Justiça recusa devolução de bitcoins de hacker que extorquiu padre Robson
A Justiça de Goiás decidiu não devolver os bens apreendidos de Welton Ferreira Nunes Júnior, um sujeito que está no meio de uma polêmica desde 2017, quando foi acusado de extorquir o Padre Robson. Na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a juíza Placidina Pires rejeitou o pedido de restituição, que incluía itens como um iPhone 15, dois notebooks da ASUS e, principalmente, duas Cold Wallets da marca Ledger.
Essa decisão mantém sob custódia do estado alguns dispositivos considerados de alto valor, embora o veredito não mencione se as carteiras de criptoativos continham algum valor ou não. Isso deixa uma interrogação no ar sobre o que realmente pode estar guardado ali, seja em bitcoin ou em outras criptomoedas.
A defesa de Welton alegou que ele é o proprietário legítimo desses itens e questionou a integridade da cadeia de custódia dos dispositivos, mencionando que os lacres foram rompidos durante uma tentativa de perícia técnica. As evidências apresentadas indicam que os peritos não conseguiram acessar o conteúdo dos equipamentos, pois faltou a senha de desbloqueio. Esse caso está ligado à Operação Veritas de 2021, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas.
Em novembro do ano passado, Welton já havia sido condenado a cinco anos em um regime semiaberto. O panorama dele na Justiça não está nada favorável e as suspeitas em torno dos equipamentos confiscados continuam.
Welton e o escândalo que impactou muitas vidas
Welton Ferreira Nunes Júnior é um nome que causa alvoroço nas páginas policiais. Ele foi o protagonista de um dos casos de extorsão mais impactantes da última década, atingindo diretamente o Padre Robson de Oliveira Pereira.
Em março de 2019, a 8ª Vara Criminal de Goiânia impôs a ele uma pena de 16 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão por ser o líder do esquema que visava o religioso. De acordo com as investigações, Welton e um grupo de comparsas conseguiram invadir os celulares e computadores do padre, obtendo informações pessoais e sensíveis.
Se passando por detetives em migalhas digitais, eles ameaçaram vazar essas informações a fim de extorquir quantias vultosas. O psicológico do padre foi tão pressionado que ele acabou transferindo R$ 2 milhões da Associação Filhos do Pai Eterno para os criminosos, embora essa quantia tenha sido posteriormente bloqueada.
Os golpes não pararam por aí. O religioso também foi forçado a fazer pagamentos em dinheiro, que variavam entre R$ 50 mil e R$ 700 mil, em um processo de extorsão que se arrastou por cerca de dois meses, entre março e abril de 2017. O dinheiro era deixado em locais previamente combinados, como carros em estacionamentos de luxo ou em shoppings da região. Outros quatro integrantes do grupo também foram condenados, mas Welton acabou recebendo a maior pena.





