Notícias

Bitcoin registra queda de 20% em 2026: entenda os motivos

O Bitcoin (BTC) começou 2026 com um dos piores desempenhos que se tem notícia, acumulando uma queda de 20% nos primeiros meses do ano. Desde que atingiu seu auge histórico de US$ 122.000 (cerca de R$ 732.000) em outubro do ano passado, a criptomoeda tem enfrentado dificuldades para se manter entre US$ 58.000 e US$ 62.000 (R$ 348.000 a R$ 372.000). A expectativa de que o ativo funcionasse como um porto seguro tem se mostrado frustrante, já que ele reage de forma intensa às pressões econômicas globais.

Diversos fatores estão contribuindo para essa situação. Temos um cenário internacional que se deteriora rapidamente, com tensões no Oriente Médio, especialmente entre Israel e Irã, e uma política monetária mais rigorosa do Federal Reserve, sob a batuta de Kevin Warsh. Por isso, o que se observa não é apenas uma simples correção, mas uma reflexão da realidade do mercado, agora pressionado por taxas de juros elevadas.

O que explica essa movimentação?

Para entender melhor, pense no mercado financeiro como uma grande plantação onde a liquidez, ou seja, o dinheiro disponível, é a água que sustenta o crescimento. Nos últimos anos, essa “água” estava abundante, permitindo que ativos arriscados, como o Bitcoin, florescessem. No entanto, em 2026, o Federal Reserve resolveu fechar as torneiras. Sem dinheiro fácil circulando, os investidores agora precisam decidir quais ativos vão sustentar e quais vão deixar de lado. E, como o Bitcoin depende muito dessa liquidez, é o primeiro a sofrer com a seca.

Além disso, surge uma nova legislação nos EUA chamada “Clarity Act”, que pode afetar as stablecoins, amplamente apreciadas pelos investidores. Quando ficamos com um ambiente regulatório complicado, somado ao aumento das taxas de juros, o capital tende a buscar refúgio em ativos mais seguros, como os títulos públicos, forçando a venda de ativos mais arriscados, como o BTC.

O que os dados revelam?

  • Queda de 20%: Diferente de quedas rápidas, essa perda é estrutural e gradual. O Bitcoin já viu uma diminuição de 44% desde seu pico em 2025, sugerindo que a demanda dos investidores menores não está conseguindo suportar a pressão de vendas das instituições.

  • Volume Diário em Queda de 18%: A atividade nas transações caiu desde os picos de fevereiro. Preços caindo junto com volumes menores indicam que há falta de interesse em comprar nesses níveis, sugerindo que o fundo ainda pode não ter sido atingido.

  • Vendas Governamentais: Carteiras associadas a governos, como as da Alemanha e dos EUA, têm pressionado o mercado. Essas vendas atuam como um catalisador, mesmo com uma demanda saudável por parte dos investidores.

  • Taxa de Juros Real: Com a inflação voltando a ser uma preocupação, as expectativas de cortes na taxa de juros este ano diminuíram. Isso tem amplificado a força do Dólar e pressionado o valor do BTC.

Com tudo isso, os dados mostram que os vendedores estão dominando o cenário, enquanto os grandes investidores, ou “baleias”, estão segurando suas ordens de compra em níveis mais baixos, esperando por mais clareza no mercado.

O que muda na estrutura do mercado?

Essa queda definiu uma nova narrativa para o Bitcoin. O que costumava ser visto como “ouro digital”, uma proteção contra a desvalorização da moeda, agora se correlaciona muito mais com ativos de risco, como as ações do Nasdaq. Más notícias econômicas, que no passado poderiam empurrar o Bitcoin para cima, agora fazem com que ele caia junto com as ações de tecnologia.

Além disso, há uma pausa nas aplicações massivas em ETFs de Bitcoin nos EUA. A insegurança em torno do “Clarity Act” tem sido um obstáculo para a entrada de novos capitais institucionais, refletindo um mercado que passou de um “mercado de vendedores forçados” para um “mercado de compradores cautelosos”.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, esse cenário pede uma abordagem mais calma e bem pensada. A diminuição do Bitcoin em Dólar é, em parte, amenizada pela desvalorização do Real, que ainda está se ajustando. Com a atual aversão ao risco, o Dólar tende a se fortalecer, fazendo com que os preços do BTC nas exchanges do Brasil (como Mercado Bitcoin, Foxbit ou ETFs da B3) não caiam tanto quanto os internacionais. Mas isso não elimina o risco de perdas.

Para quem opera por meio de ETFs ou compra diretamente, é bom estar ciente da tributação de 15% sobre lucros em criptomoedas no exterior, conforme a nova lei. Além disso, a estratégia de usar alavancagem neste momento pode ser arriscada. A técnica de DCA (Dollar Cost Averaging), que envolve a compra de pequenas frações em intervalos regulares, continua sendo a melhor opção a longo prazo.

Quais níveis técnicos importam agora?

  • US$ 58.000 (aprox. R$ 348.000): Este é o suporte mais importante no momento. É uma área onde os compradores já intervieram no passado. Se perder este suporte, os preços podem cair ainda mais.

  • US$ 65.000 (aprox. R$ 390.000): Aqui está a resistência que os touros precisam superar para voltar a ser controladores do mercado. Retomar esse nível é essencial para mudar a trajetória atual.

  • US$ 52.550 (aprox. R$ 315.300): Se o suporte nos US$ 58.000 não se mantiver, esse é o próximo nível a observar. Chegar a este ponto confirmaria um mercado em baixa de médio prazo.

Riscos e o que observar

  • Clarity Act: Este é o principal risco político do ano. A proibição de juros em stablecoins pode afetar o ecossistema DeFi e desestimular investidores institucionais. O progresso ou a paralisação dessa lei no Congresso é fundamental.

  • Política do Fed: Com Kevin Warsh à frente do Fed, a postura anti-inflacionária pode ser mais severa do que se previa. Sinais de que os juros podem continuar altos em 2026 poderão frear a recuperação dos preços.

  • Conflito Geopolítico: As tensões entre Israel e Irã permanecem uma preocupação. Embora o Bitcoin tenha surgido em tempos de crise, momentos de medo global podem levar à liquidação de ativos em busca de segurança em dinheiro.

Nesse cenário de incertezas, o Bitcoin está passando por um teste de resistência e convicção para 2026. O panorama é simples: se conseguir voltar aos US$ 65.000 com uma mudança na política do Fed, pode haver uma recuperação; caso contrário, se perder os US$ 58.000, a busca por liquidez nos US$ 52.000 pode acelerar. Essa semana, a movimentação do dólar e qualquer atualização sobre o Clarity Act serão pontos-chave a serem observados.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo