Impacto do corte de cabos submarinos no Bitcoin
Pesquisadores da Universidade de Cambridge mergulharam de cabeça na história do Bitcoin, analisando mais de uma década de dados para entender como a rede se comporta diante de falhas, especialmente aquelas ligadas a cortes em cabos submarinos. Esses cabos são super importantes, já que atualmente, 95% de todo o tráfego internacional de internet passa por eles, conectando continentes e países.
A pesquisa também trouxe à tona o uso do Tor, uma rede que permite navegação anônima e é utilizada por muitos nós do Bitcoin para manter a localização em sigilo. O estudo conclui que essa tecnologia agrega valor à rede, tornando-a mais resistente.
O impacto de cortes em cabos submarinos na rede Bitcoin
Realizado por Wenbin Wu e Alexander Neumueller, o estudo traça um panorama da rede Bitcoin entre 2014 e 2025. Durante esse tempo, os pesquisadores examinaram 68 eventos de falhas em cabos submarinos, buscando entender as consequências disso na rede.
Utilizando um modelo que simula cascatas de falhas, eles descobriram que, em situações de falhas aleatórias, a maioria dos cabos precisaria falhar para causar uma desconexão significativa dos nós Bitcoin. Curiosamente, 87% dos cortes em cabos resultaram em um impacto menor que 5% na rede.
O estudo contemplou diversos cenários. Por exemplo, em um caso onde um país fica isolado, isso pode levar à criação de uma nova cadeia de blocos. Em outro, nós podem se conectar por rotas alternativas, garantindo a continuidade do funcionamento.
Mais à frente, analisaram também os mineradores de Bitcoin. A resiliência da rede caiu em 2021, mas se recuperou com a redistribuição da mineração após a China banir a atividade no país.
A infraestrutura crítica que sustenta a rede
Os pesquisadores destacaram que existem onze cabos essenciais ligando a Europa à América do Norte, além de cabos que conectam a África e América do Sul e o Sudeste Asiático ao Sul da Ásia. Por outro lado, uma interrupção nos cinco maiores provedores de internet poderia causar um impacto mais significativo, como em casos de cortes de provedores ou ações regulatórias.
A importância do Tor para o Bitcoin
Os dados do estudo mostram que, em 2025, 64% dos nós de Bitcoin utilizavam o Tor, uma tecnologia que garante maior privacidade aos usuários. Além de proteger a identidade, essa ferramenta também melhora a resiliência da rede, pois a largura de banda se concentra em países bem conectados, como os da Europa. Isso ajuda a mitigar impactos negativos que poderiam ocorrer.
Os pesquisadores observaram que o aumento no uso do Tor ocorreu em momentos de censura marcantes, como o desligamento da internet no Irã em 2019 e a proibição da mineração na China em 2021. Esse padrão sugere que a comunidade de Bitcoin se adapta de maneira autônoma e resiliente diante das dificuldades.
Esses achados ajudam a entender como a rede Bitcoin se apoia tanto em uma infraestrutura física quanto em tecnologias que asseguram sua continuidade, mesmo num cenário global tão volátil e interligado.





