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Xi Jinping fortalece yuan global e reaviva discussão sobre Bitcoin

O presidente da China, Xi Jinping, voltou a falar sobre a importância do yuan como moeda de reserva global. Isso trouxe à tona uma competição cada vez mais intensa entre as grandes moedas e ativos alternativos, como o Bitcoin. Recentemente, o preço do Bitcoin caiu 14%, atingindo US$ 75.000, o menor valor desde abril de 2025. Essa queda reflete tanto a retirada de investimentos institucionais quanto as pressões econômicas em geral. A situação é complicada também pela alta nas taxas de juros nos EUA, tornando o debate sobre o papel do BTC como um ativo seguro ainda mais relevante.

No contexto brasileiro, em 2 de fevereiro, o Bitcoin foi negociado a R$ 404.594, aumentando a volatilidade para quem investe por aqui. As expectativas sobre a possibilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve para 2026 diminuíram, o que pode deixar os investidores mais cautelosos no curto prazo. No entanto, isso não impede que a discussão sobre alternativas ao dólar continue.

Historicamente, o mês de fevereiro costuma ser positivo para o Bitcoin, com um retorno médio de 14,3%. Se essa tendência se mantiver, poderíamos ver o preço chegar a US$ 101.000, partindo de uma base de US$ 88.321. Apesar disso, a pressão do cenário atual ainda é forte, especialmente com os dados do mercado institucional. É nesse momento que a estratégia chinesa pode influenciar o comportamento do mercado cripto.

Por que a China está promovendo o yuan?

Desde 2013, a China tenta colocar o yuan no cenário global, especialmente através de projetos como a Nova Rota da Seda e parcerias comerciais. Em 2025, o yuan representou apenas 4,7% dos pagamentos globais, segundo dados da SWIFT. Embora ainda esteja bem atrás do dólar, a moeda chinesa tem mostrado crescimento. As declarações de Xi reafirmam o desejo da China de se distanciar do sistema financeiro ocidental.

Para o investidor, essa movimentação é importante porque as moedas soberanas competem por confiança e liquidez. À medida que a fragmentação monetária aumenta, ativos neutros como o Bitcoin ganham destaque, sendo frequentemente vistos como uma proteção contra políticas governamentais. Esse debate, embora não seja novo, volta a ganhar força em um momento em que líderes globais discutem abertamente mudanças na ordem monetária.

Impactos no preço do Bitcoin a curto prazo

No mercado, o clima é de cautela por parte das instituições. Em janeiro de 2026, os ETFs de Bitcoin tiveram saídas líquidas de US$ 278 milhões, em contrapartida aos US$ 3,48 bilhões que entraram em novembro de 2025. Essa diminuição no fluxo de investimentos acaba pressionando o preço e tornando o BTC mais vulnerável a notícias econômicas.

Analisando a parte técnica, o Bitcoin perdeu a média móvel de 200 dias, que estava em US$ 78.200, e está testando um suporte importante em US$ 74.500. O Indicador de Força Relativa (RSI) está em 38 pontos, sugerindo que o ativo está em uma área próxima de sobrevenda. O MACD, embora ainda negativo, mostra sinais de alta, indicando uma possível diminuição da pressão vendedora. Caso o preço consiga se recuperar e ultrapassar os US$ 80.000, há chance de buscar resistência em US$ 84.600.

Bitcoin como reserva de valor em um mundo diversificado

A estratégia da China de promover o yuan reforça a ideia de um sistema financeiro menos centralizado, onde não há uma única moeda dominante. Nesse cenário, ativos escassos e descentralizados, como o Bitcoin, começam a ser vistos como alternativas viáveis. O Bitcoin, com seu limite de 21 milhões de moedas e emissão previsível, se posiciona como uma opção sólida.

No Brasil, essa movimentação está em sintonia com o avanço de produtos regulados, como ETFs de Bitcoin e Ethereum, além da crescente demanda por proteção contra a volatilidade do real. A recente fraqueza do dólar também apoia essa visão favorável ao Bitcoin.

Riscos e desafios para os investidores

Apesar das perspectivas a longo prazo, o curto prazo ainda é incerto. O aumento da inflação de serviços nos EUA diminuiu a probabilidade de cortes rápidos nas taxas de juros, mantendo a pressão sobre ativos de risco. Além disso, o yuan ainda enfrenta dificuldades devido a controles de capital, o que limita sua atratividade como reserva plena.

Para os investidores brasileiros, o importante é entender o timing. O Bitcoin pode se beneficiar da conversa geopolítica no longo prazo, mas no presente depende do fluxo de investimentos institucionais e das condições macroeconômicas, como vêm mostrando as recentes análises de mercado.

A movimentação do yuan pela China não muda tudo de uma hora para outra, mas reacende questões centrais sobre o papel do Bitcoin em um mundo onde diferentes moedas estão em disputa. Portanto, acompanhar a evolução dos preços e os movimentos do mercado será fundamental enquanto essa narrativa continua a se desenrolar.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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