Justiça condena 14 por lavagem de R$ 508 milhões do tráfico
A Justiça Federal fez um grande desdobramento no combate à lavagem de dinheiro, condenando 14 pessoas envolvidas em um esquema que movimentou nada menos que R$ 508 milhões. Essa sentença foi um passo importante para enfrentar o crime organizado no Brasil, com o Ministério Público Federal (MPF) atuando diretamente nesse caso.
As investigações revelaram que o grupo utilizava o mercado de bitcoin e criptoativos para disfarçar a origem ilícita de recursos, muitos dos quais vinham do tráfico de drogas. A operação da quadrilha ocorreu entre abril de 2019 e julho de 2024, com sede em Uberlândia (MG) e ramificações em Foz do Iguaçu (PR).
A chamada Operação Terra Fértil fez o trabalho pesado, juntando esforços da Polícia Federal e do Gaeco. As penas para os envolvidos variam de 8 a 21 anos de prisão, um resultado da severidade das atividades ilegais que estavam conduzindo.
Organização do esquema criminoso
Os membros da quadrilha tinham funções bem definidas, o que ajudava a manter o esquema funcionando. A liderança ficou responsável por gerenciar as operações financeiras, enquanto um núcleo específico cuidava de fornecer “laranjas” para as propriedades e empresas. Já o setor contábil se encarregava de criar uma fachada, com múltiplos CNPJs, para dar uma aparência legal a tudo.
A Justiça conseguiu comprovar as atividades ilegais por meio de análises periciais e registros contábeis fraudulentos. Os crimes iam desde lavagem de dinheiro de ações violentas até resgates de sequestro. Um quebra-cabeça bem montado para despistar as autoridades.
A tática com criptoativos
Na sentença, ficou claro como os ativos digitais eram usados estrategicamente para dificultar a localização do dinheiro sujo. Os integrantes do esquema transferiam quantidades expressivas para o mercado de bitcoin, criando uma neblina em torno da rastreabilidade financeira.
Além disso, operações bancárias fracionadas também faziam parte do plano para evitar a detecção. O grupo costumava usar um método chamado dólar-cabo, o que tornava tudo ainda mais complexo. Com isso, montaram uma teia corporativa difícil de seguir para qualquer investigador.
Bens de luxo e a fase de integração
Um dos pontos chocantes foi a compra de bens luxuosos. Na fase de integração do esquema, os criminosos transformavam o dinheiro lavado em propriedades e bens de alto valor. Eles conseguiram adquirir imóveis de luxo e veículos caros, além de uma aeronave registrada em nome de uma loja de biquínis fictícia.
As investigações também mostraram que eles aplicavam dinheiro em ativos tradicionais, como VGBLs e títulos de capitalização. Todos esses bens foram apreendidos, e a Justiça determinou a perda total dos ativos como parte da punição.
Danos e responsabilidades
Os condenados ainda terão que reparar os danos à União, no valor exato de R$ 508.646.344,08. O juiz aceitou um pedido para que os réus perdessem não apenas os bens ilícitos, mas também qualquer ativo de origem lícita que pudesse ser usado para compensar o prejuízo causado.
Os líderes do esquema receberam penas pesadas de 21 anos e 1 mês de reclusão. Um dos réus, inclusive, perdeu seu cargo como agente de segurança prisional, resultado direto de sua participação nas atividades ilegais.
A Justiça também determinou a suspensão imediata dos CNPJs das empresas de fachada envolvidas, uma medida importante para garantir que as atividades ilícitas sejam finalmente interrompidas. Essa ação marca um avanço significativo no combate à lavagem de dinheiro e aos crimes relacionados no Brasil.





