Volatilidade das criptomoedas é parte do processo de valor
As criptomoedas frequentemente recebem críticas por sua volatilidade, que é vista como um sinal de que o mercado é irregular, com bolhas e esquemas. Mas essa ideia não é bem assim. Na verdade, a volatilidade é uma parte essencial da descoberta de valor nesse espaço. Ela ajuda a transformar informações diferentes em dados que podem ser utilizados.
Quando falamos de preços, eles refletem expectativas e preferências das pessoas. Sem essa movimentação, o cálculo econômico e a valoração do que está sendo negociado se tornam praticamente impossíveis. Isso é especialmente importante no contexto do que o economista Ludwig von Mises chama de “cálculo econômico”, onde as preferências e decisões dos indivíduos nos ajudam a entender como estamos utilizando recursos, como tempo e dinheiro.
Outro grande nome da economia, Friedrich Hayek, trouxe a ideia de que as informações estão espalhadas pela sociedade. Ninguém tem acesso a tudo, e é exatamente o preço que coordena esses diversos planos de uma maneira natural. Os pensadores clássicos da economia já falavam sobre como ajustes de oferta e demanda ajudam a regular o mercado. Quando alguma mudança acontece, os preços se ajustam para que tudo se reequilibre.
Vamos pensar em um exemplo prático: se a utilidade de um produto muda, ou se os custos sobem, isso acaba impactando o preço. É um ciclo contínuo, sempre em movimento. O mesmo acontece com as criptomoedas. Elas estão sempre em fases de tentativa e erro, e a volatilidade é parte desse aprendizado coletivo.
Valoração e valorização são conceitos diferentes: valoração é atribuir um valor, enquanto valorização é simplesmente o aumento de preço. Criptomoedas, como o Bitcoin, precisam passar por uma ampla oscilação para que diferentes hipóteses sobre seu valor sejam testadas. Com o tempo, espera-se que essa volatilidade diminua, mas não desapareça, pois o mercado precisa de espaço para se ajustar.
Um outro ponto a se destacar é que o comportamento de moedas tradicionais, como os governos costumam manipulá-las, também contribui para a instabilidade no mercado de criptoativos. Intervenções, mudanças nas taxas de juros e outras políticas interferem nas oscilações de preços, e isso pode confundir quem está olhando os gráficos.
Ao contrário das moedas tradicionais, o Bitcoin tem regras claras que tornam mais difícil a manipulação. Mesmo assim, ainda há incertezas a serem resolvidas sobre seu uso, tecnologia e regulamentação. E é aí que a volatilidade entra novamente, ajudando no processo de valoração com as informações que traz.
Quando a “régua” do mercado se estabiliza, surgem os investimentos não produtivos, e correções de preço aparecem. Isso é um reflexo do mercado ajustando planos ruins e recompensando os bem-sucedidos. A volatilidade, assim, não é algo negativo; ela faz parte da dinâmica de um mercado livre. E é importante entender que existem diferentes tipos de riscos: tecnológicos, de custódia e regulatórios. No entanto, a volatilidade também pode ser uma forma de troca entre a incerteza que se enfrenta e o retorno que se pode alcançar.
Com o passar do tempo e à medida que o mercado de criptoativos se desenvolve, espera-se que a informação acumulada, juntamente com uma infraestrutura melhor e maior liquidez, ajudem a diminuir uma parte dessa volatilidade. Menos espaço para narrativas incertas e mais foco em fundamentos e fluxo de mercado.
Em resumo, sem volatilidade, não há como fazer uma valoração legítima. Portanto, para ativos jovens como as criptos, é normal que haja oscilações intensas. À medida que se tornam mais maduros, a volatilidade tende a se conter. O que importa é que esse movimento acaba sendo a forma mais eficaz de transmitir informações no mercado. E quem compreende isso não teme a volatilidade, mas a utiliza como ferramenta para entender os preços e conquistar resultados por meio de paciência e disciplina.





