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Circle apoia hub digital da ONU e expande uso do USDC

A Circle anunciou recentemente que vai investir em um novo hub digital da ONU, com o objetivo de aumentar o uso de stablecoins reguladas em programas de ajuda humanitária. Essa medida vem em um momento em que o USDC, uma das stablecoins mais conhecidas, já soma cerca de US$ 62 bilhões em circulação, mantendo a paridade de US$ 1,00. Embora esse movimento não impacte diretamente o preço da moeda, ele traz um ganho importante em termos de legitimidade. As stablecoins estão se consolidando como uma infraestrutura essencial para os pagamentos globais e começam a competir com os sistemas tradicionais.

Ao contrário de criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, que são conhecidas pela sua volatilidade, as stablecoins têm suas métricas de mercado baseadas na adoção. O volume de transações do USDC já ultrapassa os US$ 20 trilhões, um aumento impressionante de 78% em relação ao ano passado. Para os investidores brasileiros, isso é um sinal claro de que os ativos que priorizam a conformidade e o uso prático estão se fortalecendo, especialmente em remessas e proteção cambial. Vale destacar que esse cenário de crescimento acontece ao mesmo tempo em que há uma maior clareza regulatória, com avanços na Europa e no Oriente Médio.

Outro ponto importante é que o anúncio da Circle responde a uma demanda crescente por pagamentos realizados com stablecoins, um mercado que, segundo estimativas, pode alcançar até US$ 56 trilhões até 2030. Isso ajuda a entender por que grandes instituições estão acelerando suas parcerias dentro desse setor.

O que está por trás do hub digital da ONU?

Na prática, a Circle Foundation vai ajudar a criar um sistema digital que permitirá que as agências da ONU utilizem stablecoins como o USDC para distribuir ajuda humanitária. A UNHCR, a agência de refugiados da ONU, gerencia mais de US$ 38 bilhões por ano e enfrenta desafios como altos custos com intermediários e atrasos na entrega. Em iniciativas anteriores, o uso de stablecoins proporcionou uma economia de até 20% nos custos, de acordo com dados do setor.

Essas stablecoins, que são criptoativos atrelados a moedas fiat e que possuem reservas auditadas, trazem uma maior transparência e redução de riscos operacionais — algo essencial para instituições públicas. A Circle, que é a emissora do USDC, já está em conformidade com a legislação MiCA na União Europeia e recebeu a aprovação regulatória em Abu Dhabi.

Por que isso importa para o mercado cripto?

A parceria com a ONU estabelece um importante precedentente institucional, colocando o USDC em uma posição de vantagem em relação a concorrentes como o USDT e o PYUSD. Esse diferencial em conformidade pode acelerar a adoção de stablecoins reguladas nos pagamentos e liquidações globais. De acordo com a Circle, o USDC já processou mais de US$ 20 trilhões em transações, solidificando sua escala e liquidez.

Para quem investe no Brasil, essa situação não traz ganhos diretos, mas diminui os riscos associados ao uso de stablecoins em corretoras, DeFi ou remessas internacionais. Em um contexto de variação cambial do real, a demanda por dólares digitais tende a crescer, e ações institucionais ajudam a sustentar essa narrativa.

Quais são os riscos e limitações?

Apesar das inovações, a adoção de stablecoins ainda depende das regulamentações locais e da infraestrutura em cada país. Elas estão sujeitas a riscos de custódia, decisões políticas e mudanças nas regras, especialmente nos Estados Unidos. Além disso, o uso de stablecoins na ajuda humanitária ainda está em fases iniciais e pode enfrentar desafios operacionais.

Mesmo assim, o movimento da Circle sinaliza uma tendência mais ampla: as stablecoins estão se transformando de meras ferramentas de trading em uma infraestrutura financeira consolidada. Para os investidores brasileiros, acompanhar métricas de adoção, volumes de transação e conformidade pode ser tão importante quanto analisar gráficos de preços.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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