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IA e criptomoedas geram ações coletivas contra empresas no exterior

A inteligência artificial está mudando o panorama das ações coletivas contra empresas e executivos em todo o mundo. Isso ficou evidente no relatório D&O Outlook 2026, da Howden, uma corretora global de seguros. Eles notam que processos relacionados a tecnologia, governança e riscos — como os cibernéticos e ambientais — estão em alta novamente, após um período de queda até 2022.

Nos Estados Unidos, as ações coletivas voltaram a crescer, com um destaque especial para disputas que envolvem inteligência artificial e criptoativos. Somente em 2025, houve a abertura de 17 processos ligados à IA e 14 ao mercado de criptoativos. O setor de biotecnologia, por sua vez, foi responsável por 31% dessas ações, enquanto a tecnologia ficou com 26%.

Yves Lima, diretor da Howden Re Brasil, comenta que o cenário ainda é favorável para quem compra seguros. Embora a sinistralidade esteja baixa e os preços caindo, novos focos de disputa podem surgir, principalmente relacionados à tecnologia e à governança. Esses fatores podem alterar a percepção de risco no futuro.

IA e governança ampliam pressão sobre executivos

A crescente pressão sobre executivos está atrelada à volatilidade do setor de tecnologia e biotecnologia. De acordo com o relatório, essas áreas enfrentam forte pressão de investidores, além de expectativas altas quanto à inovação e crescimento rápido.

Uma questão que vem ganhando destaque é o “AI washing”. Esse termo descreve quando empresas exageram ou distorcem o uso de inteligência artificial em suas comunicações e estratégias, o que levanta dúvidas sobre a divulgação de informações e a governança dessas organizações.

Outro ponto importante do relatório é o aumento das ações coletivas, que muitas vezes estão ligadas a falhas de governança. De 2019 a 2024, quase metade dos acordos de ações coletivas envolveu ações derivadas. No primeiro semestre de 2025, esses acordos totalizaram US$ 1,1 bilhão.

Embora houve uma queda nos chamados mega acordos, as indenizações médias ainda estão 63% acima do que se via na última década. Isso mostra que, mesmo com algumas quedas, as compensações continuam sendo altas.

Brasil mantém baixa sinistralidade

Enquanto o cenário internacional está repleto de litígios, o Brasil se destaca pela baixa sinistralidade no seguro de responsabilidade de diretores e administradores. A sinistralidade, que era de 150% em 2019, caiu para menos de 12% em 2024, atingindo níveis que não se viam há anos.

Dados da SUSEP mostram que o mercado brasileiro de D&O movimentou R$ 1,153 bilhão em prêmios em 2024, com R$ 132 milhões sendo pagos em sinistros. Em 2025, a sinistralidade foi em torno de 14%.

A nova Lei de Seguros, que começou a valer em dezembro de 2025, deve trazer mais clareza e regras mais rígidas para seguradoras e resseguradoras. Isso pode facilitar disputas sobre coberturas e pagamentos de sinistros, trazendo mais segurança ao mercado.

Crédito privado e insolvências entram no radar

O crescimento do crédito privado está suscitando preocupações entre executivos, investidores e seguradoras. Com a rápida expansão desse mercado, surgem dúvidas sobre a transparência das operações e a qualidade das garantias.

Recentemente, houve casos de suspeitas de fraude e duplicação de garantias, além de investigações federais em operações estruturadas nos EUA. Estas situações levantam alertas sobre possíveis insolvências e calotes corporativos em setores mais vulneráveis.

O número global de insolvências subiu de 31 mil em 2020 para 56,7 mil em 2023, e a expectativa é que alcance entre 68 mil e 70 mil até 2025. Como Yves Lima comenta, o crescimento do crédito privado levanta questões sobre se foi feito com os devidos níveis de transparência e controle de risco.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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