Bitwise aponta tensão geopolítica como impulso para Bitcoin a US$ 1 milhão
A Bitwise, uma das principais gestoras de ativos em criptomoedas nos Estados Unidos, trouxe à tona uma análise interessante. O CIO da empresa, Matt Hougan, sugere que o aumento das tensões geopolíticas ao redor do mundo, especialmente no que tange ao Irã, reforça o papel do Bitcoin (BTC) como um ativo seguro, uma espécie de reserva de valor. Ele não está apenas falando de uma meta de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões, dependendo da cotação) como um sonho distante. Segundo ele, isso pode ser um piso razoável para o ativo no futuro.
A lógica é clara: em tempos de incerteza, investidores tendem a buscar alternativas que escapem do controle de governos e bancos centrais. O Bitcoin, por ser limitado e negociado globalmente, se posiciona como uma excelente opção. Ele supera outras opções tradicionais, como ações e ouro, especialmente em momentos críticos.
O que está por trás dessa tendência?
Para entender melhor, pense no Pix. Quando a confiança no sistema bancário oscila — como vimos em crises regionais ou instabilidades econômicas — as pessoas buscam alternativas à vista: seja em dólar, ouro ou imóveis. O Bitcoin funciona de maneira similar, mas em um âmbito global. Ele é um “cofre digital” que não pode ser confiscado facilmente. Quanto maior a percepção de ameaça ao sistema financeiro convencional, maior a demanda por essa espécie de fuga.
O Bitcoin se apresenta como um “non-sovereign store of value”, ou seja, sua política monetária é rígida e imutável (são 21 milhões de unidades, nada mais). Durante os conflitos recentes envolvendo o Irã, ficou claro que o BTC teve um desempenho melhor que o S&P 500 e o ouro. Isso sugere que o mercado está começando a vê-lo como uma proteção (hedge) em situações de risco geopolítico, além de ser apenas um ativo especulativo.
O que os dados nos dizem?
Tese Geopolítica – “O Caos Como Escada”: Matt resumiu bem a ideia por trás da Bitwise: “Chaos is a ladder”. Em períodos de instabilidade, o Bitcoin se torna ainda mais atraente. Em crises como a invasão da Ucrânia e a recente crise bancária americana, a demanda pelo BTC aumentou rapidamente.
Modelo de Preço – “O Baseline de US$ 1 Milhão”: A Bitwise defende que o Bitcoin poderia valer US$ 1 milhão se capturasse 17% do mercado global de ativos de reserva, que hoje avalia-se em US$ 40 trilhões. Isso não implica que o BTC vá simplesmente substituir o ouro, mas sim que ele conquistará um espaço cada vez maior.
Fluxo Institucional – “A Validação dos ETFs”: Os ETFs de Bitcoin estão atraindo a atenção do capital institucional. Assim, durante momentos de tensão, muitos investidores estão retirando dinheiro de ações e colocando de volta no Bitcoin.
Ciclos de Preço e Volatilidade: O Bitcoin pode ter ido ao auge em US$ 126.080 (R$ 731.000) mas, como acontece com seus ciclos, uma correção significativa é esperada. Para atingir a tese de US$ 1 milhão, o Bitcoin precisaria aumentar em cerca de 14 vezes a partir dos atuais níveis de preço.
Riscos e observações
É preciso ter cautela. A Bitwise, que analisa o Bitcoin, também tem interesses financeiros diretos no ativo. Portanto, ao considerar suas análises, procure sempre validar as informações em fontes independentes.
Outros riscos a ficar de olho incluem a correlação do Bitcoin com ativos de risco. Em diversas ocasiões, já vimos o BTC comportar-se como um ativo de risco durante sell-offs. Sobre a política monetária, se o Federal Reserve mantiver os juros altos, o Bitcoin pode perder apelo em comparação com a renda fixa.
O que isso significa para o investidor brasileiro?
Para quem investe no Brasil, a dinâmica é um pouco diferente, especialmente por conta da exposição ao câmbio. Com o Bitcoin a US$ 84.000 e o dólar a R$ 5,80, cada unidade do ativo vale R$ 487.200. Se o Bitcoin aumentar de preço mais, mas o real se desvalorizar, os ganhos potencialmente se amplificam.
Investidores têm opções reguladas para entrar nesse mercado. Na B3, ETFs como HASH11 e QBTC11 permitem uma exposição ao Bitcoin sem ter que lidar com a custódia. Para quem deseja comprar diretamente, plataformas como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil são opções acessíveis, permitindo comprar frações do ativo.
Porém, é essencial estar atento à parte tributária. De acordo com as regras do Brasil, qualquer ganho acima de R$ 35.000 mensais exige pagamento de imposto. E o investidor deve ter cuidado para não usar alavancagem, especialmente diante de um horizonte tão longo como o de 10 anos, onde correções são frequentes.
O que esperar para o futuro próximo?
O fluxo de capital para os ETFs de Bitcoin será um indicador crucial a observar. Se o BTC permanecer estável em pontos altos e a demanda institucional continuar a crescer, isso poderá validar a tese da Bitwise. Se as saídas de capital superarem certas quantias, será um sinal de alerta para os investidores.





