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Revolut busca licença bancária nos EUA para ampliar cripto

A fintech britânica Revolut está dando um passo ousado nos Estados Unidos. Recentemente, protocolou um pedido para conseguir uma licença bancária independente. Isso significa que a empresa quer operar por conta própria, em vez de depender de bancos parceiros como fazia antes. Essa mudança de estratégia visa melhorar sua atuação no mercado de criptoativos, potencialmente um dos maiores do mundo.

Esse movimento marca uma nova fase para a Revolut, que acabou de completar uma venda de ações avaliada em US$ 75 bilhões, o que a solidifica como uma das fintechs mais valiosas da Europa. Ao buscar essa nova licença, a Revolut parece estar confiando em um ambiente regulatório que pode ser mais favorável, além de mostrar ambição de competir diretamente com os grandes bancos locais.

A Revolut já tinha uma aprovação condicional para sua licença bancária no Reino Unido e começou suas operações bancárias no México. Essa expansão global tem como foco aumentar a competição com fintechs como o Nubank. Nos EUA, a empresa trabalhava com bancos terceiros, o que limitava suas margens de lucro e agilidade no lançamento de produtos, especialmente os focados em criptomoedas.

Contexto do mercado

A solicitação da Revolut é parte de uma tendência maior que envolve fintechs e neobanks buscando se firmar no mercado. A administração Biden, embora tenha sido rigorosa quanto às regulações, também mostra sinais de abertura. O número crescente de pedidos de licença bancária sugere que o setor está se preparando para um ambiente mais acolhedor. Recentemente, outras fintechs, como a Payoneer, também buscaram esse tipo de licença, tentando capturar a receita que deixaram com os parceiros bancários.

O que está por trás dessa movimentação?

Para entender melhor, imagine que a Revolut está como uma empresa que depende de caminhões alugados para entregar serviços aos seus clientes. Agora, ao pedir sua licença própria, ela quer construir sua própria frota e ter acesso direto às estradas, sem depender dos concorrentes. Com essa autonomia, ela poderá ficar com uma fatia maior dos lucros quando os clientes depositam seus fundos. Isso significa mais flexibilidade para oferecer melhores taxas de rendimento e produtos de crédito acessíveis.

Além disso, com a licença bancária, a Revolut poderá operar de forma mais eficiente e menos onerosa, especialmente nas transações de criptomoedas. Bancos tradicionais costumam ser avessos a esse tipo de operação, impondo várias restrições. Por ser um banco digital e amigável ao setor cripto, a Revolut terá a chance de integrar essas moedas com mais facilidade ao sistema financeiro convencional.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

A estratégia da Revolut é robusta. Aqui estão alguns pontos que sustentam essa movimentação:

  • Investimento significativo: A empresa destinou cerca de US$ 500 milhões para se expandir e se adequar às regras regulatórias nos EUA. Este é um pedaço de um total global de US$ 13 bilhões previsto para os próximos anos.

  • Demanda crescente: No ano passado, houve 14 pedidos de licença bancária nos EUA, praticamente igualando o total dos quatro anos anteriores. Isso mostra que o interesse pelo banco próprio está aumentando.

  • Nova liderança: Para liderar essa fase, a Revolut nomeou Cetin Duransoy, um ex-executivo da Visa. Sua experiência será importante para navegar pelas complexidades do setor.

  • Competição direta: O rival Nubank já recebeu aprovação condicionada do OCC para sua filial americana, criando um precedente que aumenta a pressão sobre a Revolut.

  • Mudanças globais: Com reguladores cada vez mais atentos, ter uma licença bancária pode ser uma vantagem decisiva para a Revolut, permitindo uma operação mais alinhada às novas regras.

Riscos e o que observar

Um dos principais riscos é a burocracia do processo de aprovação de licenças, que pode ser demorada e custosa. Mesmo que o ambiente pareça mais propício, o OCC e o FDIC têm critérios rigorosos para conceder a autonomia, especialmente para empresas que lidam com criptomoedas. Se o pedido for negado ou se houver exigências de capital muito altas, isso pode dificultar a expansão da Revolut.

É importante acompanhar a evolução desse pedido nos próximos meses. Se a Revolut conseguir a aprovação rapidamente, isso pode indicar uma tendência de abertura regulatória nos EUA, beneficiando todo o setor de criptoativos e potencialmente impactando positivamente ações de fintechs.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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