21Shares lança ETF de Hyperliquid e busca listagem na Nasdaq
A 21Shares está dando um passo importante na sua jornada ao protocolar uma segunda emenda para o registro do seu ETF de Hyperliquid na SEC. O objetivo? Listar o fundo na Nasdaq com o ticker THYP. Esse movimento indica que a análise regulatória saiu do campo das especulações e entrou numa fase de revisão mais concreta. Para apoiar esse projeto, a gestora planeja comprar 20.000 cotas do trust a US$ 25 cada (cerca de R$ 142,50 no câmbio atual), totalizando um fundo inicial de US$ 500.000 (aproximadamente R$ 2,85 milhões) para adquirir tokens HYPE antes da listagem oficial.
O fundo propõe um modelo interessante: alocar entre 30% e 70% dos ativos em staking, além de oferecer uma exposição direta ao preço dos tokens. Isso difere do tradicional ETF spot de Bitcoin ou Ethereum, que não utiliza essa estratégia. Agora, a grande pergunta que circula entre os operadores é se a aprovação do THYP será o passo definitivo que mostrará que a SEC está disposta a abrir o mercado americano de ETFs cripto para altcoins, ou se enfrentará um ciclo interminável de emendas, como já aconteceu anteriormente.
Contexto do mercado
A 21Shares tem uma longa história no mundo dos criptoativos, sendo uma das pioneiras na oferta de ETFs na Europa. Com sede em Zurique, a empresa ganhou notoriedade ao lançar em agosto de 2025 um ETP de Hyperliquid na Suíça, que arrecadou cerca de €30 milhões (em torno de R$ 180 milhões). Embora esse valor seja modesto em comparação aos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos, demonstra que existe um interesse institucional genuíno pelo token HYPE.
O pedido do ETF nos EUA é um salto significativo: transformar um produto disponível para investidores europeus em uma opção para corretoras americanas e o mercado varejista no Brasil. A situação atual é favorável para novos produtos além do Bitcoin, e a segunda emenda do pedido da 21Shares é uma prova concreta de que a SEC está realmente envolvida nesse processo de análise, e não apenas arquivando o pedido.
A comparação mais relevante é o pedido do ETF spot de PEPE pela Canary Capital, que sinaliza que gestoras estão dispostas a explorar a aceitação regulatória para tapetes que vão além do tradicional. Importante ressaltar que o HYPE funciona como um token nativo de uma blockchain de camada 1 com protocolos de troca integrados, ao contrário dos tokens de meme, que carecem de utilidade prática.
Entendendo como funciona
Uma maneira de visualizar o ETF THYP é compará-lo ao Tesouro Direto. Ao comprar um título do governo, você não adquire o papel físico, mas sim uma participação em um sistema que mantém o lastro real e distribui automaticamente os rendimentos. Da mesma forma, o THYP será um trust que comprar os tokens HYPE reais. Como investidor, você comprará cotas desse trust na Nasdaq, semelhante à compra de uma ação na B3, sem a preocupação de gerenciar uma carteira cripto ou lidar com riscos operacionais de troca.
O diferencial é que o THYP fará staking com 30% a 70% dos HYPE custodiados, quase como um título do Tesouro que investe parte do capital em um CDB de alta liquidez para gerar um rendimento adicional. Isso promete não só a valorização do token, mas também um incremento na lucratividade do fundo.
Vale lembrar que os US$ 500.000 que a 21Shares colocará inicialmente no market não representam o total que o fundo terá ao longo do tempo. Esse é apenas o capital mínimo para o início das operações. Após a aprovação, o crescimento real do fundo depende de participantes do mercado que trarão capital institucional.
O que os dados indicam?
A Cesta-Semente: A compra inicial de 20.000 cotas a US$ 25 cada, totalizando US$ 500.000, garante que o trust terá capital para começar a operar desde o primeiro dia.
O Lastro Europeu: O ETP de Hyperliquid já acumula cerca de €30 milhões na Europa, com taxas de administração de 2,5% ao ano. Essa demanda documentada indica que investidores realmente buscam esse tipo de exposição ao HYPE.
O Diferencial de Staking: O THYP promete retornar entre 2,4% e 4,5% ao ano, dependendo de quanto for alocado em staking. Isso é bem diferente de ETFs passivos somente de preço.
O Estágio Regulatório: A segunda emenda mostra que a SEC já interagiu com a proposta, o que é um sinal positivo de que o processo está avançando.
O Ticker e a Plataforma: A escolha da Nasdaq, mais do que a NYSE, sugere um foco em inovação e tecnologia. O ticker THYP é simples e fácil de lembrar, ajudando a posicionar o produto no mercado.
A Taxa de Risco: Embora a taxa de administração exata não tenha sido divulgada, espera-se que fique entre 0,85% e 1,5%, o que ainda está acima da média, mas competitivo para atrair investidores.
Impacto no mercado
Se o THYP for aprovado, isso poderá causar um efeito imediato de compra de tokens HYPE por parte de participantes de mercado sempre que houver novos investimentos no fundo. Como o HYPE tem uma capitalização menor que o Bitcoin, a compra desse ativo poderá impactar seu preço de forma significativa, gerando um ciclo positivo de valorização.
Mais do que isso, a aprovação pode abrir as portas para outros tokens de protocolos DeFi, indicando que os gerentes de ativos estão prontos para acelerar suas propostas para tokens como SOL, AVAX e SUI.
A criação de produtos regulamentados para tokens DeFi pode mudar a narrativa sobre esses ativos, passando de meras apostas especulativas para uma forma reconhecida de exposição a finanças descentralizadas.
Aspectos a considerar para o investidor brasileiro
O investidor que optar por acessar o THYP através de corretoras internacionais enfrentará duas camadas de volatilidade: a do token HYPE em dólares e a do câmbio entre o real e o dólar. Isso significa que mudanças na cotação do real podem influenciar os retornos.
Quando o THYP for listado, ele não estará disponível diretamente na B3; o acesso será via corretoras internacionais, como Avenue, Nomad ou Interactive Brokers. Alternativamente, investidores no Brasil podem adquirir o token HYPE em exchanges locais, mas sem os benefícios que um ETF regulado proporcionaria.
Em termos de obrigações fiscais, a compra de cotas do THYP no exterior seguirá as regras da Lei 14.754/2023, que tributa os rendimentos de investimentos internacionais. Para lucros superiores a R$ 35.000, será necessário declarar via DARF. Consultar um contador especializado em criptoativos é uma prática recomendada.
Riscos a acompanhar
Rejeição Regulatória – A SEC pode vetar o pedido, questionando a liquidez do HYPE em um cenário onde não há grandes derivativos regulados.
Concentração de Custódia – O modelo de ETF depende de um custodiante qualificado. Falhas operacionais nesse aspecto podem resultar em grandes perdas.
Liquidez do Ativo – A comparação de volume de HYPE com BTC ou ETH pode ser desfavorável, dificultando o funcionamento do ETF em sociedade.
Mudança Regulatório – A abertura atual para ETFs de altcoins pode ser revertida, afetando negativamente o andamento do THYP.
Risco do Staking – A estrutura de staking pode levar a riscos inesperados que não são comuns em ETFs tradicionais, como a volatilidade causada por penalidades.
Possíveis cenários para o THYP
Cenário otimista: A SEC aprova o THYP no início de 2026, gerando grande interesse e atraindo até US$ 200 milhões em ativos em poucos meses, levando o HYPE a novas máximas.
Cenário base: A SEC pede ajustes, atrasando a aprovação para depois de 2026, mas o produto é finalmente aprovado, acumulando entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões – o que já é viável, mas abaixo do esperado.
Cenário pessimista: Rejeição do pedido pela SEC, o que pode causar impacto negativo em todas as propostas de ETFs de altcoins, derrubando o HYPE.
O futuro do THYP dependerá bastante do que a SEC decidir. Se aprovado, pode ser um divisor de águas, mas caso contrário, as chances de ver altcoins nos ETFs em breve podem ser adiadas.





