Polícia encerra mineradora de bitcoin no DF e apreende 160 máquinas
Uma megaoperação policial que aconteceu nesta quarta-feira trouxe uma grande vitória contra a mineração ilegal de bitcoin e criptomoedas no Distrito Federal. No Núcleo Rural Café sem Troco, em São Sebastião, uma fazenda clandestina que desviava energia suficiente para abastecer mais de 10 mil residências foi fechada.
Essa ação interrompeu um esquema criminoso que estava causando instabilidades sérias na rede elétrica da região, resultando em um prejuízo estimado em mais de R$ 1,5 milhão para a concessionária de energia. A operação contou com a coordenação da 30ª Delegacia de Polícia Civil (PCDF) e a colaboração de técnicos da Neoenergia.
Os investigadores perceberam um consumo elétrico excessivo na área, afetando não somente os moradores, mas também comerciantes e produtores rurais, que enfrentavam oscilações constantes de energia.
Uma infraestrutura impressionante: R$ 850 mil em equipamentos
Quando as autoridades chegaram ao galpão clandestino, encontraram uma infraestrutura robusta voltada para a mineração de criptomoedas. Foram apreendidas 160 máquinas de mineração (ASICs) em funcionamento intenso, além de um transformador de grande porte, de 500A, que lidava com a pesada carga da operação ilegal.
Para se ter uma ideia, somente o maquinário encontrado no local está avaliado em cerca de R$ 850 mil. A Neoenergia descobriu que esse desvio de energia causava perdas mensais significativas — em torno de R$ 800 mil — que não eram registradas.
A operação envolveu um forte aparato estatal, incluindo a Divisão de Operações Aéreas e especialistas em engenharia e informática. Após o fechamento da fazenda, os responsáveis poderão enfrentar processos por furto de energia, com penas que podem chegar a oito anos de prisão.
A resposta das autoridades e o apoio das concessionárias
Essa ação faz parte da 3ª fase da “Operação Cripto Gato”, segundo a Neoenergia, e a 5ª fase da “Operação Rede Clandestina”, conforme identificado pela PCDF. As operações visam combater a mineração ilegal, que representa um risco elevado de incêndios e colapso na rede elétrica.
Wilson Matias, supervisor de Recuperação de Energia da Neoenergia, destacou que a fiscalização está sendo intensificada. “A mineração de criptomoedas demanda uma alta demanda de energia e deve ser realizada de forma regular. No local vistoriado, os equipamentos estavam conectados irregularmente, o que sobrecarregava o sistema, aumentando o risco de falhas”, explicou.
2026: um ano de combate implacável contra mineradoras ilegais
A ação em São Sebastião é mais um capítulo de um ano que tem sido pesado para a mineração ilegal. As operações policiais em 2026 já resultaram em várias apreensões significativas em diferentes regiões.
Em 12 de janeiro, a Polícia Civil do DF fechou quatro fazendas de mineração, apreendendo 47 máquinas de maneira irregular. No dia seguinte, uma operação em Alagoas desmantelou propriedades que não só desviavam energia para a mineração, mas também retiravam água do Rio São Francisco sem permissão para resfriar os sistemas. E em 25 de fevereiro, uma grande investida resultou na apreensão de 384 máquinas em duas fazendas.
Essa série de ações mostra o compromisso das autoridades em enfrentar as irregularidades no setor de criptomoedas.





