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Tether transfere USD 300 milhões ao Banco Master na Alemanha

A Tether, empresa conhecida por emitir o USDT, está em um embate judicial grande, cobrando R$ 1,6 bilhão do Banco Master. A ação corre na 33ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo desde 24 de abril de 2026 e espera uma decisão da justiça, que está prevista para sair a qualquer momento.

Documentos do processo, que somam quase 2.800 páginas, foram analisados por Raphael Souza, advogado especializado em Direito Digital e criptoativos. Ele fala sobre o que motivou essa disputa.

O Empréstimo de US$ 300 Milhões: Como Isso Começou

No dia 20 de março de 2025, a Tether firmou um acordo com o Grupo Master, envolvendo um empréstimo de US$ 300 milhões com juros de 11,875% ao ano. O combinado era que o valor fosse quitado em um ano.

Nesse cenário, a Master Holding Financeira e a Master Participações se tornaram garantidoras da operação. O dinheiro foi liberado em duas parcelas: US$ 100 milhões em 28 de março e US$ 200 milhões em 1º de abril.

Contudo, a situação começou a desandar em agosto, quando a Titan, braço do Grupo Master, deixou de pagar os juros. Para piorar, em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A Tether então declarou a dívida vencida e decidiu levar o caso para a justiça. O valor atualizado, com juros, chega a mais de R$ 1,6 bilhão.

Dinheiro, mas Sem Cripto

Uma das surpresas da análise é que, apesar de a Tether ser famosa por suas criptomoedas, essa operação não envolveu ativos digitais. O dinheiro foi transferido de forma tradicional, através de transferências bancárias convencionais, usando o sistema SWIFT.

O banco onde os fundos foram inicialmente depositados é o Joh. Berenberg, Gossler & Co. KG, um dos bancos mais antigos da Alemanha. O fluxo do dinheiro foi de lá para o Bank of New York Mellon e, finalmente, para o Banco Master aqui no Brasil.

Raphael Souza explica que, ao ouvir que a Tether emprestou dinheiro ao Banco Master, muitos podem pensar que a transação inclui criptomoedas. Mas, nos documentos, aparecem apenas os tradicionais comprovantes bancários. A operação foi um crédito corporativo internacional, utilizando canais tradicionais.

Arbitragem em Londres: Uma Parte do Processo

Um aspecto interessante é que o Grupo Master tentou contestar essa cobrança na London Court of International Arbitration (LCIA), mas acabou perdendo.

Em outubro de 2025, a Titan iniciou um procedimento para anular o vencimento antecipado declarado pela Tether. O contrato já previa que qualquer disputa seria resolvida em Londres, e os árbitros decidiram favoravelmente para a Tether em dezembro daquele ano.

O desempenho do painel, que incluía profissionais reconhecidos na área, foi positivo para a Tether. Isso fortalece a sua posição e elimina algumas defesas que poderiam ter sido usadas pelo Grupo Master.

Situação Atual do Processo

O processo está em andamento, com custas pagas recentemente, e agora aguarda a decisão da juíza Ana Carolina Miranda de Oliveira. A Tether está pedindo para que o Banco Master seja notificado e que suas contas sejam penhoradas.

O complicado é que o Banco Master está em processo de liquidação. Isso significa que os ativos que garantiram o empréstimo estão sob a custódia de um banco que não está mais operando. A Tether acredita que seus direitos são preservados, mas isso pode acabar gerando uma disputa sobre a propriedade dos ativos com o liquidante indicado pelo Banco Central.

Uma Grande Vítima do Escândalo?

A Tether afirmou que concedeu o empréstimo sem saber das irregularidades do Grupo Master. Se isso for verdade, pode ser considerada uma das maiores vítimas desse escândalo financeiro, com US$ 300 milhões envolvidos em uma operação que foi respaldada por ativos de um banco que acabou sendo liquidado por fraude.

Essa situação revela o quão conectados estão o mercado de criptomoedas e o sistema financeiro tradicional. A Tether, a maior emissora de stablecoins do mundo, tinha conta em um banco que existe desde 1590 e fez operações via remessas tradicionais. Essa interconexão é um detalhe importante que muitos ainda não percebem.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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