Estudo revela baixo engajamento com criptomoedas no Brasil
As ações foram o carro-chefe nas conversas sobre investimentos nas redes sociais no segundo semestre de 2025. O interesse nesse ativo disparou, com um aumento de mais de 400% em relação ao semestre anterior, totalizando cerca de 130 mil menções. Essas informações vêm de um estudo realizado pela Anbima, em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados.
Essa alta no interesse pelas ações faz sentido, especialmente considerando a recuperação da bolsa brasileira, que trouxe os papéis de volta ao foco das discussões. Com isso, surgiram novas oportunidades de valorização que chamaram a atenção dos investidores.
As interações sobre produtos financeiros nas redes sociais também tiveram um crescimento expressivo, de 44,9% nesse semestre. No entanto, a performance de cada tipo de ativo variou bastante. Por exemplo, as ações têm uma média de 3 mil interações por post, números semelhantes para as criptomoedas, enquanto o câmbio está ligeiramente à frente, com 3,9 mil interações. Já produtos como fundos, ouro e fundos imobiliários (FIIs), apesar de menos frequentes nas publicações, conseguem atrair cerca de 5 mil interações por post.
Quando olhamos para produtos como previdência privada, poupança e renda fixa, a história muda um pouco. Eles geralmente ficam no topo em termos de engajamento, somando entre 6 mil e 7,6 mil interações por publicação — embora suas menções sejam bem menos frequentes. Isso acontece porque esses produtos estão associados a temas de planejamento financeiro, proteção e construção de riqueza a longo prazo, gerando discussões que atraem mais interações, mesmo que apareçam menos nas redes.
Essa lógica de associação também é importante. Os produtos não são citados isoladamente; a maneira como eles são apresentados em um contexto de carteira traz uma visão mais rica para o consumidor. Ações, criptomoedas, câmbio e ouro costumam aparecer juntos em postagens que falam sobre cenários financeiros, enquanto os fundos são frequentemente apresentados como uma alternativa para diversificação.
Amanda Brum, da Anbima, comenta que “o produto mais citado nem sempre é o que gera mais interesse”. A forma como cada ativo é contextualizado conquista a audiência, criando conexões mais duradouras. Assim, o ouro, por exemplo, costuma ser atrelado à ideia de proteção em relação a ativos mais voláteis, enquanto os fundos e a renda fixa aparecem em conteúdos que ajudam a organizar decisões financeiras.
E é verdade, a linguagem também muda conforme o produto. Os fundos tendem a ser discutidos de maneira mais estruturada, focando na alocação e na composição da carteira, o que pode gerar um interesse mais consistente, mesmo com menos menções.
Engajamento Médio por Produto
Um panorama dos engajamentos:
| Produto | Média de Engajamento |
|---|---|
| Previdência privada | 7.617 |
| Poupança | 6.082 |
| Renda fixa | 6.072 |
| Fundos | 5.818 |
| Ouro | 5.199 |
| FIIs | 5.088 |
| Commodities | 4.184 |
| Câmbio | 3.907 |
| Ações | 3.017 |
| Criptomoedas | 2.730 |
Volume de Menções por Produto
E quanto ao volume de menções, os números mostram:
| Produto | Nº de Menções |
|---|---|
| Ações | 129.968 |
| Criptomoedas | 56.867 |
| Câmbio | 36.608 |
| Fundos | 20.948 |
| Ouro | 16.860 |
| Commodities | 16.008 |
| Renda fixa | 15.796 |
| FIIs | 15.523 |
| Poupança | 3.646 |
| Previdência privada | 387 |
Sobre o FInfluence
Esses dados são parte da décima edição do FInfluence, uma pesquisa que analisa o comportamento de influenciadores digitais na área de finanças e investimentos no Brasil. Desde 2020, várias plataformas como X, YouTube, Instagram e Facebook são monitoradas para identificar tendências e padrões de engajamento em discussões financeiras.





