Traders mudam foco para altcoins com queda do Bitcoin
Enquanto o Bitcoin continua estável em uma faixa de preço, os traders do mercado de criptomoedas começaram a movimentar dinheiro para altcoins. Com a maior moeda do setor sendo negociada a menos de US$ 71.000 (aproximadamente R$ 412.000), a atenção se voltou para ativos menores, que estão apresentando ganhos consideráveis.
De acordo com dados da CoinGecko, o Bitcoin chegou a tocar brevemente US$ 62.822 em 6 de fevereiro, mas desde então não conseguiu fixar uma tendência. A situação se agravou com vendas maciças que resultaram na eliminação de mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas. Isso fez com que alguns investidores buscassem segurança em outras moedas, um movimento conhecido como “rotação de capital”.
Entendendo a rotação de capital
Essa movimentação reflete algo comum nos ciclos de mercado: quando o Bitcoin não avança, o capital tende a fluir para ativos mais arriscados na esperança de retornos rápidos. Na prática, a estagnação do Bitcoin faz com que os investidores se voltem para setores mais dinâmicos.
É importante destacar que essa rotação não significa uma alta generalizada; a movimentação é específica e direcionada por narrativas no mercado. Enquanto isso, o cenário econômico global, com dados de inflação positivos nos Estados Unidos, ajudou a criar um clima mais otimista. No entanto, analistas alertam para o risco de que isso seja uma resposta de curto prazo à falta de liquidez nos finais de semana.
Destaques do mercado
Recentemente, alguns tokens têm se destacado por suas narrativas sólidas, como os de privacidade e inteligência artificial. Segundo um levantamento da Decrypt, entre as 50 principais moedas em valor de mercado, destacam-se:
- Zcash (ZEC): Aumento de 24,1% devido ao interesse por privacidade.
- Pepe (PEPE): Valorização de 21,9%, evidenciando a força das memecoins.
- Bittensor (TAO): Crescimento de 19,8%, liderando o setor de inteligência artificial descentralizada.
- Aster: Ganhos de 18,5%, se destacando entre as novas infraestruturas.
Apesar desses altos, muitos desses ativos ainda estão muito afastados de seus picos históricos. Por exemplo, o Zcash está mais de 90% abaixo de sua máxima de 2016. Isso reforça que as valorizadas atualmente podem não representar uma recuperação ampla.
Ignacio, da corretora Bitget, observou que o capital está sendo selecionado para altcoins com maior potencial. Enquanto isso, outras criptomoedas, como Solana e Dogecoin, ainda lutam para encontrar suporte.
Impacto para o investidor brasileiro
Para quem investe no Brasil, é hora de ter cautela. Mesmo que ativos em dólar pareçam atraentes, a volatilidade do real traz riscos adicionais. O que se vê agora são oportunidades de curto prazo, mais adequadas para traders do que para aqueles que buscam investimentos duradouros.
É essencial ficar de olho na correlação com o Ethereum. Historicamente, o ETH serve como um indicador de saúde das altcoins. Alguns analistas acreditam que, se o Ethereum superar o Bitcoin, isso poderia sinalizar uma rotação mais sólida e segura para novos investidores.
A recomendação é focar em setores com boa liquidez nas corretoras brasileiras e evitar seguir a moda (fomo) em ativos que já tenham subido significativamente sem uma correção.
Riscos e pontos de atenção
Lai Yuen, analista da Fisher8 Capital, destaca o perigo de “falsos rompimentos”. Segundo ele, a recente movimentação de preços pode ser arriscada, especialmente em fins de semana de baixa liquidez, o que pode inverter as condições quando o mercado tradicional abrir.
Se o Bitcoin não mantiver seu suporte atual e corrigir, a liquidez das altcoins pode secar rapidamente, anulando os ganhos recentes. Por isso, é importante acompanhar os dados de liquidação no mercado de derivativos para identificar possíveis pontos de estresse e proteger seu capital.





