Diretor da Coinbase afirma que stablecoins superam fiat em transparência
A entrevista com Fabio Plein, Diretor Regional para as Américas da Coinbase, trouxe à tona um tema bem relevante: o crescimento das transações com stablecoins na nossa região, especialmente aqui no Brasil. Esse movimento sinaliza o surgimento de uma economia onchain, que promete facilitar a vida de comerciantes de todos os tipos, inclusive os digitais. Vamos explorar os principais pontos dessa conversa.
1. O impacto do USDC nas vendas internacionais
Plein traz exemplos como Shopify e Nium, que utilizam a infraestrutura do USDC para agilizar pagamentos em 190 países. Para ele, essa integração por meio da blockchain Base da Coinbase representa um momento decisivo para os comerciantes.
No comércio internacional tradicional, os vendedores enfrentam taxas de conversão cambial e prazos de liquidação que podem ser bem complicados, levando de três a cinco dias. Com a USDC, essa fricção desaparece: agora, a liquidação é quase instantânea e a um custo quase nulo.
Isso significa que, em vez de perder tempo e dinheiro com bancos e tarifas, os comerciantes podem receber os pagamentos em segundos, a qualquer hora do dia, através de uma interface bem simples.
2. Atração das PMEs pelo uso de criptomoedas
Recentemente, a Coinbase Business processou mais de US$ 250 milhões em operações onchain para Pequenas e Médias Empresas (PMEs). E o que tem atraído esses pequenos empresários para o mundo das criptomoedas? Fabio explica que a busca por eficiência é o principal motivador.
A resposta está na rapidez e baixo custo das operações. Ao adotar um sistema onchain, essas empresas podem realizar pagamentos instantâneos, acessar recompensas e gerenciar o fluxo de caixa sem se preocupar com horários bancários ou feriados. É a tecnologia ajudando a otimizar os negócios de quem realmente movimenta a economia.
3. O futuro das stablecoins e o papel do USDC
A afirmação de que “99% do dinheiro global ainda não é nativo da internet” abre um leque de possibilidades. Segundo Plein, a Coinbase está criando uma ponte sólida para trazer esse capital para o ambiente onchain, e o USDC é a ferramenta ideal. Ele oferece a estabilidade do dólar americano, junto com a velocidade e a transparência da blockchain.
Com novidades como a aprovação do GENIUS Act nos Estados Unidos, a regulamentação para as stablecoins ficou mais clara. Isso pode inspirar outras legislações pelo mundo, inclusive no Brasil. Mais confiança significa que trilhões de dólares podem migrar das contas bancárias tradicionais para os novos protocolos onde o dinheiro pode ser gerenciado com a mesma facilidade de enviar um e-mail.
Vale destacar também que a adoção das stablecoins não se limita apenas ao dólar. Atualmente, 99% das stablecoins estão ligadas a essa moeda, mas há uma enorme oportunidade para moedas locais, como as que poderiam ser lastreadas no real.
4. A revolução nas remessas internacionais
As remessas internacionais são cruciais para muitos países da América Latina, mas o sistema SWIFT é conhecido por suas altas tarifas e lentidão. Com o uso de stablecoins como o USDC, Plein acredita que podemos democratizar a riqueza.
Com custos de transferência reduzidos a praticamente zero e fluididade nas liquidações, muito mais valor chega diretamente às famílias e empresas brasileiras. Isso é essencial em um cenário onde a acessibilidade financeira é uma prioridade, permitindo que os trabalhadores recebam o que realmente merecem, sem taxas abusivas.
A Coinbase está investindo em uma infraestrutura robusta, desde APIs que facilitam a vida dos desenvolvedores até soluções de custódia, garantindo uma transição tranquila e segura.
5. Stablecoins: descentralização versus centralização
O mercado muitas vezes discute que a verdadeira revolução financeira deve ocorrer em sistemas descentralizados, como o Bitcoin. No entanto, Plein defende que stablecoins como o USDC são mais transparentes que as moedas tradicionais, uma vez que estão registradas em um livro-razão público.
Ele acredita que essa nova tecnologia pode realmente moldar um futuro financeiro mais acessível. Embora ainda haja a busca por ativos descentralizados, como o Bitcoin, ele vê tanto as stablecoins quanto as criptomoedas tradicionais como essenciais para a evolução das finanças no Brasil.
Na visão de Plein, à medida que ambos os ativos ganham espaço, eles terão um papel crucial na infraestrutura financeira e nas decisões de investimento dos brasileiros.





