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Fatores que influenciam a alta dos preços

A Ripple fechou o primeiro trimestre de 2026 com algumas novidades interessantes. A empresa viu sua receita de prime brokerage triplicar, sua avaliação chegou a incríveis US$ 50 bilhões (cerca de R$ 290 bilhões) e o total de pagamentos processados ultrapassou US$ 100 bilhões. No entanto, parece que as coisas não estão tão boas para o XRP, que sofreu uma queda de 23,7%, sendo negociado a cerca de US$ 1,34 (aproximadamente R$ 7,77). Esse foi um trimestre recorde para a Ripple, mas, curiosamente, um dos piores para sua criptomoeda.

Muitas pessoas no mercado estão se perguntando: será que essa diferença entre o sucesso da Ripple e a queda do XRP é apenas uma fase passageira, ou estamos vendo uma desconexão real entre a empresa e o token? Essa questão se tornará cada vez mais relevante com os dados que vêm à tona.

O que está por trás das movimentações?

Para entender melhor, vamos usar um exemplo simples. Pense na Ambev: mesmo se a empresa registra lucros altíssimos e investe em novas fábricas, isso não significa que o preço da cevada no mercado aumentará automaticamente. A cevada tem seu próprio ciclo de oferta e demanda, e vários fatores podem influenciar o seu preço, independentemente da saúde financeira da cervejaria. O XRP funciona de forma semelhante: é um insumo usado no sistema da Ripple, mas não é uma ação dela.

A Ripple é uma empresa privada avaliada em US$ 50 bilhões, e suas ações não estão abertas para compra. Toda a receita da Ripple Prime, a divisão de prime brokerage, fica dentro da companhia. Isso significa que o XRP não dá ao investidor direito a lucros ou dividendos. Então, mesmo que a Ripple anuncie um trimestre recorde, isso não traz nenhum benefício direto para quem possui XRP.

Como analisamos antes, a queda do XRP se deve mais às dinâmicas de mercado – como a pressão vendedora e a movimentação de ordens – do que aos fundamentos da Ripple. Essa situação já vem se evidenciando, mas agora, no primeiro trimestre de 2026, fica ainda mais clara.

Principais dados e fundamentos

  • US$ 50 bilhões (aprox. R$ 290 bilhões) – “A Empresa Invisível”: A Ripple alcançou essa avaliação em março após a recompra de ações de US$ 750 milhões, um salto significativo, já que a empresa ficou mais valiosa enquanto o mercado cripto caía. Mas, atenção: nenhum centavo disso vai para quem tem XRP.
  • Receita triplicada – “O Motor Silencioso”: A divisão de prime brokerage da Ripple processa cerca de US$ 3 trilhões por ano. O crescimento é ótimo para a empresa, mas não afeta diretamente o XRP.
  • US$ 1,56 bilhão (aprox. R$ 9 bilhões) – “O Concorrente Interno”: A stablecoin RLUSD, lançada pela Ripple em 2024, já tem uma capitalização de mercado significativa. Isso pode diminuir a demanda por XRP nas transações institucionais.
  • 1 bilhão de XRP – “A Torneira Mensal”: Em abril de 2026, a Ripple deve liberar mais 1 bilhão de XRP do seu escrow. Historicamente, uma grande parte desse montante é re-bloqueada, mas isso ainda gera uma pressão no preço.
  • Queda de 23,7% no Q1 – “A Divergência Máxima”: Enquanto o XRP caiu, o mercado mais amplo perdeu entre 30% e 40% de valor, mostrando que o token está sob pressão, mesmo com notícias positivas.

Esses números mostram uma empresa em crescimento, enquanto o XRP parece estar se distanciando dessa valorização. Essa situação parece consolidar uma separação que o mercado ainda não conseguiu digerir totalmente.

Como isso muda o mercado?

A ascensão do XRP como uma das principais criptomoedas ajudou a criar uma expectativa de que o crescimento da Ripple se refletiria em sua moeda. No entanto, o que se observa agora é que investidores institucionais estão utilizando a infraestrutura da Ripple sem precisar realmente do XRP.

Uma pesquisa recente com líderes financeiros mostrou que 74% deles já usam stablecoins para gerenciar o fluxo de caixa. Essas stablecoins, por definição, não são XRP. Assim, se grandes empresas estão se movendo rapidamente e economizando tempo usando a infraestrutura da Ripple, não há incentivo direto para elas segurarem XRP.

Além disso, a Ripple se destacou por valorizar sua equity sem uma oferta pública. Isso significa que muitos investidores podem estar encontrando maneiras de se expor à empresa sem precisar do token. Para o XRP, isso resulta em um mercado onde a narrativa de adoção institucional não se traduz em investimentos diretos na moeda.

Quais níveis técnicos devemos observar?

  • US$ 1,20 (aprox. R$ 6,96) – “O Piso de Concreto”: Um nível importante de suporte. Se perder esse patamar com fechamentos diários, a pressão pode aumentar ainda mais.
  • US$ 1,55 (aprox. R$ 8,99) – “O Teto de Vidro”: Aqui temos uma resistência interessante. A passagem acima desse nível vai precisar de uma confirmação.
  • US$ 1,34 (aprox. R$ 7,77) – “A Trincheira Atual”: O preço atual de negociação. Sem suporte forte, o futuro é incerto aqui.
  • US$ 2,00 (aprox. R$ 11,60) – “O Alçapão Psicológico”: Um nível marcante. A distância até ele mostra como o preço ficou abaixo das expectativas.

Como sempre, o volume de negociações será crucial. Recuperações de preço sem volume significativo devem ser vistas com cautela.

Impacto para o investidor brasileiro

Para o investidor no Brasil, o cenário é um pouco mais complicado. O XRP caiu 23,7% em dólares, mas a pressão cambial também impactou o real. Assim, dependendo do momento da compra e da venda, o prejuízo pode ser maior ou menor. Comprar XRP por US$ 2,00 com dólar a R$ 5,60 significava R$ 11,20 por token. Agora, ao preço de US$ 1,34 com dólar a R$ 5,80, isso dá R$ 7,77, resultando em uma perda de 30,6% em reais.

As principais exchanges brasileiras, como Mercado Bitcoin e Binance, operam com spreads que podem aumentar em momentos de tensão no mercado. Em grandes quedas, esses spreads podem penalizar quem precisa vender rapidamente. É bom sempre ficar atento à profundidade das ordens antes de executar uma.

Na parte fiscal, as regras aplicáveis ao XRP são as mesmas para outros criptoativos. Vale lembrar que transações acima de R$ 30.000 precisam ser declaradas. A isenção de imposto sobre ganhos de capital vale apenas para vendas totais abaixo de R$ 35.000 no mês.

Uma recomendação prática para o momento é evitar aumentar a exposição com risco elevado enquanto os preços estiverem abaixo de US$ 1,55. Para quem já está investindo, uma estratégia de aportes mensais pode ser útil para reduzir riscos.

Riscos a serem observados

  • “O Gotejamento do Escrow”: A liberação mensal do escrow pode aumentar a pressão excessiva. Mesmo que uma parte seja re-bloqueada, uma quantidade significativa entra em circulação.
  • “A Canibalização Interna”: O crescimento da RLUSD pode impactar diretamente o XRP, tornando sua utilidade como meio de liquidação menos atraente.
  • “O Fantasma Regulatório”: Mudanças no cenário regulatório, especialmente nos EUA, podem afetar a confiança dos investidores.
  • “A Correlação de Mercado”: O XRP se comporta de maneira similar ao Bitcoin em tempos de crise. Se o Bitcoin cair, o XRP pode seguir o mesmo caminho.

Um ponto crucial a ser acompanhado nas próximas semanas será o desbloqueio do escrow e as movimentações em relação ao CLARITY Act nos Estados Unidos. Se a maior parte dos XRP for re-bloqueada, isso pode criar um suporte mais robusto e facilitar uma recuperação; caso contrário, a tendência negativa poderá persistir.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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