem gerar oportunidades de arbitragem, mas também aumentam os spreads (diferença entre compra e venda).
Em síntese, o mercado de criptomoedas está em um modo de espera. O dado de inflação maior que o esperado trouxe uma nova realidade para os investidores, lembrando que a batalha contra a inflação ainda não acabou. A próxima data importante é 18 de março, quando novos dados de PPI serão divulgados. Se a inflação continuar alta, é provável que o teste nos US$ 60.000 aconteça; por outro lado, se os dados indicarem alívio, a recuperação dos US$ 70.000 pode ser novamente uma possibilidade.





