Paraguai usará máquinas apreendidas para minerar Bitcoin com energia de Itaipu
A Administración Nacional de Electricidad (ANDE), que é a empresa estatal responsável pela energia elétrica no Paraguai, vai aproveitar máquinas que foram confiscadas para minerar Bitcoin usando a energia gerada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu. Essa informação foi divulgada pela Morphware, uma empresa que atua na área de tecnologia, inteligência artificial e mineração de criptomoedas.
O Paraguai se destaca no cenário global de mineração, com aproximadamente 4% da participação mundial. Só fica atrás de países como os Estados Unidos, Rússia e China. Uma das razões para isso é o custo baixo da energia, já que o país produz muito mais eletricidade do que consome, tornando-se um destino atrativo para a mineração.
Governo paraguaio quer minerar Bitcoin usando máquinas confiscadas
Embora o país tenha a mineração de Bitcoin legalizada, há uma vigilância constante para combater atividades ilegais. O governo do Paraguai, por exemplo, já desmantelou várias fazendas de mineração clandestinas, uma das quais foi localizada em uma igreja, onde desviavam energia elétrica. Somente em 2025, a ANDE apreendeu cerca de 670 máquinas em uma operação e outras 200 em outra ação.
Recentemente, a Morphware anunciou uma parceria com a ANDE para utilizar esses equipamentos confiscados e minerar Bitcoin oficial e legalmente. Essa colaboração busca explorar a mineração como uma oportunidade para o país, alinhando-se ao cenário de energia e infraestrutura digital que se desenvolve no Paraguai.
As duas partes acreditam que essa parceria vai ajudar a estruturar um caminho oficial para uma série de projetos futuros dentro da legislação existente. Assim, é uma maneira de potencializar as oportunidades nesse setor.
Programa piloto começará com 1.500 máquinas
Conforme explicado por Kenso Trabing, fundador da Morphware, as máquinas confiscadas estão “literalmente empilhadas até o teto”. O primeiro passo desse projeto será um programa piloto que utilizará 1.500 ASICs de mineração em locais que são monitorados pela ANDE. Essa é uma mudança significativa, pois envolve a operação em ambientes regulamentados, ao contrário do que se vê em situações clandestinas.
Ele também esclareceu que a ANDE não tem experiência prévia em mineração de Bitcoin, o que torna a atuação da Morphware importante como consultoria nesse processo. Ao contrário de outras nações, como Butão, que guardam os bitcoins minerados, o Paraguai optou por vender esses ativos no mercado para evitar exposição à criptomoeda.
Trechos do discurso de Trabing enfatizam a lógica econômica do projeto. Segundo ele: “Quando você faz as contas, é muito simples. Você está vendendo eletricidade por uma fração do que ela poderia render se utilizada de outra forma”.
O que o Paraguai está fazendo é uma maneira inovadora de utilizar os recursos disponíveis, ao mesmo tempo que entra de vez no jogo da mineração de criptomoedas, utilizando suas vantagens naturais.





