Bybit migra brasileiros: estratégias para evitar liquidações
A Bybit acaba de anunciar que, a partir do próximo ano, os usuários brasileiros passarão a integrar uma entidade local. Nesse processo, a corretora vai restringir e, em seguida, liquidar posições em produtos que não serão mais permitidos para brasileiros, como certos tipos de derivativos e operações alavancadas. Essa mudança deixa claro que, para quem é trader avançado, é essencial ter um plano de saída bem estruturado, pois a corretora pode encerrar suas posições se você não agir. Além disso, para quem não declarou imposto de renda, os riscos aumentam.
O que vai acontecer com as posições abertas
De acordo com informações divulgadas, a Bybit vai começar a liquidar posições que continuarem abertas em produtos que deixarão de ser oferecidos aos brasileiros a partir de setembro de 2026. Moedas que não são reais brasileiras (BRL) vão ser convertidas automaticamente em USDT, e também haverá a expiração de benefícios como cupons e bônus vinculados a certos produtos.
Em resumo:
Se você tem posições em derivativos, margem, empréstimos ou estruturas colateralizadas que não se encaixam nas novas ofertas da Bybit Brasil, saiba que elas serão encerradas pela própria plataforma a partir de 21 de setembro de 2026.
A liquidação não vai acontecer porque o preço de sua posição foi atingido, mas sim por uma decisão da corretora relacionada às novas regras no Brasil.
Ou seja, a data da migração será o fator que determinará o encerramento das suas posições.
Motivos para a mudança: adequação ao Bacen e ao marco regulatório
A Bybit esclareceu que essa movimentação é uma **adequação às novas regras no Brasil**, no contexto da regulamentação dos criptoativos e sob a supervisão do Banco Central do Brasil (Bacen). O Bacen agora tem um papel fundamental na autorização e supervisão de prestadores de serviços relacionados a ativos virtuais.
Uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2022 já havia restringido a oferta de derivativos na Bybit. Contudo, o anúncio atual não é uma nova punição, mas uma iniciativa da própria corretora para se alinhar ao modelo regulatório brasileiro. Para os traders, o resultado é o mesmo: o que se vê é um “hard stop” nas opções de manter estruturas alavancadas na plataforma.
Liquidação: mercado x regulatória
É importante saber que existem dois tipos de liquidação:
Liquidação de mercado: ocorre quando o preço atingido não cobre sua posição devido a falta de margem.
Liquidação regulatória: acontece quando a corretora decide encerrar posições abertas em uma data ou fase específica, devido a mudanças de regras, como vai acontecer com os usuários brasileiros da Bybit a partir de setembro de 2026.
No primeiro caso, os traders podem “empurrar” o preço de liquidação fazendo ajustes na alavancagem, aumentando margem ou reduzindo posições. No segundo, a data é fixa e não há como alterá-la.
Como a Bybit liquida posições atualmente
Atualmente, a Bybit tem um processo de liquidação em “escada”, que funciona assim:
- O sistema cancela ordens que poderiam aumentar a posição, libera margem extra e tenta reduzir o nível de risco. Se ainda não atingir os requisitos, a posição é fechada no preço de falência.
Com a migração, a liquidação administrativa será a nova realidade para os brasileiros em produtos não permitidos.
Estratégia 1: Antecipe-se e não espere a data final
Um bom conselho aqui é não encarar 21 de setembro como um “prazo”, mas sim como um “último limite de segurança”. Você pode:
Estabelecer um cronograma gradual de redução da sua exposição alavancada, começando semanas ou meses antes da data.
Definir um prazo interno de encerramento para cada posição, como 30 dias antes da mudança oficial, para evitar correrias em um cenário de alta volatilidade.
Isso ajuda a evitar um fechamento apressado em tempos complicados.
Estratégia 2: Reduza a alavancagem
Pode ser útil diminuir o risco de liquidação de mercado, mesmo antes da migração:
- A Bybit sugere que aumentar a margem ou reduzir a alavancagem ajuda a afastar o preço de liquidação, minimizando os riscos.
Na prática, isso pode significar:
Adicionar colateral à posição.
Diminuir a alavancagem manualmente.
Fechar parte da posição para reduzir o risco.
Por exemplo, se você está em um contrato perpétuo com alavancagem de 20x, pode ser uma boa ideia reduzir para 5x ou 3x.
Estratégia 3: Evite “ninhos de risco” na Conta de Trading Unificada
A Conta de Trading Unificada (CTU) possibilita usar vários ativos como colateral, mas isso pode ser arriscado perto da data de liquidação. Recomenda-se:
Segmentar riscos: diminua o uso de margem cruzada e evite depender de muitos ativos como garantia.
Simples colaterais: priorize colaterais estáveis, como stablecoins, e diminua a dependência de altcoins voláteis.
Dessa forma, se a plataforma liquidar suas posições, as consequências para outros produtos tendem a ser menores.
Estratégia 4: Restructure ou encerre empréstimos
Produtos de empréstimo e algumas formas de rendimento alavancado serão afetados. Para se proteger, faça o seguinte:
Quite empréstimos antecipadamente, sempre que possível.
Se precisar manter uma estratégia, planeje migrar essa estrutura para outra plataforma antes da data de corte.
Isso impede surpresas desagradáveis.
Estratégia 5: Complete seu KYC
Um ponto essencial é que, sem KYC nível 2, você pode acabar no modo “Somente Fechamento” antes da liquidação final. Isso impede que você abra novas posições de proteção e faça ajustes. Portanto:
- Conclua seu KYC nível 2 antes que seja tarde, para ter controle total até a última hora.
Estratégia 6: Planejamento fiscal da saída forçada
Toda liquidação pode ser um evento tributável. Isso pode gerar **ganhos inesperados**, especialmente em um ano em que você não planejou. Se você antecipar a liquidação, pode ter mais controle sobre quando e como realizar suas operações para melhor aproveitar a tributação.
Checklist rápido para evitar liquidações indesejadas
Aqui vai um checklist prático:
Concluir o KYC nível 2 o quanto antes.
Mapear todas as posições em derivativos, margem, empréstimos e produtos colateralizados que podem ser afetadas.
Estabelecer uma data interna de desligamento para as posições, semanas antes da liquidação oficial.
Reduzir a alavancagem e afastar o preço de liquidação.
Simplificar o uso da Conta de Trading Unificada para evitar complicações.
Encerrar, migrar ou quitar com antecedência empréstimos e produtos alavancados.
Avaliar sua situação fiscal e buscar orientações especializadas.
Esse planejamento pode fazer toda a diferença para evitar surpresas desagradáveis no futuro.





