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Dados on-chain: o que revelam sobre o mercado?

O Ethereum (ETH) está em alta, agora negociado a US$ 2.250, o que dá cerca de R$ 13.500. Nos últimos dias, o valor subiu mais de 6%, graças, em parte, a um alívio nas tensões geopolíticas, especialmente com o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, o que realmente chama a atenção é o comportamento das chamadas “baleias” — grandes investidores que estão acumulando ETH em massa. Ultimamente, essas carteiras, que possuem entre 10.000 a 100.000 ETH, adicionaram cerca de 230.000 ETH (ou R$ 3,1 bilhões) em apenas alguns dias.

Um exemplo curioso é de um único endereço que acumulou 50.537 ETH em um dia, um investimento de US$ 162 milhões (por volta de R$ 972 milhões). Essa retirada de ETH das exchanges está deixando o mercado mais apertado, o que, por sua vez, aumenta a pressão de compra e torna mais difícil encontrar disponíveis para venda.

O que está por trás dessa movimentação?

Vamos fazer uma analogia simples: pense no Ceagesp, o grande centro de abastecimento em São Paulo. Quando grandes atacadistas começam a retirar mercadorias, a disponibilidade no mercado diminui. O mesmo acontece com o Ethereum. As carteiras grandes estão retirando ETH das exchanges e movendo para carteiras frias ou contratos de staking, o que reduz a liquidez no mercado de prontidão.

Esse fenômeno é chamado de compressão de oferta líquida. Quando grandes carteiras retiram ETH das plataformas, o livro de ordens fica mais raso. Isso significa que qualquer compra significativa pode aumentar o preço de forma desproporcional. Os analistas têm mencionado um padrão de “compra explosiva”, mostrando que investidores sofisticados estão se movimentando em várias plataformas para não causar grandes oscilações nos preços.

O que os dados on-chain revelam?

  • Acumulação de Baleias (10K–100K ETH): Essas grandes carteiras adicionaram 230.000 ETH recentemente, enquanto as carteiras menores mantiveram seus saldos. A diferença mostra que aqueles com mais informação e capital estão comprando, enquanto os menos confiantes não estão vendendo.

  • Volume de Compra Institucional: Compras superiores a 1,13 milhão de ETH foram realizadas nas últimas semanas. Um único investidor recebeu 12.000 ETH da Galaxy Digital, agora totalizando 112.972 ETH em seu portfólio.

  • Saída de Exchanges: O volume de negociação do ETH subiu para US$ 2,6 bilhões. Quando o volume sobe enquanto os saldos nas exchanges caem, isso indica que as compras estão sendo realizadas e os ativos estão saindo do mercado.

  • Dominância do ETH: O Ethereum conquistou uma dominância de 12,03% no mercado de criptomoedas, sinalizando um fluxo de capital ao ETH, e não apenas uma alta geral dos ativos.

  • Dados Derivativos: Os contratos de futuros mantêm uma taxa de financiamento positiva, mas moderada. Isso sugere um otimismo cauteloso no mercado.

O que muda na estrutura do mercado?

A magnitude da acumulação, que soma mais de US$ 375 milhões em uma única semana, é mais do que apenas uma flutuação de preço. Grandes volumes de ETH estão migrando para carteiras de longo prazo, tornando o mercado mais sensível a mudanças na demanda. Um interesse institucional maior agora impacta o preço de forma mais significativa.

Além disso, o ETH é uma das principais garantias no sistema DeFi. Com menos oferta disponível, a capacidade de colateralização dos usuários em protocolos como Aave e MakerDAO aumenta, incentivando mais liquidez e demanda por ETH.

Quais níveis técnicos importam agora?

  • US$ 2.050 (aprox. R$ 12.300): Esse é um piso de suporte onde as instituições têm mostrado força compradora. Se perder esse nível, pode abrir espaço para quedas maiores.

  • US$ 2.250–2.300 (aprox. R$ 13.500–13.800): O teto de resistência atual. Um fechamento diário acima de US$ 2.300 pode dar início a uma nova alta.

  • US$ 2.550–2.600 (aprox. R$ 15.300–15.600): Uma zona onde muitos ordens estão concentradas. Se o fluxo institucional continuar, essa pode ser a direção para as próximas quatro a oito semanas.

  • US$ 1.850 (aprox. R$ 11.100): Um nível alarmante. Se o ETH cair para esse patamar com volume, a narrativa de acumulação pode entrar em colapso.

  • US$ 2.800–3.000 (aprox. R$ 16.800–18.000): Um alvo potencial de médio prazo, especialmente se as atualizações de escalabilidade progridem.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Efeito BRL: O investidor brasileiro deve ficar atento à variação cambial. Com o ETH a US$ 2.250 e o dólar a cerca de R$ 6,00, uma alta no ETH pode não se traduzir em um ganho real em reais, dependendo de como o câmbio se comporta. Por exemplo, se o ETH subir 10% em dólares, mas o real também se valorizar, o ganho em reais pode ser menor.

Acesso às plataformas: Para quem quer investir diretamente no ETH, as principais exchanges operando no Brasil incluem Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil. Existem também ETFs como ETHE11 e QETH11 na B3, que oferecem uma maneira segura de investir sem a necessidade de custodiar criptomoedas.

Nota tributária: Os ganhos com ETH são tributados como ativos financeiros. No Brasil, vendas de até R$ 35.000 são isentas de IR, mas acima disso, a alíquota varia de 15% a 22,5%. O controlador deve manter um registro detalhado dos custos, especialmente se trabalhar com ETFs.

Estratégia recomendada: Para quem pensa a longo prazo, uma estratégia de DCA (custo médio em dólar) é recomendada. Isso significa fazer compras regulares em reais, independentemente do preço do ETH. Tentar “pegar” o preço mais baixo pode ser arriscado e desastroso.

Riscos e o que observar

  • ‘O Espelho do Bitcoin’: O ETH é muito correlacionado ao Bitcoin, especialmente em momentos de estresse no mercado. Se o BTC cair, é provável que o ETH siga o mesmo caminho, independentemente de seus fundamentos.

  • ‘A Cascata DeFi’: Se o ETH cair abaixo de US$ 2.050, as posições alavancadas em DeFi podem ser liquidadas, amplificando as quedas. Fique de olho na saúde das colaterais em plataformas como Aave.

  • ‘A Distribuição Disfarçada’: Historicamente, baleias acumulam antes de vender em um evento positivo. Se as baleias começarem a vender pouco antes de um anúncio de upgrade, isso pode ser um sinal preocupante.

  • ‘O Câmbio Traidor’: Para o investidor brasileiro, uma valorização do real pode reduzir os ganhos, mesmo com o ETH em alta. Acompanhe o comportamento do câmbio.

  • ‘A Inversão das Exchanges’: Se os saldos de ETH nas exchanges começarem a subir, isso pode ser um sinal de distribuição. É bom ficar atento a qualquer aumento consistente nos saldos.

O cenário se desdobra em duas frentes: sustentar o suporte de US$ 2.050 ou romper com volume o teto de US$ 2.300. Manter a acumulação institucional nas próximas semanas será fundamental.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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