Aave planeja transferir receita para DAO em proposta de US$ 50 milhões
A Aave Labs trouxe novidades bem interessantes essa semana. Eles apresentaram uma proposta que promete transferir toda a receita dos seus produtos para a Aave DAO. A ideia é mudar a forma como a governança do protocolo funciona. A Aave Labs está em busca de um financiamento robusto, de cerca de US$ 50 milhões, ou seja, aproximadamente R$ 285 milhões, em troca dos direitos e da propriedade intelectual. Essa movimentação agitou o mercado e reacendeu discussões sobre a tokenomics do token AAVE.
O que levou a essa proposta?
Essa proposta surge num cenário de tensões entre a Aave Labs e a Aave DAO, que é formada pelos detentores do token. Recentemente, a Aave Labs descontinuou a marca Avara para voltar suas atenções para o DeFi, relembrando o foco original do protocolo. A principal discussão girava em torno do controle das taxas geradas e dos direitos da marca.
Chamada de “Aave Will Win Framework”, a proposta busca reparar conflitos passados e alinhar os interesses de todos. A ideia é que os detentores dos tokens se tornem os maiores beneficiários financeiros de um ecossistema que já movimenta bilhões.
Como isso funcionará na prática?
A nova proposta se baseia numa troca comercial direta entre a Aave Labs e a comunidade. A Labs vai transferir a receita futura e os direitos de propriedade intelectual para uma nova fundação gerida pela DAO. Aqui estão os principais pontos do acordo:
- Receita Total: 100% das taxas de swap do Aave V3 e do futuro V4, além dos lucros do Aave App e do Aave Card, irão direto para a tesouraria da DAO.
- Aporte Solicitado: Em troca, a Labs pede US$ 25 milhões em stablecoins e 75.000 tokens AAVE, que serão liberados ao longo de dois anos, além de subsídios para novos lançamentos.
- Migração para V4: O plano confirma que o Aave V4 será a nova base operativa, começando a descontinuar o V3, que atualmente gera cerca de US$ 100 milhões anualmente.
Essa abordagem de consolidar liquidez e modernizar o protocolo é parecida com ações de outras instituições. Um exemplo recente é a Uniswap, que integrou fundos tokenizados da BlackRock, com o intuito de entrar no mercado robusto de finanças tradicionais por meio da blockchain.
Impactos para o investidor brasileiro
Para quem está investindo em AAVE no Brasil, essa proposta pode ter efeitos diretos na valorização do ativo. Se a votação for positiva, a DAO passará a capturar todo o valor gerado pelos produtos, o que pode fortalecer os fundamentos do token a longo prazo. Como o Brasil é um mercado-chave para estratégias de rendimento em dólar, novos produtos podem surgir mais rapidamente com o financiamento da V4.
Ademais, a inclusão de ativos do mundo real na V4 é uma tendência forte que pode impactar rapidamente o mercado brasileiro. Esse movimento se assemelha ao que empresas como Ondo e Chainlink estão fazendo ao usar ações tokenizadas como colateral. Isso abre a possibilidade de que investidores brasileiros utilizem novas formas de garantias em futuros empréstimos DeFi.
Riscos e aspectos a serem observados
Apesar do otimismo da equipe fundadora, a proposta não está livre de críticas. Marc Zeller, da Aave Chan Initiative, levantou preocupações sobre se os US$ 50 milhões não estariam se configurando como uma “extração de valor” mascarada de descentralização. Ele questiona se a DAO deve realmente pagar tanto por receitas futuras que ainda são incertas.
Os investidores precisam ficar atentos às oscilações de curto prazo. Mudanças na governança ou uma possível rejeição da proposta podem gerar incertezas e impactar o preço do token, aumentando o risco de liquidação para quem está utilizando AAVE como colateral. Neste momento, a votação está em fase de “termômetro” (Temperature Check), e as decisões seguintes sobre esse importante protocolo de empréstimos ainda estão por vir.





