Notícias

Ripple promove mudança institucional com tokenização e pagamentos

Ripple está passando por uma mudança interessante. A empresa decidiu focar sua estratégia em atender ao mercado institucional, priorizando a tokenização de ativos e os pagamentos globais. Isso segue o lançamento da stablecoin RLUSD e conversas com bancos. Recentemente, o XRP teve uma queda de 12%, sendo negociado a US$ 2,15, enquanto o Bitcoin também enfrentou uma baixa de 14%, caindo para US$ 75.000. Essa mudança ocorre em meio a um ambiente global onde os investidores estão cautelosos, mas há um aumento no interesse de instituições em infraestrutura blockchain.

Apesar da queda, no acumulado de 2026, o XRP ainda apresenta uma alta de 20%. O volume diário das transações gira em torno de US$ 3,8 bilhões, indicando que os traders estão com um pé atrás no curto prazo. Um aspecto interessante é a crescente tokenização de ativos do mundo real. Este setor já alcançou um valor total bloqueado de US$ 5,2 bilhões, representando um aumento de 45% nos últimos 12 meses, impulsionado por iniciativas como o fundo BUIDL da BlackRock.

O que está por trás da mudança da Ripple?

A Ripple está se reposicionando para se conectar mais com bancos e grandes instituições financeiras. O XRP Ledger está sendo usado para liquidações, enquanto a RLUSD vai servir como uma moeda estável para facilitar os pagamentos. A RLUSD, que foi lançada em dezembro de 2025, está disponível tanto no XRP Ledger quanto no Ethereum, promovendo transferências institucionais mais rápidas e com menos burocracia.

Esse direcionamento foi embasado pelo fim do processo judicial da Ripple nos Estados Unidos, que diminuiu riscos regulatórios e abriu portas para novas parcerias. Decisões judiciais afirmaram que o XRP não é uma security, aumentando a confiança das instituições para uma adoção mais ampla.

Para os investidores brasileiros, esse movimento é relevante. Bancos que atuam na América Latina, como o Santander, já estão testando soluções da Ripple. Se houver uma integração com plataformas locais, como as exchanges brasileiras, isso pode melhorar a liquidez do par XRP/BRL, que atualmente está negociado em torno de R$ 10,90.

A tokenização impulsionada por instituições, mas o preço ainda tem desafios

Apesar dessa narrativa promissora, o gráfico do XRP está enfrentando pressão técnica. O RSI diário está em 42, indicando fraqueza na força de compra. O MACD continua negativo, mas seu histograma mostra sinais de que pode haver estabilização.

O preço está testando um suporte crítico em US$ 2,10, uma área defendida pela média móvel de 200 dias. Se esse nível for quebrado, o preço pode cair para US$ 1,95. Por outro lado, a resistência imediata está em US$ 2,35. Para os traders, um rompimento acima de US$ 2,35, com volume, pode indicar uma recuperação no curto prazo.

Analisando os dados on-chain, não há indícios de venda agressiva. As 100 maiores carteiras mantêm cerca de 1,2 bilhão de XRP, sem grandes mudanças no último mês. Isso sugere que as baleias estão mantendo suas posições mesmo com a recente correção.

Quais são os riscos dessa nova estratégia?

A concorrência é feroz. Projetos como o Stellar (XLM) estão buscando o mesmo espaço no mercado de pagamentos. Além disso, as stablecoins como o USDC, com um market cap de US$ 35 bilhões, já dominam os fluxos institucionais. Soluções como o JPM Coin também estão evoluindo na tokenização bancária, o que pode limitar a atuação de blockchains públicos.

Outro ponto a considerar é o risco de execução: a adoção institucional costuma ser lenta. Isso depende de testes regulatórios, como os pilotos de RWA que o Fed pretende lançar no primeiro trimestre de 2026. No curto prazo, o preço do XRP ainda está fortemente ligado ao desempenho do Bitcoin, o que pode restringir movimentações independentes.

A Ripple está traçando uma estratégia de longo prazo, baseada na tokenização e nos pagamentos para instituições. Para os investidores no Brasil, o XRP pode ser uma porta de entrada nessa tendência, mas é importante ter cautela e gerenciar riscos enquanto o ativo se ajusta e o cenário macroeconômico permanece instável.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo