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Irã movimentou mais de US$ 3 bilhões em cripto ilícito em 2025

O regime do Irã e grupos associados à Guarda Revolucionária Islâmica movimentaram mais de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 17,5 bilhões na cotação atual) em criptomoedas para atividades ilícitas em 2025. Essa informação alarmante vem do relatório “2026 Crypto Crime Report” da Chainalysis, que revela um aumento significativo no uso de ativos digitais para driblar as sanções econômicas internacionais.

Esse volume recorde reflete a crescente pressão, tanto interna quanto externa, que Teerã enfrenta. O país busca alternativas ao sistema bancário tradicional para financiar suas operações e milícias na região. A situação é preocupante, especialmente considerando que saques massivos em exchanges iranianas aumentaram após ataques dos EUA e Israel. Esse cenário mostra como o ecossistema de criptomoedas no Irã se tornou uma ferramenta vital para a sobrevivência financeira do Estado, chamando a atenção de reguladores ao redor do mundo.

Contexto do mercado

O uso de criptomoedas pelo Irã para contornar sanções não é uma novidade, mas em 2025, a escala dessa movimentação alcançou níveis impressionantes. Desde 2018, com o endurecimento das restrições econômicas após a saída do acordo nuclear, o país tem explorado a mineração de Bitcoin e pagamentos digitais, especialmente nas vendas de petróleo. No entanto, 2025 marcou a consolidação dessa estratégia, com Irã e Rússia liderando um aumento global de 694% no volume transacionado por entidades sob sanção, totalizando US$ 104 bilhões (cerca de R$ 608 bilhões).

De acordo com a Chainalysis, no último trimestre de 2025, endereços ligados à Guarda Revolucionária Islâmica foram responsáveis por mais da metade do total recebido por entidades iranianas. Nesse contexto geopolítico tenso, o mercado de criptomoedas no Irã chegou a um valor total de US$ 7,48 bilhões (aproximadamente R$ 43,8 bilhões) em 2025, mesmo enfrentando desafios como bombardeios e instabilidade. A crescente complexidade das táticas utilizadas sugere que o regime está transicionando de experimentações pontuais para uma infraestrutura financeira alternativa sólida.

O que está por trás dessa movimentação?

Para entender, imagine que o sistema financeiro global, como o SWIFT, é uma estrada principal cheia de pedágios e pontos de controle. As sanções atuam como bloqueios, impedindo o Irã de usar essa via para mover seu capital.

O que o relatório indica é que o regime montou uma rede complexa de “estradas de terra” digitais. Em vez de utilizar a rodovia principal, eles fragmentam o dinheiro em várias pequenas transações, recorrem a plataformas não regulamentadas e trocam ativos durante o caminho. Essa abordagem, embora mais lenta e cara, permite que bilhões de dólares cheguem a seus destinos finais — seja para aquisição de equipamentos ou para o financiamento de grupos regionais — sem serem barrados pelos bancos tradicionais.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Os dados de 2025, conforme apontados pela Chainalysis, retratam um cenário alarmante de crime financeiro em expansão:

  • Volume Ilícito Global: Endereços ilícitos receberam pelo menos US$ 154 bilhões (cerca de R$ 900 bilhões) em 2025, um aumento de 162% em relação ao ano anterior.
  • Foco no Irã: Mais de US$ 3 bilhões foram movimentados especificamente por redes ligadas à Guarda Revolucionária para apoiar operações estratégicas.
  • Dominância de Sancionados: Entidades sob sanção, como Irã, Rússia e Coreia do Norte, movimentaram US$ 104 bilhões juntas, representando o maior crescimento do uso ilícito de criptomoedas.
  • Reação Imediata a Conflitos: Logo após ataques aéreos, saídas de US$ 10,3 milhões (cerca de R$ 60,2 milhões) de exchanges iranianas mostram uma clara fuga de capital.
  • Investigação Regulatória: O aumento desse volume suspeito provoca pressão sobre corretoras globais, com senadores dos EUA pedindo investigações sobre possíveis violações em grandes exchanges.

Riscos e o que observar

Um risco relevante a curto prazo é a possibilidade de novas sanções que possam atingir não apenas os emissores, mas também as infraestruturas que apoiam essas transações, como pools de liquidez em finanças descentralizadas ou corretoras menores que funcionam como intermediárias.

Ficar atento aos comunicados do Tesouro dos EUA nas próximas semanas é fundamental. Se novas sanções forem anunciadas contra protocolos de privacidade ou mixers conhecidos, é provável que o mercado reaja com uma venda de ativos relacionados a esses setores. Porém, se a resposta for mais diplomática, o foco do mercado pode voltar às questões macroeconômicas do Bitcoin.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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