Investigação do NYT indica Adam Back como Satoshi Nakamoto
John Carreyrou, jornalista do The New York Times, acredita ter desvendado a identidade de Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin. Em uma matéria publicada recentemente, ele revelou que passou por uma lista de 34 mil nomes até chegar a um único possível candidato: Adam Back.
Back é uma figura conhecida no mundo da criptografia e teve seu nome citado no whitepaper do Bitcoin por conta da criação do Hashcash. Desde então, ele sempre foi visto como um possível Satoshi, especialmente por sua habilidade técnica e por ser britânico.
O nome de Back voltou à tona com o lançamento de um filme da HBO sobre a busca pela verdadeira identidade de Satoshi. Embora o documentário inicialmente apontasse Peter Todd como o criador do Bitcoin, houve uma reviravolta que trouxe Back de volta aos holofotes, despertando a curiosidade de Carreyrou.
O jornalista descreve um momento interessante em que, durante uma conversa no parque em Riga, na Letônia, Adam Back demonstrou desconforto ao ouvir seu próprio nome como um dos suspeitos. A maneira como reagiu, com olhos esquivos e uma risada nervosa, deixou Carreyrou intrigado.
A investigação e as ferramentas modernas de pesquisa
O Bitcoin se tornou o ativo que mais rapidamente alcançou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, mas antes mesmo disso, a identidade de seu criador já havia atraído a atenção de muitos jornalistas. John Carreyrou passou um ano buscando pistas sobre Nakamoto, utilizando listas de discussão do mundo da criptografia.
Ele e seu colega Dylan Freedman filtraram essa gigantesca lista de 34 mil postagens, eliminando aqueles com menos de 10 interações. A partir daí, conseguiram reduzir os suspeitos a 1.615 pessoas. Esse número caiu ainda mais para 620, após retirar quem não falava sobre dinheiro digital.
Buscando aprofundar a investigação, Carreyrou optou por comparar textos de Nakamoto com as mensagens dos suspeitos, utilizando a estilometria — uma técnica de análise textual. O que tornou a tarefa ainda mais complexa, pois muitos já haviam feito tentativas similares.
O que ele fez foi buscar palavras únicas, sem sinônimos. Nesse processo, Adam Back apareceu como um dos principais candidatos, compartilhando 521 palavras específicas com Satoshi. Carreyrou e sua equipe também analisaram os erros gramaticais de estilo e descobriram que Back cometia erros similares aos de Satoshi.
Após refinar ainda mais a lista, chegaram a 56 indivíduos, entre eles Adam Back e outros notáveis do mundo da criptografia.
Análises de textos revelam semelhanças curiosas
Durante a investigação, Carreyrou encontrou textos de Adam Back e Satoshi que apresentavam ideias semelhantes, mesmo com mais de uma década de diferença. Por exemplo, Back disse que a criptoanarquia poderia levar a um governo mais libertário, enquanto Satoshi falou sobre como isso poderia ser atraente sob uma perspectiva libertária.
Além disso, Back e Satoshi também compartilhavam pensamentos sobre o conceito de “spam”, o que reforça a hipótese de que suas visões eram bastante alinhadas. O uso do termo “spam” aparece várias vezes nos textos de Satoshi, assim como em comentários de Back.
Outro ponto interessante levantado na investigação é que Back tinha um conhecimento técnico avançado, especialmente em áreas fundamentais para o desenvolvimento do Bitcoin, como PGP e sistemas distribuídos, o que pode contribuir para a teoria de sua ligação com Nakamoto.
O desaparecimento de Satoshi e o retorno de Back
John Carreyrou notou que, após o lançador do Bitcoin, Adam Back foi discreto e não se manifestou publicamente sobre o projeto até 2011. Curiosamente, esse foi o mesmo período em que Satoshi começou a se afastar do projeto e desapareceu.
Em um episódio intrigante, em 2013, Back comentou sobre a fortuna oculta de Satoshi em um blog, levantando ainda mais suspeitas sobre sua identidade. Isso fez com que muitos na comunidade Bitcoin o vissem como uma figura central ao redor do mistério.
Ao longo dos anos, Back ficou conhecido por ser ativo nas listas de discussão e, mais tarde, fundou a Blockstream, onde continuou a trabalhar pelo desenvolvimento do Bitcoin e se tornou uma voz influente na comunidade.
A visão de Adam Back sobre as acusações
Recentemente, Carreyrou passou mais tempo conversando com Back e apresentou a ele as evidências coletadas em sua investigação. Back se defendeu, afirmando que as semelhanças eram meras coincidências e que sua linguagem corporal poderia ter sido mal interpretada durante as entrevistas.
Ele se posicionou claramente ao afirmar que não era Satoshi, mas reconheceu que a pesquisa levantou pontos relevantes sobre suas contribuições para o mundo cripto. Em seus comentários nas redes sociais, ele reiterou seu foco em questões sociais positivas ligadas à criptografia e à privacidade online.
Nesse cenário fascinante, a busca pela verdadeira identidade de Satoshi Nakamoto continua a intrigar e emocionar não apenas os especialistas em criptografia, mas também todos que acompanham a evolução do Bitcoin.





