Anchorage e Tether divulgam relatório de reservas da stablecoin USAT
A Anchorage Digital Bank e a parte norte-americana da Tether, famosa pela sua stablecoin, divulgaram recentemente o primeiro relatório de reservas da nova moeda chamada USAT. O documento revela que todos os tokens em circulação têm respaldo total em ativos em dólares, com reservas totalizando cerca de US$ 17,6 milhões (ou R$ 101,2 milhões, na cotação atual). Isso vai além do total de tokens emitidos, garantindo um colchão de segurança para suas operações.
Essa ação é um passo importante na estratégia da Tether para ganhar credibilidade nos EUA, contrastando com seu histórico de operações globais. O relatório foi elaborado para atender aos padrões de transparência exigidos por reguladores financeiros. Esse movimento de clareza acontece em um momento em que o tema das stablecoins está em pauta, especialmente após a Tether ter que congelar bilhões em USDT para mostrar que está em conformidade com as normas contra atividades ilícitas.
O que motiva essa mudança?
Basicamente, a criação e auditoria do USAT funcionam como um “passaporte diplomático” para o dinheiro digital no sistema bancário americano. Enquanto o USDT é uma moeda global, muitas vezes vista pelos reguladores dos EUA como um “turista sem documentação”, o USAT foi desenvolvido com todas as autorizações necessárias de um banco federal, neste caso, a Anchorage Digital.
O intuito por trás deste relatório não é só demonstrar que a Tether é financeiramente sólida — algo que já faz com o USDT — mas também garantir que os ativos estejam dentro das regras americanas. Isso posiciona o USAT como uma opção adaptada para investidores institucionais, como fundos de hedge, que não podem lidar com ativos fora das normas por questões de compliance.
Com essa estrutura bancária federal, a Tether tenta mitigar seu maior desafio: a percepção de risco regulatório. Essa jogada visa competir com a Circle, que domina o setor de “stablecoins reguladas” com o USDC, que tem tido grande sucesso entre instituições financeiras.
Dados e fundamentos em foco
O relatório, que é assinado por contadores independentes, destaca uma abordagem conservadora em relação à liquidez. Entre os pontos mais relevantes, estão:
- Volume de Tokens: Em 31 de janeiro, havia 17.501.391 tokens USAT, representando um passivo de cerca de US$ 17,5 milhões (cerca de R$ 100,6 milhões).
- Total de Reservas: O total das reservas garantidoras soma **US$ 17.604.716** (R$ 101,2 milhões), resultando em um superávit de **US$ 103.325** (cerca de R$ 594 mil).
- Composição em Dinheiro: **US$ 3,65 milhões** (R$ 21 milhões) estão mantidos em bancos com proteção do FDIC, garantindo disponibilidade imediata para resgates.
- Acordos de Recompra Reversa: A maior parte, **US$ 13,95 milhões** (aproximadamente R$ 80,2 milhões), está alocada em acordos garantidos por títulos do Tesouro dos EUA.
- Liquidez e Maturidade: Os acordos de recompra têm prazos de vencimento curtos, garantindo resgates a 1:1 sem atraso.
Esses dados asseguram que o USAT, mesmo no seu início, funciona com 100% de lastro em equivalentes de caixa de alta qualidade, sem riscos associados a papéis comerciais.
Como isso impacta o investidor?
Para o investidor, o lançamento do USAT e a apresentação de seus relatórios de reservas representam um marco importante no mercado de stablecoins. A introdução de uma versão “totalmente regulada nos EUA” cria uma nova classe de ativo, que pode parecer mais conveniente em termos de garantias financeiras, mas carrega certos riscos em relação a poderes governamentais.
Além disso, para quem mantém seus ativos em custódia própria, o USAT apresenta uma distinção importante: por ser emitido por um banco federal americano, o token está sujeito a ordens de bloqueio do governo dos EUA. Diferente do USDT, que pode operar em áreas menos regulamentadas, o USAT não terá espaço para desconsiderar sanções. Isso mostra uma tendência crescente rumo à conformidade, assim como na Europa, onde empresas buscam licenças para operar legalmente.
Os investidores brasileiros devem estar atentos: o USAT é um produto voltado para instituições. Para o pequeno investidor que busca exposição ao dólar, as taxas e a burocracia para acesso pela Anchorage podem ser um obstáculo.
Riscos e observações
Apesar da clareza oferecida, o maior risco está na escala. Com apenas US$ 17,5 milhões circulando, o USAT ainda é pequeno comparado aos mais de US$ 130 bilhões do USDT. A liquidez é baixa, o que pode dificultar grandes operações sem causar variações significativas de preço. Além disso, a custódia centralizada na Anchorage elimina o risco de “corrida bancária”, mas também concentra a responsabilidade em uma única instituição.
Os investidores devem ficar de olho na velocidade de emissão de novos tokens USAT nos próximos trimestres. Se o valor de mercado crescer de milhões para bilhões, isso vai indicar se investidores institucionais estão fazendo a transição do USDT ou do USDC para essa nova opção da Tether. Esse fluxo de capital será fundamental para medir a confiança na nova abordagem regulada da Tether.





