Step Finance fecha operações após roubo de US$ 40 milhões
O Step Finance anunciou o fim de suas atividades nessa segunda-feira, dia 18, após um duro golpe financeiro. Em janeiro, um ataque hacker driblou a segurança da plataforma e drenou cerca de US$ 40 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 232 milhões. A equipe da Step Finance tentou encontrar maneiras de se recuperar, mas as buscas por financiamento ou fusões não deram certo, tornando impossível continuar.
Esse colapso impacta o ecossistema Solana e afeta outras iniciativas, como o portal de notícias SolanaFloor e a plataforma de ações tokenizadas Remora Markets. O token nativo, chamado STEP, sofreu uma queda drástica de quase 40% em 24 horas, negociado a poucos centavos, enquanto a equipe tentava estabelecer um plano de recompra para ajudar a minimizar as perdas dos investidores.
O que está por trás dessa movimentação?
Para entender melhor, o Step Finance era como um “painel de controle” para investidores na rede Solana. Ele reunia informações sobre posições de liquidez, yield farms e saldos de tokens, tudo em um só lugar. Com o ataque de janeiro, a segurança financeira da empresa foi comprometida, já que sua tesouraria estava lá para financiar operações e pagar a equipe. Com a perda desse capital essencial, as coisas desmoronaram.
Esse episódio é um lembrete amargo sobre a fragilidade do setor de Finanças Descentralizadas (DeFi). Sem reservas financeiras ou alguma forma de seguro, um único incidente de segurança pode deitar por terra um projeto que parecia promissor. Lembremos do caso da ZeroLend, que também encerrou atividades rapidamente após a drástica perda de confiança.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
- Prejuízo: O ataque resultou em US$ 40 milhões em ativos perdidos, dinheiro que a equipe não conseguiu repor.
- Queda do token: O valor do STEP encolheu para US$ 0,0005, bem longe dos US$ 10,20 que alcançou em abril de 2021, segundo dados do CoinGecko.
- Método de ataque: O ataque não veio de falhas de código, mas sim do comprometimento dos dispositivos dos executivos e de técnicas de engenharia social, o que permitiu o acesso às chaves privadas que controlavam os fundos.
- Subsidiárias afetadas: A SolanaFloor vai encerrar suas atividades de notícias e apenas manterá um arquivo histórico. A Remora Markets, que estava à parte do hack, fará um resgate para seus usuários, permitindo a troca dos rTokens por USDC na proporção de 1:1.
Esse acontecimento acentua que, às vezes, o problema não está no código, mas nas pessoas que o operam. Embora as auditorias visem prevenir falhas técnicas, a segurança operacional pode ser um ponto vulnerável para grandes tesourarias cripto.
Como isso funciona na prática?
O que aconteceu com o Step Finance mostra a diferença entre hacks de protocolo e os que acontecem por falta de segurança humana:
- Engenharia Social: Os atacantes não precisaram quebrar a criptografia. Focaram nas pessoas que controlavam as chaves.
- Dispositivos Comprometidos: Ao infectar dispositivos ou obter credenciais, os hackers conseguiram as permissões necessárias para acessar a carteira principal.
- Roubo de Fundos: Com maneira livre de acesso, os ativos foram transferidos para contas controladas pelos invasores.
- Fim da Linha: Sem recursos, a empresa não pôde mais arcar com servidores, equipe ou marketing, levando ao seu fechamento.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor no Brasil, especialmente os que têm ativos em Solana, a situação é complicada. O token STEP, que antes tinha uma boa demanda entre quem buscava rendimentos, agora apresenta liquidez muito baixa em exchanges descentralizadas. Isso dificulta a venda sem registrar perdas significativas.
Esse evento deve reforçar a importância da custódia e da diversificação no DeFi. A Ethereum Foundation já havia alertado sobre os riscos de contratos inteligentes, mas o caso do Step Finance mostra que a segurança das equipes por trás dos tokens é algo igualmente crucial. Para quem possui os rTokens da Remora Markets, a situação é mais favorável, já que o resgate em USDC foi garantido.
A recomendação imediata para quem ainda tem a token STEP é revogar as permissões de contratos antigos usando ferramentas como a Solana Revoke, assim como esperar as instruções para o plano de recompra.
Riscos e o que observar
Agora, toda a atenção se volta para a execução do plano de encerramento e a distribuição dos ativos restantes. A equipe promete usar um snapshot da blockchain que foi tirado antes do hack para ajudar na recompra de tokens. Isso pode gerar discussões se investidores adquiriram o ativo após a queda. A transparência é essencial para evitar problemas, como os que aconteceram recentemente na Aave.
Fique atento nas próximas semanas para ver se haverá movimentações dos fundos roubados na blockchain, o que poderia sinalizar progresso nas investigações, e também o lançamento da ferramenta de resgate da Remora Markets.





