Empresa admite lucro com escaneamento sem informar usuários, diz Paschoal
A vereadora Janaina Paschoal (PP) levantou um importante alerta sobre a empresa que está por trás do projeto World ID, responsável pela distribuição da criptomoeda Worldcoin entre os brasileiros. Segundo ela, há interesses comerciais ocultos e um lucro disfarçado na coleta de dados biométricos dos cidadãos. Essa declaração foi central no encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris, que aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo na terça-feira (24).
A presidente da comissão expressou sua preocupação sobre o risco de quebra de sigilo no futuro e criticou a falta de clareza que a empresa tem demonstrado com os usuários do sistema. Esse tipo de transparência é fundamental, especialmente em temas que envolvem dados pessoais e privacidade.
Durante essa última reunião, a comitiva ouviu novamente Rodrigo Tozzi, chefe de operações da Tools For Humanity no Brasil, a empresa que está liderando o projeto de escaneamento da íris em várias localidades do país. Tozzi já havia estado nas audiências em agosto do ano passado, onde garantiu que não há armazenamento de dados pessoais dos cadastrados. A empresa alega que armazena apenas códigos criptografados em servidores de universidades parceiras, mas os argumentos dele foram contestados pela comissão.
Janaina e os demais parlamentares questionaram o verdadeiro intuito da operação da empresa no Brasil. A insatisfação surgiu especialmente após relatos de testemunhas que afirmaram que a Tools For Humanity havia apresentado suas tecnologias em vários órgãos do governo. A vereadora indagou por que essas reuniões estavam ocorrendo caso a intenção da empresa fosse apenas tecnológica, sem interesse em vender serviços e produtos.
Tozzi se defendeu, dizendo que as visitas eram meramente institucionais, focadas em compartilhar informações técnicas. No entanto, a relatora da investigação, Ely Teruel (MDB), questionou a estrutura de negócios deles no Brasil. Ela wanted to know sobre quem assumiiria a responsabilidade legal em caso de problemas com a coleta de biometria. O executivo justificou que a terceirização é um modelo adotado globalmente, mas não soube explicar as responsabilidades legais em relação à Justiça brasileira.
Além disso, a reunião pretendia contar com a presença de Anna Carvalhido, a chefe de políticas públicas da empresa, mas ela não compareceu devido a problemas de saúde. A ausência dela deixou os parlamentares sem as respostas que buscavam.
Terceirização e falta de respostas legais
Ely Teruel também levanta questões sobre a terceirização dos serviços de coleta de dados biométricos. Ela indagou sobre quem ficaria responsável legalmente por eventuais falhas de segurança. Tozzi defendeu que a terceirização é uma prática comum, mas lhe faltou clareza sobre as obrigações da companhia no Brasil.
A ausência de Carvalhido na reunião, que era esperada para prestar esclarecimentos, também gerou descontentamento. O encontro contou com a participação de outros vereadores, mas a falta de respostas se tornou evidente.
Balanço da presidência na CPI da Íris contra a Tools for Humanity no Brasil
Ao final do dia, Janaina Paschoal fez um balanço do que foi apurado na comissão. Ela destacou as contradições entre as declarações da empresa e os fatos levantados pelos vereadores. Um ponto importante que chamou a atenção da presidente foi a confissão de que a empresa pode, sim, lucrar com o escaneamento biometricos.
Ela afirmou que foi confirmado o interesse comercial da companhia na coleta de dados. “As pessoas não foram informadas sobre esse interesse comercial. E mesmo que a empresa afirme que não é possível reverter a anonimização dos dados, eles mesmos reconheceram que futuramente, alguém pode encontrar uma forma de driblar isso”, disse Janaina.
A investigação sobre a coleta de dados em troca de moedas digitais continua, com os vereadores tentando entender o que acontece com os registros de muitas pessoas que estão em situação vulnerável e que cederam seus dados à empresa estrangeira.





