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ETFs de bitcoin e ethereum têm saídas superiores a US$ 500 milhões

Entre os dias 23 e 27 de março de 2026, os ETFs de Bitcoin e Ethereum nos Estados Unidos enfrentaram uma onda de retiradas que totalizou US$ 502,76 milhões (aproximadamente R$ 2,9 bilhões). Esse movimento foi registrado pela plataforma SoSoValue. O Bitcoin respondeu por US$ 296,18 milhões (cerca de R$ 1,72 bilhão), enquanto o Ethereum perdeu US$ 206,58 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão). Tudo isso aconteceu logo após março ter encerrado uma sequência de quatro meses com saídas consecutivas, alcançando um saldo total de entradas de US$ 1,13 bilhão no mesmo período.

Agora, a grande dúvida que permeia o mercado é: essas retiradas representam apenas uma pausa rápida numa trajetória de recuperação institucional ou indicam uma nova fase de desinteresse por criptoativos?

Entendendo a situação

Para visualizar, pense em uma represa que sofreu com seca por meses. De novembro de 2025 a fevereiro de 2026, o nível de água estava baixíssimo. Em março, finalmente, vieram as chuvas, trazendo US$ 1,13 bilhão para o mercado. Mas na última semana de março, as comportas foram abertas novamente. Não para esvaziar tudo, mas para aliviar a pressão acumulada. O que os dados sugerem é que as instituições que haviam sido otimistas nas semanas anteriores agora aproveitaram para realizar lucros ou reavaliar suas alocações.

O contexto macroeconômico influencia bastante. Após um dia em que houve saídas de US$ 708,7 milhões em apenas uma sessão — o maior volume em dois meses — o mercado ficou cauteloso. O Bitcoin chegou a testar a marca de US$ 71.100 e os rendimentos do Tesouro americano para títulos de 10 anos estavam perto de 4,2%. Em momentos assim, instituições maiores costumam reduzir sua exposição a ativos mais arriscados.

As retiradas de ETFs de Bitcoin e Ethereum já vinham crescendo na semana anterior, antecipando o que ocorreu na última parte de março. O final de trimestre e a necessidade de reequilíbrio antes dos resultados financeiros também foram fatores que contribuíram para esses movimentos.

O que os números mostram?

  • Saída total nos ETFs de Bitcoin: US$ 296,18 milhões (R$ 1,72 bilhão)“O Alívio de Pressão do BTC”
    Seis fundos apresentaram saídas líquidas nessa semana, enquanto cinco — BTCO, EZBC, BRRR, BTCW e DEFI — não atraíram novos investimentos. Por outro lado, o FBTC da Fidelity conseguiu captar US$ 46,88 milhões (cerca de R$ 272 milhões), mostrando que, mesmo em tempos difíceis, alguns gestores conseguem atrair investidores mais determinados.
  • Saída total nos ETFs de Ethereum: US$ 206,58 milhões (R$ 1,2 bilhão)“O Peso do Recém-Chegado”
    Cinco ETFs de Ethereum registraram retiradas, mas o ETHB da BlackRock e o TETH, lançados em março, captaram US$ 141,07 milhões (cerca de R$ 820 milhões). Isso mostra que produtos novos podem chamar a atenção mesmo em períodos complexos.
  • Saldo de março: +US$ 1,13 bilhão nos ETFs de Bitcoin“O Fim do Jejum de Quatro Meses”
    A analista Rachael Lucas, do BTC Markets, destaca que março trouxe um desfecho positivo, mesmo com a última semana negativa. Isso indica que a mudança de percepção de mercado iniciada em março não foi desfeita, apenas desacelerou.
  • Altcoins: XRP e LINK se destacam“Os Resistentes da Semana”
    Entre os ETFs de altcoins, apenas os fundos de XRP e LINK tiveram entradas líquidas, o que sugere que alguns investidores estão buscando alternativas, mesmo em um clima de aversão ao risco.
  • Pico em março: US$ 458 milhões em um único dia (20 de março)“O Pulso de Euforia”
    Na melhor sessão do mês, os ETFs de Bitcoin captaram mais de US$ 458 milhões, o que fez o preço do BTC subir 1,5% acima de US$ 70.000. O total de ativos sob gestão nesse período chegou a **US$ 90,3 bilhões**, refletindo o quão impactantes foram as retiradas em comparação aos totais dessa classe de ativos.

Esses dados desenham um cenário de consolidação, ao invés de colapso total. As retiradas vieram na esteira de semanas de entrada forte, e, apesar de um tempo negativo, a tendência ainda é positiva para muitos agentes do mercado. Além disso, produtos como o FBTC e o ETHB da BlackRock continuam chamando atenção.

Mudanças na estrutura do mercado

O dado mais interessante dessa semana não é nem a quantidade de saídas, mas a diferença entre os fundos que registraram retiradas e aqueles que se mantiveram fortes. O FBTC capta quase US$ 47 milhões, enquanto outros fundos passam por dificuldades. Isso revela que existe uma hierarquia de confiança entre os gestores de ativos. Quando as coisas ficam incertas, o capital pode não sair do mercado de criptoativos, mas sim migrar para emissores que são vistos como mais confiáveis.

A introdução do ETHB com um componente de staking pela BlackRock em março altera também a proposta de valor dessa classe. Ao permitir que investidores capturem rendimento sem precisar gerenciar validadores, o produto pode competir com títulos de renda fixa de curto prazo — algo que o Ethereum não havia conseguido anteriormente em um ambiente regulatório nos EUA. O sucesso inicial do ETHB indica que pode se tornar um ativo importante na busca por rendimento institucional.

Para o Bitcoin, a acumulação por empresas ainda serve como um contrapeso significativo às retiradas nos ETFs. Diversos ETFs acumulam bitcoins mesmo quando o varejo está em modo de pânico, sugerindo que grandes investidores estão aproveitando as correções para aumentar suas posições, e não para vender.

Impacto para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, essas saídas nos ETFs americanos têm um impacto maior do que apenas nos preços do BTC em dólar. O Efeito BRL é fundamental aqui. Com o real cotado em cerca de R$ 5,80 por dólar, uma desvalorização do Bitcoin em dólar acaba sendo potencializada para quem calcula seu patrimônio em reais. Porém, se o BTC se recuperar e o dólar mantiver sua força, o investidor brasileiro pode ganhar duplamente com essa valorização.

Quem investe diretamente na B3 através de fundos como HASH11 ou QBTC11 já sente refletido esse movimento nos preços. O mesmo acontece nas corretoras locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, onde o preço do Bitcoin tende a seguir as tendências internacionais, podendo criar boas oportunidades de compra.

Além disso, vale lembrar que as operações em ETFs no exterior precisam observar a Lei 14.754/2023, que regula a tributação de rendimentos de fundos offshore para residentes no Brasil. Se os ganhos com criptoativos ultrapassarem R$ 35 mil mensais, é necessário declarara-los conforme a Instrução Normativa 1.888. Em períodos de volatilidade como o atual, uma estratégia eficaz é o DCA (Dollar Cost Averaging), que consiste em fazer aportes regulares de valor fixo. Isso ajuda a diluir os riscos, aproveitando as quedas e subidas do mercado.

Riscos e coisas para ficar de olho

O principal risco que podemos identificar é o “Risco de Contágio Macro”: a alta dos juros dos títulos americanos, com o rendimento do Tesouro de 10 anos perto de 4,2%, cria um ambiente difícil para ativos mais voláteis. Se o Federal Reserve adotar uma postura rígida em sua próxima reunião, isso pode limitar as futuras entradas nos ETFs.

Outro aspecto é o “Risco de Concentração em IBIT e FBTC”. A dominância de alguns fundos nas entradas e saídas cria um ambiente de volatilidade, onde se um fundo importante como IBIT enfrentar saídas significativas, isso impacta todo o setor.

Por fim, o “Risco de Euforia Prematura com ETHB” também deve ser observado. Embora o novo ETF tenha atraído bastante atenção e capital, ele é um produto recente. Questões regulatórias ou quedas expressivas no rendimento do staking podem afetar seu fluxo de capital.

Todos esses gatilhos são sinais a serem acompanhados nas próximas semanas. Se os primeiros dados de abril mostrarem entradas líquidas positivas para BTC e ETH, isso indicaria que o movimento negativo foi apenas um ajuste temporário. Se as saídas continuarem, talvez o Bitcoin enfrente uma pressão maior para ficar abaixo de US$ 70.000. Por enquanto, a paciência é a aliada que não desvaloriza.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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