Notícias

Justiça bloqueia USDC da Circle em vara cível no Brasil

Um caso que chamou atenção na Justiça de São Paulo envolve um golpe de falso investimento em criptomoedas. O esquema foi elaborado de forma astuta, usando engenharia social e promessas que pareciam irresistíveis, tudo isso em uma plataforma digital desenhada para enganar.

A história começou quando a vítima se deparou com anúncios que prometiam ganhos altos no mercado de criptomoedas, supostamente com base em inteligência artificial. Após esse primeiro contato, ela começou a receber orientações de um “professor” ou “mentor”, que se apresentava como um expert em investimentos e criptoativos.

Esse auto-proclamado professor fazia questão de acompanhar a vítima bem de perto, enviando mensagens com frequência, utilizando uma linguagem técnica acessível e fazendo promessas de segurança para conquistar a confiança dela. De forma sutil, o golpe foi se desenrolando ao longo do tempo, sem pressa.

A vítima foi então direcionada a uma plataforma chamada “Atual Invest”. À primeira vista, o site parecia super profissional, com um design atrativo e funcionalidades similares às corretoras de verdade. No entanto, o que se revelou foram apenas sete reclamações no Reclame Aqui, indicando sinais claros de engano.

Na plataforma, a vítima via um saldo crescente, simulações de rendimentos diários e um histórico de operações que pareciam bem-sucedidas. Curiosamente, essa plataforma havia sido criada poucos dias antes do primeiro contato e estava registrada de forma anônima, sem qualquer conexão com empresas oficiais ou identificáveis.

Convencida de que estava fazendo um investimento legítimo, a vítima transferiu cerca de US$ 13 mil, convertendo esse valor em criptoativos. Por algum tempo, o sistema mostrava ganhos constantes, reforçando a ilusão de sucesso e encorajando novos investimentos.

Entretanto, quando ela tentou retirar o dinheiro, surgiram os problemas. A liberação do valor estava condicionada a taxas adicionais, comissões falsas e impostos que nunca existiram. Mesmo após novos depósitos, o saque nunca era concretizado.

Foi aí que a ficha caiu: a plataforma não liberava os valores, o “professor” insistia ainda em novos depósitos e os rendimentos mostrados eram números fictícios, sem base real. Diante da situação, a vítima decidiu buscar a Justiça.

O juiz analisou o caso e reconheceu as evidências da fraude, que incluíam conversas trocadas e registros da plataforma. Um detalhe importante foi que parte dos valores em posse dos golpistas estava em USDC, uma stablecoin que pode ser bloqueada quando se tem conhecimento do caminho dos criptoativos.

A decisão judicial determinou que os USDC fossem bloqueados, pois a empresa emissora, a Circle, possui tecnologias que permitem essa ação. Vale destacar que esse bloqueio não era uma punição, mas uma medida cautelar para preservar os valores e tentar um eventual ressarcimento à vítima ao final do processo.

Como a defesa da investidora vê o caso e a espera pela devolução dos valores pela Circle?

Em entrevista, o advogado especialista em criptomoedas, Raphael Souza, ressaltou que as stablecoins não são intocáveis. Ele explicou: “Quando há investigação e rastreamento em blockchain, é possível agir rapidamente e congelar valores. Stablecoins como USDC e USDT podem ser bloqueadas, o que muda completamente o cenário para as vítimas que buscam recuperar o dinheiro perdido”.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo