Bitcoin se destaca em março enquanto mercado enfrenta queda
Em 17 de março, a SEC e a CFTC tomaram uma decisão importante ao classificar 16 criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e Solana, como commodities digitais sob a jurisdição da CFTC. Essa medida é um passo significativo, mas ainda dependemos do Clarity Act para tornar essa classificação oficial e permanente. Sem essa lei, o próximo presidente da SEC poderia facilmente reverter essa interpretação. Porém, a tramitação do Clarity Act no Senado não tem sido nada fácil.
Para os investidores, o que realmente importa agora é o tempo. Se o projeto não for discutido até maio, ele pode ser adiado para depois das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Mas nem tudo está perdido. O clima político parece favorável: Trump colocou essa lei como prioridade, a SEC e a CFTC já firmaram um memorando de entendimento, e as apostas nos mercados previsões indicam uma chance de 62% de aprovação até 2026.
Tese do Bitcoin como Hedge
Recentemente, a interrupção do fornecimento de energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz aumentou a pressão sobre uma inflação já crescente. Em um cenário normal, isso poderia ser ruim para ativos que dependem da liquidez, como o Bitcoin. Contudo, o que vemos é uma resposta mais complexa.
Após os ataques, houve uma migração de recursos de exchanges iranianas para autocustódia. Isso mostra como o Bitcoin se torna um ativo extremamente útil em momentos de instabilidade, funcionando como uma alternativa à saída de capital — lembrando o que aconteceu durante o conflito Rússia-Ucrânia e a crise nos bancos regionais dos EUA.
Se o conflito na região se prolongar, a tendência é que as pessoas busquem ativos físicos. A história mostra que os engajamentos militares dos EUA no Oriente Médio sempre resultaram em aumento dos gastos e do déficit fiscal. Assim, se a situação não se resolver, a pressão por uma política monetária mais flexível pode crescer, o que deve fortalecer ainda mais a imagem do Bitcoin como um ativo de proteção.
Bitcoin como Ouro e Porto Seguro
Quando olhamos para a relação entre Bitcoin e ouro, notamos que essa correlação atingiu uma espécie de estabilização importante. Após a Operação Epic Fury, o valor do Bitcoin em relação ao ouro caiu para cerca de 12,4x, mas depois de um tempo, subiu 30%, chegando a 16x ao final de março.
Esse tipo de queda geralmente coincide com os principais movimentos do mercado de Bitcoin. A recuperação atual não significa que o Bitcoin está substituindo o ouro; trata-se mais de um reconhecimento crescente de seu papel como um ativo que permite a movimentação de capital sem restrições, especialmente em momentos difíceis.
Com o aumento do risco geopolítico, a distinção entre guardar valor e transferi-lo se torna cada vez mais relevante. Para os investidores, essa funcionalidade pode ser mais importante do que simplesmente considerar se o Bitcoin se encaixa na definição tradicional de porto seguro.
ETFs
Março trouxe uma reviravolta para os ETFs de Bitcoin nos EUA, que registraram entradas líquidas de cerca de US$ 1,6 bilhão, revertendo as saídas que ocorreram em janeiro e fevereiro. O total de ativos alcançou US$ 90 bilhões, representando 6% da capitalização do Bitcoin, com as saídas do ano reduzidas a apenas US$ 210 milhões. Esse movimento sugere que os investidores institucionais estão cada vez mais interessados em investir a longo prazo, especialmente neste cenário de desacoplamento geopolítico.
Hyperliquid
A Hyperliquid fez uma transição de uma plataforma focada apenas em criptoativos para uma exchange diversificada. Devido a choques geopolíticos em 2026, ativos fora do universo cripto agora representam 30% do volume total, um aumento incrível de 800% desde o final de 2025. Com contratos de petróleo atingindo US$ 8 bilhões em volume semanal, a Hyperliquid já começou a ser referenciada em relatórios da Bloomberg para precificação de commodities durante os fins de semana.
Essa plataforma funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, e é capaz de precificar eventos geopolíticos antes mesmo dos mercados tradicionais abrirem. O desempenho da Hyperliquid é impressionante: em 2025, a empresa gerou US$ 873 milhões em receita com apenas 11 funcionários, resultando em uma média de US$ 79 milhões por colaborador, muito superior aos US$ 1,7 milhão do CME Group.
E mais: seu modelo deflacionário destina 97% das taxas para recompra de tokens, totalizando mais de US$ 800 milhões. O múltiplo P/R da Hyperliquid é de 10,2x, bem abaixo dos 16–17x do CME, mostrando que essa exchange promete ser uma player significativa no futuro do mercado.





