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Google revela estudo sobre riscos quânticos para 2,3 milhões de bitcoins

O Google divulgou um documento de 57 páginas que trata sobre os riscos que computadores quânticos representam para criptomoedas que utilizam curvas elípticas, como o Bitcoin e o Ethereum. O estudo também menciona outros projetos e tokens, como o USDT e o USDC. Dividido em nove capítulos, o documento busca entender o problema e apresentá algumas soluções.

Um dado alarmante é que 2,3 milhões de bitcoins, que estão avaliados em aproximadamente US$ 153,5 bilhões, são considerados perdidos. Isso significa que esses bitcoins não podem ser transferidos para endereços que sejam resistentes à tecnologia quântica.

Computadores quânticos e seus desafios

Na introdução do estudo, os pesquisadores afirmam que uma curva elíptica de 256 bits pode ser quebrada por um computador quântico com 1200 qubits lógicos e cerca de 90 milhões de portas Toffoli. Atualmente, os computadores mais avançados têm mais de mil qubits físicos, mas a conversão para qubits lógicos ainda é um desafio. Para gerar os 1200 qubits lógicos necessários, seriam necessários cerca de meio milhão de qubits físicos.

As portas Toffoli, fundamentais para esses cálculos, também são complexas e ainda estão em desenvolvimento. A boa notícia é que essa ameaça parece distante, mas os avanços na computação são rápidos e, hoje, as criptomoedas somam US$ 2,3 trilhões de mercado.

Três tipos de ataques que podem ocorrer

O estudo do Google detalha três tipos de ataques que computadores quânticos podem realizar:

  1. Ataques em gastos (curto alcance): Durante a propagação de uma transação, um usuário expõe sua chave pública, o que dá aos computadores quânticos um tempo limitado para descobrir a chave privada e realizar um gasto duplo.

  2. Ataques em repouso (longo alcance): Algumas chaves públicas já estão expostas, podendo ser atacadas com tempo indeterminado, uma vez que essas chaves podem ser antigas ou reutilizadas.

  3. Ataques na configuração: Esse tipo busca quebrar a segurança de um protocolo de uma vez, sendo o mais complicado dos três.

Bitcoin e suas vulnerabilidades

No que diz respeito ao Bitcoin, os endereços usam diferentes tipos de scripts, sendo o P2PK o mais vulnerável, pois revela a chave pública. O estudo aponta que mais de 1,7 milhão de bitcoins (cerca de 9% do total) estão garantidos por scripts P2PK, o que aumenta a preocupação com a segurança.

Embora seja possível transferir esses bitcoins para endereços mais seguros, muitos desses estão em mãos de Satoshi Nakamoto e de outros que não podem ser acessados, o que impossibilita essa migração.

Mineração e sua segurança

A mineração de Bitcoin, que usa Proof-of-Work, não está sob ameaça imediata de ataques quânticos. Segundo o estudo, o potencial de computadores quânticos para afetar a mineração é uma preocupação a longo prazo. No entanto, se bitcoins dormentes começarem a ser roubados, isso poderia impactar o preço da criptomoeda, resultando em um efeito dominó que diminuiria as recompensas dos mineradores e enfraqueceria a segurança da rede.

Impactos e preocupações com o Ethereum

Os pesquisadores também analisaram o Ethereum e destacaram que, ao contrário do Bitcoin, ele utiliza um sistema de conta com saldo (account-based), onde a chave pública é exposta após o primeiro uso. Isso significa que qualquer criptomoeda ou token na rede Ethereum, como USDT e USDC, também enfrenta riscos.

O estudo menciona que grandes carteiras de Ethereum estão em risco, o que pode afetar não apenas esses ativos, mas também a segurança do valor de mercado da plataforma que ultrapassa US$ 245 bilhões.

O que pode ser feito?

O Google sugere que outras criptomoedas, incluindo clones como Bitcoin Cash e Litecoin, também estão vulneráveis. Uma das medidas recomendadas é a implementação de endereços resistentes a ataques quânticos.

Entre as abordagens para o Bitcoin, estão:

  1. Não fazer nada: Aceitar que moedas dormentes possam ser roubadas.

  2. Queimar: Estabelecer uma data para migração. Após isso, os bitcoins não movimentados ficariam inacessíveis.

  3. Hourglass (Ampulheta): Limitar a movimentação de bitcoins dormentes em um período específico.

Embora não haja um consenso sobre a melhor medida a ser tomada, o importante é que os desenvolvedores estejam atentos para proteger as criptomoedas diante da evolução da tecnologia quântica. O alerta é claro: a pesquisa do Google mostra que a ascensão da computação quântica é uma ameaça real e próxima, destacando que não se trata de um problema apenas para chaves inativas, mas sim um risco que pode afetar transações ativas nos próximos anos.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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