Empresas de tesouraria de criptomoedas têm riscos de contraparte
As empresas que lidam com a tesouraria de Bitcoin e outras criptomoedas estão enfrentando riscos que lembram a crise financeira de 2007-2008. Josip Rupena, CEO da plataforma de empréstimos Milo e ex-analista do Goldman Sachs, fez essa comparação ao explicar como as cestas de investimentos em cripto podem ser comparadas às obrigações de dívida colateralizada, que foram um dos gatilhos da crise.
Essas empresas de tesouraria assumem ativos sem um respaldo claro, e isso gera muitas incertezas. Rupena destacou que é importante considerar fatores como a habilidade da gestão, a segurança dos dados e a capacidade de gerar fluxo de caixa. Para ele, a situação se complica quando se pega algo que parecia sólido, como uma hipoteca ou Bitcoin, e se cria um produto mais complexo, deixando o investidor na dúvida sobre seus reais riscos.
Embora Rupena não acredite que essas tesourarias serão a causa de um próximo mercado em baixa, ele aponta que empresas que estão muito alavancadas podem piorar a situação em caso de quedas, especialmente através da venda forçada de ativos. No entanto, ainda é cedo para prever o impacto exato dessas dinâmicas.
Analisando o cenário, muitos especialistas do mercado estão alertando sobre o potencial de empresas de tesouraria superdimensionadas. Há o risco de que uma venda forçada de ativos acabe afetando todo o mercado e rebaixando os preços das criptomoedas, numa corrida desesperada para cobrir dívidas.
Empresas diversificam suas participações em altcoins, deixando os investidores do mercado divididos
As empresas que operam no sistema financeiro tradicional estão começando a olhar além do Bitcoin, a moeda digital que ganhou destaque com nomes como Michael Saylor. Muitas delas estão se diversificando e investindo em altcoins, como Toncoin, XRP, Dogecoin e Solana (SOL).
Nos últimos meses, diversas empresas lançaram estratégias de tesouraria utilizando essas criptomoedas, e isso gerou reações variadas nos preços de suas ações. Por exemplo, a fabricante de bebidas health-focused Safety Shot anunciou que faria do meme coin BONK (BONK) seu principal ativo de reserva em agosto. A resposta do mercado foi brusca: as ações da empresa despencaram 50% após o anúncio.
Além disso, diversas companhias que investem em Bitcoin também viram suas ações caírem drasticamente no segundo semestre de 2025, à medida que mais empresas entravam nessa competição acirrada. Essa movimentação no mercado de criptomoedas está levando a um cenário cada vez mais complexo para investidores e empresas.