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Coinbase introduz futuros perpétuos de ações e amplia serviços

A Coinbase deu um passo grande nessa sexta-feira ao lançar contratos futuros perpétuos de ações para usuários que não estão nos Estados Unidos. Esse movimento tem tudo a ver com a mistura entre o mercado financeiro tradicional e o mundo das criptomoedas. Agora, você pode negociar ações de gigantes como Apple, Tesla e Nvidia 24 horas por dia, utilizando USDC para liquidação. Isso permite uma alavancagem de até 10x em ações individuais e 20x em ETFs, sem precisar entrar no sistema bancário convencional.

Essa decisão surge em um momento onde a demanda por acesso a ativos globais é crescente, especialmente em lugares onde a entrada em Wall Street é complicada. Agora, muitos se perguntam se a Coinbase está simplesmente ampliando sua gama de produtos ou se está criando uma estrutura para desafiar as bolsas de valores tradicionais.

Contexto do mercado

A jogada da Coinbase não é um jogo isolado. Ela é parte de uma estratégia que começou com a aquisição da FairX em 2023. Antes, o mercado de futuros perpétuos de ações era dominado por exchanges offshore e plataformas descentralizadas. Agora, com o suporte de uma empresa regulamentada nos EUA, a Coinbase quer deixar claro que não pretende ficar de fora dessa competição.

Outras plataformas, como Binance e Bybit, já haviam testado algo similar, mas o diferencial da Coinbase é sua credibilidade e a forma como está se posicionando. Essa abordagem faz parte de uma tendência onde uma única conta pode acessar criptomoedas, commodities e ações. Enquanto muitos esperam por regras claras, a Coinbase está testando esses produtos híbridos através de sua subsidiária internacional.

O que está por trás dessa movimentação?

Imagine que comprar uma ação é como comprar um imóvel físico, cheio de burocracia e horários limitados. Quando você opera um contrato futuro da Apple na Coinbase, não está adquirindo a ação física, mas sim um contrato que reflete seu preço. O mais interessante é que, nesse novo formato, o mercado não fecha. Ele opera 24 horas por dia, permitindo que você reaja rapidamente a notícias, mesmo no fim de semana.

Nesse novo cenário, a eficiência das criptomoedas se junta à solidez de ativos tradicionais. A Coinbase está se transformando, passando de uma plataforma de moedas digitais para um espaço onde você pode operar as ações que mais gosta sem sair do ecossistema.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Os números e detalhes que sustentam essa nova oferta incluem:

  • Escopo de Ativos: Inicialmente, as “Magnificent 7” são destaque: Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Tesla e ETFs relacionados como S&P 500 e Nasdaq-100.
  • Alavancagem: A plataforma permite alavancagem de até 10x para ações individuais e até 20x para ETFs. Com US$ 1.000, um trader pode abrir uma posição de até US$ 10.000 em Nvidia.
  • Liquidação e Infraestrutura: As liquidações são realizadas em USDC, e você pode usar lucros de uma posição em Bitcoin para cobrir perdas em outra ação, por exemplo.
  • Público-Alvo: O produto está disponível para usuários fora dos EUA, passando pelas restrições regulatórias.

Esses dados mostram que a Coinbase está interessada em reter o capital. Em vez de enviar USDC para corretoras tradicionais para comprar ações, usuário pode operar diretamente na plataforma.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para você, investidor brasileiro, a entrada da Coinbase oferece novas oportunidades, mas também desafios tributários. Antigamente, operar ações dos EUA exigia abrir conta em corretoras específicas, com horários limitados e conversão cambial. Agora, com os contratos perpétuos, você pode investir usando suas criptomoedas, sem precisar de remessas bancárias.

O “Efeito Fim de Semana” é importante aqui. Muitas notícias relevantes aparecem quando as bolsas estão fechadas. Com os contratos perpétuos, você consegue operar e tomar decisões no domingo à noite, enquanto outros investidores aguardam a segunda-feira. Contudo, é preciso checar se sua conta na Coinbase está elegível, pois há restrições específicas da CVM.

Do ponto de vista fiscal, a atenção deve ser redobrada. Diferente da compra direta de ações, a negociação de derivativos sintéticos segue a Lei 14.754, que implica numa alíquota de 15% sobre os ganhos no exterior. A liquidação em USDC mantém sua exposição ao dólar e ajuda a se proteger contra a desvalorização do real, mas exige um controle detalhado para a Receita Federal.

Riscos e o que observar

Mesmo com todas essas inovações, operar ações sintéticas pode trazer riscos únicos, diferentes de possuir a ação real. Aqui estão alguns pontos para se prestar atenção:

Risco de Funding Rate: Manter uma posição em aberto exige o pagamento de taxas de financiamento a cada 8 horas. Isso significa que, se o mercado for otimista, você pode acabar pagando a mais, o que pode afetar seus lucros ao longo do tempo. É crucial monitorar essas taxas regularmente.

Risco de Liquidez Sintética: Em momentos de alta volatilidade, o preço do contrato na Coinbase pode se desviar temporariamente do preço real da ação, especialmente se a liquidez estiver baixa. Fique de olho na diferença de preços.

Para saber se esse produto terá sucesso, será necessário que o volume diário alcance mais de US$ 100 milhões nos próximos meses. Até lá, a paciência é uma virtude que sempre vale a pena!

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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