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CoinShares inclui Hyperliquid em seu portfólio de altcoins

A CoinShares, uma das principais gestoras de ativos digitais da Europa, acaba de incluir o token HYPE, da rede Hyperliquid, em seu ETF de altcoins, o CoinShares Altcoins ETF (DIME). Eles alocaram 8,33% do fundo para esse ativo, que teve uma valorização de 15,2% em março. Esse desempenho superou o do Bitcoin, que viu saídas líquidas de US$ 194 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em produtos atrelados à sua moeda. Com isso, o HYPE se tornou a 11ª maior criptomoeda do mercado, acumulando um valor total de aproximadamente US$ 9,2 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) e um retorno impressionante de 174,31% no último ano.

Uma dúvida que vem sendo levantada nas mesas de operação é se a entrada da CoinShares no HYPE significa uma mudança real nos fluxos institucionais em direção a infraestruturas descentralizadas ou se é apenas uma aposta temporária, sujeita a reversão rápida.

O que está por trás dessa movimentação?

Para entender a proposta da Hyperliquid, é interessante pensar no Porto de Santos, o maior do Brasil. Imagine um porto onde qualquer um possa construir seu próprio terminal, processando informações em tempo real, sem precisar de permissão, com todas as transações gravadas em um livro-razão público. É isso que a Hyperliquid oferece: uma blockchain que promete modernizar os mercados financeiros com transparência, acesso irrestrito e alta velocidade, permitindo até 200.000 transações por segundo.

A própria Hyperliquid faz uma analogia com a Amazon Web Services (AWS), que oferece infraestrutura de nuvem. Da mesma forma, a Hyperliquid oferece uma estrutura de liquidez para desenvolvedores de aplicações financeiras. O resultado? Seus desenvolvedores gerarão mais de US$ 65 milhões (cerca de R$ 377 milhões) em receita sem precisar de capital externo. É um modelo de independência que raramente se vê no mundo das criptomoedas.

A confiança da CoinShares na Hyperliquid se fortaleceu antes mesmo do movimento no DIME. Em fevereiro, eles lançaram um produto específico, o CoinShares Hyperliquid Staking ETP (LIQD), com taxa de administração zero e um rendimento de 0,5% ao ano. A inclusão do HYPE cinco semanas depois é fruto de uma estratégia bem planejada.

Quais são os dados e fundamentos que sustentam a tese?

A Hyperliquid estava se destacando antes mesmo da entrada institucional. O open interest da plataforma cresceu 25%, atingindo US$ 1,74 bilhão, sinalizando um influxo acelerado de capital. Vejamos alguns dados que explicam isso:

  • Dominância em contratos futuros perpétuos: A Hyperliquid é responsável por cerca de 70% desse mercado global, com volumes de negociação acima de US$ 3 trilhões (aproximadamente R$ 17,4 trilhões). Isso cria um efeito positivo de rede, onde mais volume significa menor spread e, consequentemente, mais volume.

  • Programa de recompra de HYPE: Mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,8 bilhões) em taxas são usados para recomprar tokens HYPE no mercado, gerando uma pressão compradora que se mantém, independente das flutuações de mercado.

  • Integração com a Ripple Prime: Com a colaboração da Ripple, a Hyperliquid oferece acesso a clientes institucionais, sendo a primeira exchange descentralizada a fazer isso.

  • Resiliência em relação ao Bitcoin: Quando o preço do Bitcoin caiu, o HYPE demonstrou força, valorizando 41% em apenas uma semana.

O HYPE não é só um ativo especulativo; ele é fundamental para o ecossistema. Os detentores podem usá-lo para garantir a segurança da rede, pagar taxas e participar de governança, com um sistema que permite a validação sem necessidade de autorização central.

O que muda na estrutura do mercado?

Estudos anteriores já indicavam uma mudança nos fluxos de capital, e agora, a inclusão do HYPE pela CoinShares confirma essa tendência. O que se observa é um capital regulamentado sendo direcionado para a infraestrutura DeFi de alta liquidez.

O momento é crucial. Assim como a CoinShares registrou saídas de US$ 194 milhões em produtos atrelados ao Bitcoin, a Hyperliquid recebeu um apoio institucional em um cenário onde grandes investidores estavam se afastando do BTC.

A Hyperliquid também está em expansão. Em março de 2026, a plataforma começou a preparar novos produtos que podem melhorar ainda mais a eficiência de capital no trading institucional.

Quais níveis técnicos importam agora?

O HYPE estava sendo negociado próximo de US$ 36 (cerca de R$ 209) ao fim de março, com uma valorização significativa. Esse preço reforça sua posição no mercado, que tende a atrair investimentos adicionais, especialmente com a capitalização total ao redor de US$ 9,2 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões).

Os próximos níveis de resistência a serem observados ficam entre US$ 40 a US$ 42 (cerca de R$ 232 a R$ 244). Superar essa faixa com volume crescente poderia sinalizar uma nova fase para o ativo, enquanto um suporte importante se dá entre US$ 28 e US$ 30 (aproximadamente R$ 162 a R$ 174)—um nível que funcionou como base antes do movimento de março.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

O atual cenário de mercado tem sido desafiador, especialmente para as altcoins. Embora a entrada da CoinShares mude o jogo, os riscos ainda estão presentes, especialmente para os brasileiros, que enfrentam um câmbio que pode amplificar tanto ganhos quanto perdas.

O HYPE está disponível nas principais exchanges que os brasileiros usam, como Binance e Bybit. Como as operações são denominadas em dólar, o investidor local deve ficar atento às oscilações não apenas do token, mas também da taxa BRL/USD. Cada movimento de 10% no HYPE traz um impacto equivalente em reais, o que pode ser vantajoso ou arriscado.

Muitos acreditam que a entrada da CoinShares representa uma validação importante. Para os brasileiros que pensam em investir no HYPE, a estratégia de acumulação gradual pode ser mais prudente do que tentar entrar apenas agora, após uma valorização significativa.

Riscos e o que observar

  • Concentração de mercado: Com 70% de participação, a Hyperliquid é um alvo natural para a regulamentação. Qualquer decisão negativa de autoridades pode mudar rapidamente o cenário.

  • Dependência do programa de recompra: O mecanismo de recompra pode fornecer suporte ao preço, mas depende do volume de transações. Se esse volume cair, o suporte pode se enfraquecer.

  • Riscos técnicos: A Hyperliquid ainda está expandindo suas funcionalidades, o que traz incertezas técnicas que podem ser problemáticas.

  • Câmbio BRL/USD: Com o real mais fraco, qualquer valorização do BRL pode impactar negativamente o retorno em reais.

  • Saídas institucionais: O capital institucional pode mudar rapidamente, e uma redução na alocação na estrutura pode ocorrer sem aviso.

A situação continua a ser dinâmica, com potencial para crescimento ou correção. É essencial acompanhar as tendências e se preparar para o que pode vir a seguir.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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